Valeu José Sá; Portugal joga mal (é dominado) mas fica apenas a um empate das meias-finais

Itália 0-0 Portugal

Ter estrelinha num nulo. Não foi justo (tal foi a superioridade e situações de golo da Itália) mas Portugal ao empatar a 0 na 2.ª jornada do Grupo B ficou apenas a 1 ponto das meias-finais (e a Suécia, apesar da agressividade e capacidade física, até é o conjunto mais acessível deste grupo). José Sá, a barra e ineficácia dos transalpinos (principalmente por intermédio de Belotti) evitaram uma derrota, que até se justificava tal foi a superioridade do adversário. E o guardião do Marítimo, além do resultado (que considerando as contas do grupo e o que se passou neste duelo), foi a única nota positiva deste jogo. A defesa sofreu muito com as acções de Berardi, o meio campo deixou jogar e não conseguiu ter bola, e na frente - apesar de uns rasgos de magia de Bernardo - Mané e Rafa tiveram uma presença quase invisível.

Quanto ao encontro, Rui Jorge apostou em Carlos Mané e Rafa, mas a Itália começou melhor, já que logo nos primeiros segundos Benassi rematou forte para defesa de José Sá e aos 6 minutos Berardi aproveita um passe errado de Sérgio Oliveira para servir Bellotti, que dispara para nova intervenção do guardião Luso. A equipa das Quinas entrou mal no encontro, falhando muitos passes e sem capacidade de contrariar a boa pressão que a Squadra Azzurra começou por realizar, o que levou a imensas dificuldades em ter a bola e circulá-la com qualidade. Aos 27’, nova enorme defesa de José Sá, desviando um tiro de Benassi que levava selo de golo. Aos 36’, surgia a primeira grande oportunidade para Portugal, com Bernardo a conduzir a bola durante alguns metros e a servir João Mário que encontrou Sérgio Oliveira na esquerda, tendo o médio que alinhou no Paços assistido o jovem Leão que acertou mal na bola em posição privilegiada e não conseguiu marcar. Na segunda parte do primeiro tempo, a equipa de Rui Jorge melhorou em relação aos primeiros minutos, subindo as linhas e tendo um futebol mais parecido ao que já demonstrou. No entanto, foi Sérgio Oliveira quem, em cima do intervalo, esteve quase a marcar um golo na própria baliza. No segundo tempo, a equipa Transalpina entrou melhor, com Biraghi a cruzar desde a esquerda para Belotti antecipar-se de cabeça a Sá e enviar a bola à Barra. Após alguns minutos sem lances de relevo perto das balizas, aos 70’ Zappacosta ludibria Raphael e cruza para Belotti ficar muito perto do golo. O jogo foi caindo de ritmo, com Portugal a ir tendo algum espaço nos minutos finais para causar perigo em transições (os Italianos acusaram muito o desgaste físico), mas faltou uma maior capacidade na tomada de decisão para criar mais perigo (o espaço era tanto que bastava uma boa definição de alguns lances, mas a mesma nunca existiu). Ainda assim, quer Carlos Mané aos 86’ (boa diagonal mas mau remate), quer Gonçalo pouco tempo depois (não conseguiu dirigir o cabeceamento) e ainda Iuri (remate forte já dentro da área mas Bardi responde bem) ficaram perto do golo, bem como Biraghi, que adiantou muito a golo e permitiu que José Sá saísse e segurasse o empate.

Destaques:

Portugal - Rui Jorge não pode estar satisfeito com esta exibição. Muita dificuldade em dominar o jogo, em ter posse de bola no meio-campo rival e muitas oportunidades concedidas à Itália. No entanto, o empate acaba por ser um bom resultado e abre boas perspectivas para a passagem. Individualmente, José Sá voltou a estar a grande nível, com diversas defesas de vulto e conseguindo dar uma cada vez maior sensação de segurança (a confiança vai subindo com as boas exibições), acabando por ser mesmo o principal responsável pelo ponto conquistado. Na defesa, a dupla Oliveira-Ilori concedeu mais veleidades do que contra a Inglaterra (Belotti teve algumas situações vantajosas), mas considerando a apatia do resto do conjunto, até foram os que menos comprometeram, principalmente o central do Liverpool, ao passo que Raphael Guerreiro começou por sofrer com Berardi mas foi subindo de produção No meio-campo, William esteve vários furos abaixo do que sabe fazer (e do que fez frente à Inglaterra), sofrendo muito com a pressão inglesa que o levou a falhar demasiados passes e a perder algumas bolas em zona proibida, não sendo também tão forte ao nível da recuperação e ocupação de espaços, sendo que Sérgio Oliveira acrescenta pouco (não é agressivo defensivamente, não recupera bolas e em posse pouco acrescenta, tendo deixado WC demasiado exposto) e João Mário (apesar de alguns bons pormenores) sobre a direita continua a ser peixe fora de água (Bernardo Silva está mais habituado a esse espaço). Já Bernardo não brilhou (o pobre futebol colectivo não o ajudou) mas ainda teve um par de boas iniciativas, conseguindo forçar alguns amarelos graças à sua magia. Na frente, a nova dupla Mané-Rafa foi pouco capaz ofensivamente e na pressão defensiva não acrescentaram o mesmo que Ricardo e Cavaleiro, sendo que Gonçalo Paciência e Iuri, tal como Mané, falharam muitas vezes ao nível da decisão nos minutos finais, numa fase em que dispuseram de muito espaço no último terço.

Itália - Os Transalpinos mereciam a vitória, foram quase sempre superiores (a forte pressão inicial complicou muito a vida a Portugal, mas falharam demasiadas chances para serem felizes (podendo mesmo ter sido penalizados no fim, quando a frescura já era pouca) e estão agora numa situação difícil no grupo, tendo de ganhar à Inglaterra para poder sonhar. Individualmente,  Zappacosta esteve muito bem a dar profundidade no flanco, enquanto Benassi esteve em destaque pela forma como levou perigo para José Sá através de remates de longe. Berardi é claramente o jogador mais deste conjunto (muita técnica e visão de jogo), mas foi caindo de rendimento ao longo da partida, ao passo que Belotti esteve demasiado perdulário (dispôs de 3 claras oportunidades para facturar).

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