Após 8 anos de interregno, Portugal regressa à mais importante competição europeia de seleções jovens: o Europeu de sub 21. O grande objetivo é a qualificação para os Jogos Olímpicos de 2016, mas na cabeça de todos está a interrupção do jejum de títulos das nossas selecções que dura desde 2003, ainda para mais num torneio que a equipa das quinas nunca conquistou. Juntando estes 2 cenários é natural que sejam escolhidos os melhores jogadores entre os selecionáveis, independentemente de já terem estatuto ou minutos na seleção A. Por outro lado, sem seleções como a França ou Espanha, Portugal é mesmo um dos principais candidatos à vitória final. Assim, o Visão de Mercado irá, mensalmente, indicar os 23 que, em cada momento, levaria à competição.
Guarda-Redes: Bruno Varela, José Sá, Rui Silva - Na baliza, Portugal não conta com nenhum elemento que seja titular indiscutível numa equipa de primeira divisão. Assim, a escolha recaí em Bruno Varela, habitual defensor das redes da equipa B do Benfica e que tem a vantagem de ainda ser elegível para o Europeu de 2017, em José Sá, que esta época conta 22 jogos entre a equipa principal e a secundária do Marítimo, e em Rui Silva, guardião do Nacional que tem menos jogos que os companheiros de posição (é prejudicado pela inexistência de um conjunto secundário na equipa da Choupana) mas que é aquele que conta com mais presenças no conjunto principal, com 9 jogos. Outras opções são Luís Ribeiro (que soma 25 jogos na equipa B do Sporting) e ainda Daniel Fernandes, jogador que alinha no Osnabruck, da terceira liga alemã e que já foi chamado por Rui Jorge.
Defesa: Ricardo Pereira, Ricardo Esgaio, Bruno Gaspar, Raphael Guerreiro, Tiago Ilori, Paulo Oliveira, Tobias Figueiredo, Josué - Para o centro da defesa, Paulo Oliveira está a ter uma excelente primeira época no Sporting e, sendo um dos capitães, é indiscutível na convocatória e será, provavelmente, titular no Europeu. Uma das principais esperanças nacionais para a posição, Tiago Ilori, foi prejudicado por uma lesão que o deixou algum tempo fora dos relvados, mas foi titular em 3 dos últimos 4 jogos e, se mantiver esta regularidade, será uma escolha óbvia. Tobias Figueiredo tem justificado a aposta de Marco Silva e confirmado todo o potencial que sempre lhe foi reconhecido, tendo a vantagem de ainda ser elegível para o Europeu de 2017, factores que, se o jovem “leão” conseguir manter este nível exibicional e assiduidade, o devem levar ao torneio. A outra opção para o centro da defesa recai em Josué, que actuou de início nos últimos 13 jogos do Vitória de Guimarães para o campeonato, batendo Rúben Vezo, que apenas fez 3 partidas completas (e nenhuma para o campeonato) desde Setembro. Outra opção é Frederico Venâncio, que soma 25 encontros pelo Vitória de Setubal. Para as laterais, Ricardo Pereira, Ricardo Esgaio e Raphael Guerreiro são escolhas regulares e óbvias (tendo todos a particularidade de poderem jogar mais à frente no terreno), ao passo que Bruno Gaspar, uma das revelações do campeonato (14 presenças pelo Vitória de Guimarães para a Liga), garante o seu lugar entre os 23 devido ao facto de poder alinhar quer à direita quer à esquerda (além de Guerreiro, que até tem jogado a ala, não há nenhum defesa-esquerdo titular entre os selecionáveis).
Meio-campo: William Carvalho, Rúben Neves, João Mário, André Gomes, Bernardo Silva, Tozé, Sérgio Oliveira - Provavelmente o setor onde a equipa lusa apresenta mais quantidade e qualidade, contando com diversos elementos que têm feito belas épocas nos respetivos clubes. Para a posição 6, e porque consideramos que devem ser selecionados os melhores jogadores desta faixa etária, William, de volta às boas exibições no Sporting, é imprescindível, tendo até rotinas com este conjunto, já que participou no início do apuramento antes de dar o “salto” para a equipa principal. Como alternativa natural, temos o ainda júnior Rúben Neves, que já fez mais de 1000 minutos pela equipa principal do FC Porto e que será uma das figuras da geração de sub-21 que atacará o Europeu de 2017. Para as restantes 3 posições do losango que Rui Jorge tem apresentando (e que é o desenho que melhor se enquadra nas características deste elenco), contamos com o habitual capitão Sérgio Oliveira, que se tem destacado no Paços de Ferreira, com Bernardo Silva, talvez o melhor jogador desta equipa ao longo da fase de qualificação e que tem estado em bom plano no Mónaco, com João Mário, já internacional A e titular no Sporting, com André Gomes, indiscutível para Nuno Espírito Santo numa das melhores equipas de Espanha, e ainda Tozé, titular no segundo jogo do Playoff contra a Holanda e que será sempre uma arma ao nível das bolas paradas. Na luta estará Bruno Fernandes, e, com menos esperanças, Tiago Silva e Rúben Pinto.
Avançados: Lucas João, Rafa, Bruma, Ivan Cavaleiro, Carlos Mané - Para o setor atacante, salta à vista a falta de um indiscutível número 9, como, de resto, é habitual no futebol português. Nomes como Tomané e Gonçalo Paciência já foram testados por Rui Jorge, mas a nossa escolha, tendo em conta o rendimento recente, é Lucas João. O jogador do Nacional, que até esteve perto de abandonar o emblema madeirense no mercado de Inverno, apontou 4 golos nos últimos 5 jogos do campeonato e, se mantiver um bom rendimento, será a aposta para ser o Ponta-de-Lança de raiz desta convocatória. No entanto, a aposta inicial deverá passar pela colocação de dois jogadores móveis na frente de ataque, como Rafa (que também poderá jogar mais recuado, no meio-campo), Carlos Mané, Ivan Cavaleiro e Bruma (apesar deste último tardar em "explodir", terá aqui uma excelente "montra"), jogadores velozes e fortes a atacar o espaço. Na luta por um posto na convocatória estão ainda elementos como Hélder Costa, Iuri Medeiros ou Ricardo Horta.
Pedro Barata
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