O que seria do futebol e do desporto em geral sem público nas bancadas? Podemos mesmo dizer que sem público nada faria sentido, eles são parte da essência do desporto. Como tal, o VM decidiu dar início a uma viagem pelo Mundo, onde as referências serão os adeptos. Sem violência, sem pirotecnia ou outros engenhos não autorizados a entrar em recintos desportivos, somente...os adeptos.
A viagem começa na cidade argentina de Buenos Aires, mais propriamente nos fantásticos "hinchas" do San Lorenzo. Clube fundado em 1908, no bairro de Almagro (durante muito tempo localizou-se no bairro de Boedo, com o qual também se encontra bastante identificado, encontrando-se actualmente no bairro de Flores), apresenta como títulos mais importantes uma Taça Mercosul em 2001, uma Taça Sul Americana em 2002, bem como 1 Torneio Abertura, 4 Clausura, aliados a sete títulos da primeira divisão argentina (nem sempre o campeonato foi divido em Abertura e Clausura). Actua no Estádio Pedro Bidegaín (Nuevo Gasometro), com capacidade para cerca de 45000 espectadores. Num plantel comandado por Juan Antonio Pizzi (ex-FC Porto), os elementos mais conhecidos para o público português serão Leandro Romagnoli, Luis Aguiar ou Franco Jara. No entanto, o que mais salta à vista, são de facto, os seus adeptos. Conhecidos como "Los Cuervos", a claque organizada tem o nome de "La Gloriosa Butteler". Famosos pelos seus incríveis cânticos de apoio à sua equipa, merecem destaque o "Soy de San Lorenzo si señor", "Vengo del Barrio de Boedo" e a fantástica "Dicen que estamos todos de la cabeza". Campeões fora dos relvados, estarão eles de facto "loucos da cabeça?" Na visão do leitor, o que os diferencia, acima de tudo, dos adeptos mais comuns? A festa nas bancadas e fora delas, com a presença de elementos de ambos os sexos e das mais variadas faixas etárias, é aquilo que o desporto precisa? Que outros aficionados podem também, na sua opinião, fazer parte de um lote restrito no desporto mundial?
A. Carvalho
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