O campeonato holandês continua sem ser um dos mais fortes a nível europeu, mas é, sem dúvida, aquele onde mais jovens têm espaço para se mostrar. A maioria dos clubes aposta imenso na formação, e é sem surpresa que a média de idades é muito baixa, com as equipas a não terem medo da irreverência e inocência dos novos craques. O Visão de Mercado aponta alguns dos valores que despontaram este ano na
Eredivisie, excluindo os nomes de PSV e Ajax por já serem conhecidos da maioria.
Bilal Ould-Chikh (Twente) - Um dos mais novos desta edição do campeonato holandês. Apesar de ter apenas 17 anos, o jovem de origem marroquina demonstrou um potencial gigante. O Twente foi uma desilusão, apesar de ter nomes como Castaignos, Corona ou Ziyech, mas o extremo marcou pontos para o futuro. Irreverente, rápido e forte no 1x1, pode actuar nas duas alas, embora seja mais perigoso partindo da direita para o meio para desequilibrar com o pé esquerdo.
Bertrand Traoré (Vitesse) - Desde cedo visto como uma grande promessa, este foi o ano da explosão definitiva do jogador burquinabé. Emprestado pelo Chelsea, onde não se perspectiva que possa ter grandes oportunidades, o avançado foi um elemento fundamental no emblema holandês, somando 11 golos até ao momento. A actuar no centro do ataque, o jovem de 19 anos, que alia qualidade técnica e poder físico, fez uma época bastante consistente, demonstrando que está pronto para outros desafios. Bertrand Traoré é um jogador versátil (também pode jogar nos flancos), com muita facilidade de remate com o pé esquerdo. Tem imensa margem de progressão e, mantendo a consistência no seu jogo, é uma aposta segura.
Mark Uth (Heerenveen) - Num clube habituado a promover grandes avançados, como Huntelaar ou Bas Dost, o alemão é agora a referência do ataque. Fez um início de época bombástico, caiu de produção na segunda metade da temporada, mas é, sem dúvida, um dos destaques do campeonato. Com 15 golos marcados, o goleador de 23 anos mostrou ser um jogador oportuno, frio e eficaz na grande área. É forte (1,85m) mas tem mobilidade e um pé esquerdo temível. Fica a dúvida eterna em relação aos avançados que brilham na Holanda: tem capacidade para outros voos?
Steven Berghuis (AZ) - Um dos melhores jogadores da equipa de Alkmaar, a par de Nemanja Gudelj, que se transferiu para o Ajax. O médio direito demonstrou uma inteligência e uma visão de jogo acima da média, tendo capacidade de organizar a partir do corredor direito (normalmente procura o corredor central). Aos 23 anos, o esquerdino tem ainda grande margem de progressão e merece dar o salto para um emblema com outras ambições. Não é particularmente explosivo mas consegue desequilibrar e tem remate fácil.
Anass Achahbar (Feyenoord) - Já tinha demonstrado qualidade em épocas anteriores, embora não tenha jogado de forma regular, mas esta temporada provou que é um avançado muito interessante. Formado em Roterdão, é um jogador móvel, inteligente na procura dos espaços e com uma qualidade técnica muito acima da média, sendo imensamente superior a Kazim-Kazim e a te Vrede neste capítulo. Por outro lado, tem apenas 1,71m e não é, de todo, um ponta-de-lança de área. Não esperem 20 golos por época e um finalizador nato, mas antes um jogador muito participativo. Foi, juntamente com Elvis Manu, extremo rapidíssimo e com faro pelo golo, uma das figuras do Feyenoord nesta recta final de temporada.
Albert Rusnák (Groningen) - Emprestado pelo Manchester City, acabou por aproveitar esta segunda passagem pela Holanda (no ano anterior tinha estado no Cambuur) para ganhar alguma projecção. O eslovaco é um jogador bastante dinâmico e pode actuar em qualquer posição nas costas do avançado. Veloz e evoluído tecnicamente, aparece bem em zonas de finalização, tendo decidido recentemente a final da Taça da Holanda com um bis. Aos 20 anos, parece claro que não irá ter qualquer oportunidade nos citizens, pelo que uma saída definitiva seria o ideal para a sua carreira.
T. Cunha
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