Jogador de rendimento intermitente, que varia entre o mediano e o medíocre, revelando pouca atitude competitiva que anula um talento que tarda em mostrar-se, e com um salário proibitivo para a realidade do clube. Falamos de um jogador do Sporting.
Quem é? Nada mais, nada menos do que de
Adrien Silva. O quê, os adjectivos não se adequam ao médio leonino? E se este texto tivesse sido escrito lá para os idos de Julho, a reacção seria a mesma? Retrocedamos uns meses. A Direcção e equipa técnica do Sporting montavam um plantel a partir de cacos (daqueles caros), com uma premissa básica de que os jogadores deveriam ter um rendimento desportivo condizente com o seu custo salarial. Ou seja, quem ganha muito e joga pouco, teria a porta da rua como destino. Ora Adrien Silva assentava que nem uma luva neste pressuposto; a sua renovação foi considerada um erro, pelos valores envolvidos, e mais uma reacção de pânico de Godinho Lopes & Cia perante um suposto interesse do FC Porto na aquisição do produto da Formação leonina. Nas palavras dos adeptos, e considerando a estratégia do Sporting, Adrien estaria e estava numa hipotética lista de dispensas. Porém, veio a pré-temporada, e o médio assumiu finalmente um papel preponderante no conjunto, mostrou uma atitude competitiva digna de um profissional, e finalmente o talento que parecia escondido deu à costa. O seu rendimento não foi fogo de vista, e alastrou-se ao campeonato, onde tem sido titular indiscutível, peça fundamental no bom rendimento do actual líder, mostrando semanalmente estar preparado para outros vôos.
Ou seja, em meia dúzia de meses (menos, até), Adrien passou de dispensável a indiscutível, e hoje, ao contrário de ontem, o seu salário nem sequer é chamado à conversa. O que nos leva a outro telento adiado, com salário desproporcional em relação ao rendimento.
Zakaria Labyad, apelidado de reforço-bomba, até hoje ainda só rebentou com os cofres do Sporting e com a paciência dos adeptos. Um gordo vencimento (1M/ano, foi veiculado), dobrado após um ano péssimo a todos os níveis (financeiro e desportivo), tornaram o marroquino um alvo perfeito para a ira dos sócios e adeptos. Mais do que o fraco rendimento no campo, transpareceu um falta de atitude inqualificável para um profissional, que se não ama o clube, pelo menos devia respeitar a entidade patronal. Labyad, para lá de jogar zero, esforçava-se ainda menos, mostrava apatia constante, e até demonstrava desleixo em muitos dos lances em que "participava". Ao contrário de Adrien, Labyad não se mostrou a Leonardo Jardim na pré-época, o que lhe valeu o exílio da equipa principal. Uns meses de "licença com vencimento" foram o resultado de um defeso inconclusivo, formando agora Labyad com Jeffren uma dupla de respeito, pelo menos no dia de realizar as transferências bancárias. A questão que se pode e deve colocar, agora que o mercado de Inverno se aproxima, é se
o exemplo de Adrien Silva pode ser mimetizado por Labyad. Há um conjunto de factores que apontariam para a
reintegração do ex-PSV: o Sporting precisa de uma alternativa ofensiva (os extremos são inconsistentes, e por vezes falta um médio mais eficaz que jogue nas costas de Montero), e se por um lado o mercado de Janeiro não é fácil (o Sporting não costuma acertar no alvo), por outro não deve haver margem de manobra (nem faz sentido neste contexto, fora das competições europeias) para investir em novos jogadores. O "reforço" Labyad não só traria outra qualidade, como também eliminaria o problema de ter o encargo com um elemento... que não joga. Partindo do princípio que o jogador aceitaria enquadrar-se no mapa salarial (curiosamente no decurso de todo o processo, ambas as partes disseram que o dinheiro não era o maior entrave), seria decerto um bom acrescento, isto, se decidisse alterar a atitude atrás descrita. E certamente que, tal fosse o caso, o seu salário, mesmo continuando alto, deixaria de ser motivo de polémica.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Ranito