Van Gaal, Vlaar, Garay, Kuyt, James e Giancarlo González nos melhores do Mundial 2014

Em 2018 há mais. O Mundial 2014 chegou ao fim e, apesar de ter prometido bastante na fase de grupos/oitavos de final, desiludiu um pouco nos últimos jogos. Foi a primeira vez que uma equipa europeia venceu a prova na América do Sul, com a Alemanha a chegar ao quarto título e a humilhar o Brasil na sua casa. O Mundial brasileiro igualou o recorde de golos - 171 - que se havia estabelecido no França'1998 (o Brasil-Alemanha ajudou para manter uma média elevada na fase a eliminar). Numa prova em que não houve uma super selecção e em que alguns craques desiludiram, ficam os melhores do Visão de Mercado.

Melhor 11: Neuer - Apesar dos brilharetes individuais de alguns guarda-redes, o alemão mostrou mais uma vez que é o melhor do mundo, destacando-se sobretudo pela forma como fez de líbero. Romero também teve uma excelente prestação.
Lahm - Bastaram-lhe 3 jogos na lateral-direita para ser o melhor do Mundial. O alemão melhorou bastante quando passou para a posição de origem e a equipa beneficiou com isso.
Vlaar - No mínimo surpreendente a prestação do central holandês. Muito forte nos duelos individuais e no jogo aéreo, foi o patrão da defensiva laranja (super exibição contra a Argentina). De Vrij fez um Mundial em crescendo e também esteve em grande. 
Garay - Muitas vezes discreto, mas sempre competente durante os sete jogos (ao contrário de Hummels, que falhou alguns). O central ex-Benfica demonstrou que está ao nível dos melhores e foi indiscutível na defesa argentina, mostrando uma grande leitura de jogo. 
Blind - Foi a posição com menos qualidade do Mundial (Rodríguez foi o melhor mas saiu cedo), mas o lateral holandês teve uma excelente prestação. Juntou qualidade técnica e capacidade de passe a um grande sentido posicional e foi um elemento imprescindível numa das melhores defesas da prova.
Mascherano - De regresso à sua posição de origem, foi um monstro no meio campo argentino. Defensivamente impressionante, foi um tampão à frente da defesa.
Schweinsteiger - Foi subindo de forma no Mundial e acabou em grande. A sua entrada para o meio campo germânico melhorou substancialmente a equipa, o que mostra bem a sua importância. 
Kroos - Apesar de ter desiludido na final, foi um dos melhores médios da prova, oferecendo a sua enorme qualidade de passe e visão de jogo ao meio campo germânico. 
James - O craque da Copa. Ser "apenas" o melhor marcador, com 6 golos, é pouco para o que o colombiano fez. A confirmação do talento incrível que é fez com que a Colômbia conseguisse a melhor participação de sempre.
Müller - Eficácia e inteligência são as palavras que melhor definem o alemão. Aos 24 anos fez mais uma vez um grande Mundial, sendo uma das figuras dos campeões e juntando mais 5 golos à conta pessoal.
Robben - A sua influência na equipa holandesa foi tremenda. Apareceu numa forma soberba e foi a grande estrela do conjunto orientado por Van Gaal. 

Melhor jogador: Se James tivesse chegado às meias-finais seria claramente o melhor jogador da prova (não houve nenhum elemento a mostrar tanta qualidade e a ter tanto impacto na equipa como o colombiano), mas como somos apologistas da relação individual-colectivo o MVP foi Robben. Não foi um jogador tão decisivo como poderia ter sido (não marcou nem assistiu na fase a eliminar), mas carregou a equipa holandesa, que dependia do que o extremo conseguia fazer, e teve uma atitude incrível durante o Mundial (apresentou uma condição física invejável). 

Melhor treinador: Na selecção holandesa com menos qualidade individual dos últimos anos, Louis Van Gaal fez um trabalho notável. É certo que teve de montar uma equipa mais pragmática, ao contrário do que fez durante a sua carreira, mas conseguiu não perder nenhum jogo e acabou com um saldo de 15-4 em golos. Miguel Herrera, Jorge Luis Pinto e Jorge Sampaoli, pelos modelos de jogo das respectivas equipas, foram outros treinadores que mostraram a sua qualidade. 

Jogador revelação - Pode parecer estranho atribuir esta distinção a um jogador de 33 anos (na verdade houve poucos jovens a destacar-se), mas Dirk Kuyt deu uma lição de cultura táctica e espírito de sacrifício pelo colectivo. Começou como ponta-de-lança no início da carreira e com esta idade é adaptado a lateral num Mundial, respondendo de forma fantástica. Fechou bem o flanco e sempre que possível deu profundidade. Notável!

"Calou os críticos" - Até o deixarem Neymar fez o que se esperava: carregou uma equipa brasileira que dependia exclusivamente do que o craque conseguiu fazer. A pressão era enorme, mas o jogador do Barça correspondeu plenamente às expectativas, mesmo sem nenhuma exibição deslumbrante. 

"Desconhecidos" em destaque - Giancarlo González foi provavelmente a maior surpresa do Mundial. A actuar na MLS, o central da Costa Rica foi o patrão da defensiva dos "Ticos", mostrando uma notável leitura de jogo; Leckie, extremo australiano muito rápido e desequilibrador, está ainda na segunda divisão alemã e com a prova que fez deve dar o salto; Vázquez, trinco mexicano que impressionou pelo seu sentido posicional e boa qualidade de passe, foi um dos pilares da selecção azteca; Charles Aranguiz, que está no Internacional e já foi considerado o melhor volante da América do Sul, foi uma das figuras do Chile, destacando-se pela sua intensidade e facilidade de chegar à área contrária; Besic, que também pode jogar a central, mostrou que com a sua qualidade técnica e de passe tem tudo para ser um "novo Pjanic" na Bósnia. 

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