O Estranho Caso de Robert Di Matteo

Di Matteo foi um jogador de classe média alta, tendo tido passagens pela Lázio (3 épocas), afirmando-se sobretudo no Chelsea, onde permaneceu durante 6 épocas. Foi internacional mais de três dezenas de vezes, ganhando vários títulos oficiais, talvez os mais importantes a Taça das Taças em 97/98 e a Supertaça subsequente. A sua primeira experiência enquanto treinador foi no MK Dons, na época de 2008/2009. A equipa britânica tinha ascendido à Division One de Inglaterra nesse ano. Os objectivos eram, naturalmente a permanência e a estabilização daquele emblema na Terceira Divisão do Campeonato Inglês. Robert Di Matteo, faz 87 pontos, fica em terceiro lugar a dois pontos do segundo. Uma época de estreia estonteante. Tal registo valeu-lhe a promoção para o West Bromwich de Inglaterra, então militante na Championship, a segunda divisão inglesa. Época de Estreia: 91 pontos e promoção para a Premier. Fantástico. Ano seguinte, o West Brom, consegue um campeonato muito seguro na Premier, e um 11º Lugar, bem a meio da tabela. Aceitou o convite de ser treinador adjunto do Chelsea e depois chega a treinador principal do Chelsea nas condições que todos conhecem.

Vira uma eliminatória “impossível” com o Nápoles, no jogo que terá sido o melhor da sua carreira. Quantas vezes assistimos a reviravoltas daquelas? Depois disso, elimina o Benfica, talvez na eliminatória mais complicada nesse trajecto, deixa para trás o favoritíssimo Barcelona e vai a Munique, vencer uma Champions contra a equipa da casa. Melhor na Champions era quase impossível. Junta a isso uma subida consistente no campeonato e ainda uma vitória na Taça de Inglaterra, isto quando a equipa estava absolutamente destruída. Foi uma época inacreditável, épica. Parecia um filme. Algo que dificilmente vamos voltar a assistir. Inacreditavelmente é despedido após um início tremido, não tão tremido como foi o de Vilas Boas e melhor que o registo de Rafa Benitez. O que é que faz com que uma direcção despeça um homem da casa, que tinha dado ao Chelsea o ambicionado título europeu após anos e anos de investimentos milionários e da contratação de toda a panóplia de treinadores de topo possível (Mourinho, Hiddink…)? Depois, não só não ganha a o título de melhor treinador (Guardiola ganhou o prémio de 2011 – Ganhou Champions, Mourinho 2010 – Ganhou Champions) do mundo, algo que me surpreendeu, como nem sequer é nomeado nos três primeiros ficando atrás de, por exemplo, Guardiola que não ganhou absolutamente nada e esteve parado 6 meses? Um treinador que pega, repito, na equipa num estado miserável, dá a volta por cima, ganha uma Champions dificílima (Nápoles a virar uma eliminatória impossível e três campeões europeus, dois deles que estão hoje, indiscutivelmente nas três melhores equipas do mundo) e ainda uma Taça de Inglaterra e não está nos três melhores?

E agora, após o despedimento, que razões estarão para o seu nome não ser sequer ventilado para uma equipa de topo? Di Matteo tem ganho sempre por onde tem passado. De forma brilhante eu diria. Nem sempre com o futebol mais bonito, também é verdade. Mas não é tudo isto demasiado estranho? Qual é a vossa leitura?

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Tiago Mendonça

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