Giro de Itália 2013

No seguimento da mais imprevisível temporada de ciclismo dos últimos anos, e abençoada a maglia rosa pelo Papa Francisco, está tudo pronto para o 96º Giro d’Italia que parte para a estrada este sábado, 4 de Maio.

Numa edição que conta com a melhor lista de inscritos dos últimos anos e com um percurso equilibrado entre a alta montanha e o contra-relógio, a prova tem sido antecipada pela imprensa como um duelo entre Bradley Wiggins (Sky) e Vincenzo Nibali (Astana), ciclistas que representam duas formas distintas de abordar a modalidade. Assim, se o britânico representa a abordagem científica do desporto, definindo o seu esforço em corrida a partir do que no treino foi exaustivamente determinado como os seus limiares de conforto, já o siciliano tende a ser associado a uma perspetiva mais romântica e intuitiva do ciclismo, de que é exemplo a sua excelente técnica que lhe permite atacar vertiginosamente em descida.

O percurso deste ano conta com quatro etapas planas reservadas aos sprinters - Cavendish é bastante superior aos seus rivais aqui presentes (Goss, Degenkolb, Bouhanni e os italianos Gavazzi e Viviani), mas a sua nova equipa tem de provar que consegue fazer um bom comboio e apenas quatro etapas é curto se o seu objetivo for a conquista da camisola dos pontos; sete etapas seletivas que, no papel, não trarão grande diferença à classificação geral e que poderão ser aproveitadas por bons finalizadores que se defendam em subida ou por fugas; duas etapas de média montanha; cinco etapas de alta montanha; e três contra-relógios – um por equipas de 17 km, um individual longo de 54 km e uma crono-escalada de 20 km. Para além de Wiggins e Nibali, que encabeçam as duas equipas mais fortes presentes em prova (com alguma vantagem para a Sky que traz gente da craveira de Henao, Urán, Sivtsov e Cataldo…), o restante lote de favoritos conta com vários homens que sabem o que é vencer – nem que seja na secretaria – uma prova por etapas de três semanas como o campeão do Giro em título Ryder Hesjedal (Garmin), Michele Scarponi (Lampre), Cadel Evans (BMC), Danilo Di Luca (Vini Fantini) e Juan Cobo (Movistar), e ainda com corredores fortes com grandes ambições como Samuel Sanchez (Euskaltel) e Robert Gesink (Blanco). Entre os trepadores que podem dar espetáculo podemos contar com Domenico Pozzovivo (AG2R), Mauro Santambrogio (Vini Fantini), Franco Pellizotti (Androni), Stefano Pirazzi (Bardiani), Fabio Duarte e Darwin Atapuma (Colombia), Robert Kiserlovski e Tiago Machado (Radioshack) ou Rafa Majka (Saxo Tinkoff).

Assim alinhamos o grau de favoritismo dos candidatos à vitória:
***** Bradley Wiggins
**** Ryder Hesjedal, Vincenzo Nibali
*** Cadel Evans, Samuel Sanchez, Robert Gesink, Michele Scarponi
** Robert Kiserlovski, Henao, Urán, Mauro Santambrogio, Juan Cobo

Quanto aos portugueses, alinharão à partida Tiago Machado e Nélson Oliveira (Radioshack), Bruno Pires (Saxo Tinkoff) e Ricardo Mestre (Euskaltel). À partida Tiago Machado terá um papel livre embora Kiserlovski seja dado como o líder da Radioshack, faltando perceber se o corredor de Famalicão terá como objetivo principal a classificação geral (Top 20 é possível mesmo com a qualidade presente este ano) ou a conquista de etapas. Já Nélson Oliveira, para além do normal trabalho para o seu líder, apontará o CRI como seu principal objetivo. Bruno Pires também trabalhará para Majka mas é possível que lhe seja permitida a presença em alguma fuga. Ainda, poderemos finalmente ver Ricardo Mestre, o vencedor da Volta a Portugal 2011, numa prova a este nível, mas de todos os portugueses em prova, o algarvio será o que tem o líder mais forte, um candidato óbvio ao pódio, e poderá ter de esgotar o seu esforço no trabalho para Samuel Sanchez. Dando continuidade à imprevisibilidade que tem sido esta época, que grande surpresa nos poderá trazer o Giro d’Italia 2013? Será uma luta a dois entre Wiggins e Nibali, Ryder Hesjedal irá defender a camisola ou teremos (como é apanágio no Giro) um vencedor surpresa? Que estratégia poderia por em causa a força da Sky (a equipa parece ser demasiado forte, aliás até pode colocar 4 corredores no Top10 final)? Qual o seu prognóstico para a camisola por pontos e para a camisola da montanha? Que poderão fazer os portugueses em prova?

PS - Está disponível em www.velogames.com, uma espécie de Fantasy League do ciclismo, uma mini-liga do Visão de Mercado para este Giro d’Italia. O objetivo é recolher o maior número de pontos com os 9 elementos escolhidos dentro do orçamento. Para tal, há que tentar adivinhar quem estará bem nas classificações à geral, por pontos e da montanha, tanto como presumíveis vencedores de etapas. Os dados da liga são: League Name: Visão de Mercado; League Code: 01134651

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Luís Oliveira

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