Acabou-se o mito

Tem sido mais uma temporada interessante na Premier League, com grandes espectáculos, muitos golos marcados, goleadas, equilíbrio no topo (5 equipas separadas por 4 pontos, Tottenham e United no 7º e 8º lugares) e na cauda da tabela. Contudo, outro facto salta à vista nestas primeiras 16 jornadas: 5 clubes já mudaram de treinador desde que começou a temporada 2013-14. Os dirigentes da Premier League são conhecidos pela sua paciência em relação ao trabalho dos treinadores, mas durante esta temporada, 5 equipas já "puxaram do chicote". Tudo começou a 22 de Setembro, com o fim da "era Di Canio" em Sunderland. Os blackcats arrastavam-se pelo último lugar, com apenas 1 ponto em 5 jogos, sendo que a derrota por 3-0 no terreno do WBA foi a gota de água (Poyet entrou a 8 de Outubro, mas o Sunderland continua em último). A 23 de Outubro, Ian Holloway cedeu à pressão e decidiu abandonar o Crystal Palace (na sequência de uma derrota caseira frente ao Fulham por 4-1), depois de ter conquistado apenas 3 pontos em 8 partidas (Tony Pullis tomou as rédeas do Palace, tendo feito uma pequena recuperação). No dia 1 de Dezembro, a direcção do Fulham não aguentou mais um desaire da sua equipa e decidiu despedir Martin Jol. Nada que surpreendesse, pois o holandês já tinha esgotado a paciência dos adeptos, numa temporada com resultados muito aquém do investimento (os cottagers seguem abaixo da linha de água). As partidas do último fim-de-semana ditaram mais dois despedimentos. Steve Clarke, que fez uma espectacular temporada de estreia (levou o WBA à melhor classificação na PL desde 1981), foi despedido depois de uma derrota por 1-0 em Cardiff (os baggies seguem no 16º lugar, com uma série de 2 empates e 4 derrotas). Hoje, foi a vez de André Villas-Boas. O treinador português, tal como Clarke, fez uma excelente temporada de estreia (recorde de pontos para os spurs), mas não conseguiu manter o nível nestas primeiras 16 jornadas. O Tottenham já levou duas goleadas pesadas e humilhantes (6-0 frente ao City e 5-0 na recepção ao Liverpool), apresenta apenas 15 golos marcados, isto tudo, depois de um investimento milionário para o ataque à temporada 2013-14. Com esta série de despedimentos, acabou mesmo o mito da paciência dos dirigentes ingleses, cada vez mais reféns dos resultados "na hora" (os investimentos milionários assim o ditam) do que da estabilidade e resultados a médio-longo prazo. Quem será a próxima vítima? Os clubes ingleses estão a mudar? O que motiva esta impaciência? 

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