
Suécia 0-0 Portugal (4-3 nos penáltis)
Ainda não foi desta. Portugal perdeu na final do Europeu sub-21 frente à Suécia e continua sem juntar o troféu ao palmarés. Um encontro decidido apenas nas grandes penalidades, depois do nulo durante os 120 minutos, que acabou por premiar a astúcia dos suecos. A Suécia, que consegue o 1.º grande título ao nível de selecções jovens, foi inteligente, fechou os espaços a Portugal, especulou o jogo e procurou o erro, um lance de transição ou bola aérea, tendo, com o passar dos minutos e consequente desgaste físico e psicológico da selecção nacional, tido mesmo mais e melhores oportunidades. Já Portugal, que num curto espaço de tempo perde a 2.ª competição nos penaltis depois de ter sido a melhor equipa ao longo do torneio, não se exibiu a um bom nível. José Sá voltou a estar imperial, Ilori foi talvez o melhor em campo, Guerreiro aumentou muito o rendimento, mas o ataque voltou a criar pouco, e os elementos chave como William (jogou quase parado) e Bernardo (sem espaço) estiveram aquém do que produziram na Rep. Checa. As substituições de Rui Jorge também não melhoraram a equipa, tendo inclusive tornado o jogo mais previsível e individualista, o que facilitou ainda mais a tarefa do adversário.
Quanto à partida, a equipa das quinas teve um início prometedor. Ricardo, de pé esquerdo e logo aos 3', esteve muito perto de inaugurar o marcador e Sérgio Oliveira, num livre muito bem executado que embateu na trave, também criou muito perigo junto da baliza de Carlgren. Os elementos de Rui Jorge imperavam na partida, com posse e circulação de bola, num arranque que deu para compreender a grande superioridade a nível técnico em relação aos suecos. A selecção orientada por Ericson procurava encurtar as suas linhas, apostava claramente no erro dos lusos e dar a iniciativa de jogo a Portugal, sendo que um cabeceamento de Thelin acabou por ser das poucas chances nesta primeira fase da partida. Ivan Cavaleiro estava activo a cair no flanco esquerdo, mas ia sendo apanhado várias vezes no fora-de-jogo, enquanto que Bernardo Silva era obrigado a recuar muito no terreno para ter algum espaço. Rui Jorge alterou o esquema para um 4-3-3, com Cavaleiro sozinho na frente e com Bernardo e Ricardo nas faixas (Sérgio, J. Mário e William no meio), mas foi a partir desse momento que a Suécia equilibrou a partida, embora sem grandes resultados práticos (apenas remates de longe de Khalili e Tibbling). Até ao intervalo, registo para uma boa chance para João Mário, mas o médio sportinguista - em excelente posição - acabou por rematar contra um adversário. O arranque da 2.ª parte foi algo frenético. A Suécia cria muito perigo numa bola parada, na resposta Ricardo chega tarde a um passe de Bernardo, sendo que Guidetti teve o golo nos pés após combinação com Thelin. O jogo estava equilibrado e Portugal ia encontrando dificuldades para penetrar no jogo interior. Sérgio Oliveira, antes de sair, e Tozé, tentaram de longe, mas a verdade é que os nórdicos iam fazendo mossa nas bolas directas. A partir dos 80', a Suécia foi muito perigosa. Depois de Iuri Medeiros ter rematado perto do poste, Ilori negou o golo a Guidetti, sendo que depois foi José Sá, numa excelente intervenção, a roubar o sucesso ao ex-avançado do City. Até ao final dos 90', mais um par de lances ameaçadores dos suecos, embora Sá tenha tido mérito nas acções. O prolongamento ficou marcado pelo desgaste de ambas as equipas. A Suécia voltou a estar mais perto do golo quando Khalili rematou perto do poste e esse talvez tenha sido um dos poucos registos desse período extra (Iuri foi travado numa jogada promissora e Gonçalo Paciência bem tentou mas nada conseguiu criar). Nos penáltis Esgaio e Khalili, com falhanços, ainda aqueceram os ânimos, mas foi William a decidir, com o seu desperdício a dar o Europeu à Suécia (4-3).
Destaques:
Portugal - Um jogo aquém das expectativas criadas frente à Alemanha, e com um final amargo para quem tanto fez... mas já habitual (caímos da mesma maneira no Euro'2012, Euro'2013 em sub-19 e Mundial sub-20 2015, isto só nos últimos 3 anos). A equipa nacional entrou pressionante, teve uma bola na barra, duas boas oportunidades (Ricardo e João Mário), e dominou praticamente todo o tempo regulamentar (apesar desse domínio ser consentido), mas teve dificuldades em furar a muralha sueca, que tirou espaço a Bernardo e fechou os caminhos para a baliza, obrigando a remates de longe e demasiados cruzamentos para quem não tinha uma referência na frente. À medida que o tempo avançava, o discernimento diminuiu (as substituições também não surtiram grande efeito), bem como a capacidade física, e Portugal assistiu ao crescimento da Suécia, que subiu no terreno e criou diversas ocasiões, muito por mérito da sua dupla atacante. Portugal acabou por criar poucas oportunidades (Carlgren foi testado apenas em remates de longe), abusou do individualismo (ainda mais numa fase em que era a bola que tinha de correr, e não os jogadores), e acaba por cair nas grandes penalidades, após duas más execuções, que de lotaria nada tiveram. Individualmente, novo destaque para Sá, que para lá da segurança habitual, aguentou o nulo com uma grande intervenção com a luva esquerda e um par de saídas felinas; Ilori mandou na sua área de jurisdição e terminou o torneio em grande, tal como Paulo Oliveira, impecável nas dobras e marcações. Pela negativa, Bernardo acusou a marcação cerrada e pouco fez, e abusou das jogadas individuais quando as pernas já não o permitiam, e Cavaleiro apareceu apenas nas ocasiões em que foi apanhado fora de jogo. João Mário foi o melhor no prolongamento (o único dos médios com frescura nesta fase), William realizou alguns passes de ruptura mas não foi tão dominante como habitualmente, e Sérgio Oliveira cedo desapareceu do jogo, isto depois de enviar uma bola à trave. Guerreiro fez a melhor partida deste Europeu, acompanhando o ataque com acerto, já Esgaio mostrou mais uma vez não ser opção credível para a posição. Gonçalo demorou a entrar no jogo (deu presença, mas não fez grande mossa), Tozé tentou o remate, talvez em demasia, e desprotegeu a linha média, Iuri teve alguns lances interessantes, mas também lhe faltou regularidade. Ainda assim, pese a derrota, há muito talento nesta equipa (e outro tanto ficou de fora), e tenham os jogadores oportunidades, decerto darão alegrias no escalão acima.
Suécia - Não foi a melhor equipa do torneio mas foram (até pela maneira como o jogo desenrolou como tinham planeado) melhores na final. E não surpreenderam ninguém, equipa especulativa (que deu um domínio consentido a Portugal), organizada atrás, à procura da envergadura dos seus atacantes em bolas longas, e que soube aproveitar a maior frescura na fase final do encontro para equilibrar e até serem mais perigosos. Depois de arrumarem a favorita França no playoff, acabam por derrubar os maiores candidatos (Portugal, Itália e Inglaterra), acabando por ser a única equipa a bater José Sá. Os suecos foram inteligentes na abordagem ao jogo, tiraram espaço a Bernardo, nunca permitiram trocas de bola perto da sua área, obrigando a lateralizações, e conseguiram bascular a defesa de modo a fechar sempre os flancos em superioridade numérica perante os avançados. E na "lotaria" dos penáltis, quatro das cinco execuções foram inatacáveis. Os centrais (mesmo com as substituições o entrosamento não se perdeu) estiveram imperiais no jogo aéreo, protegendo sempre o seu guarda-redes, e os dois médios defensivos fecharam todos os caminhos para a área. Tibbling foi o agitador nos primeiros 60 minutos, Guidetti, nome falado por cá, mostrou qualidade técnica (embora não pareça ser referência para jogar sozinho) e força suficientes para incomodar Ilori e Oliveira, e combinou bem com o possante Thelin.
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