A Colômbia é a nova campeã sul-americana de sub-20. Os "Cafeteros" precisavam de uma vitória sobre o Paraguai e conseguiram-na (2-1), celebrando o título pela terceira vez. Para o Mundial, que se realizará na Turquia ainda neste ano (que terá a presença de Portugal), apuraram-se os "finalistas", mais o Chile e o Uruguai. Um triunfo justo, da equipa mais talentosa e que demonstrou maior regularidade.
Quanto a nós, o melhor jogador da competição foi Juan Quintero, o "novo James Rodríguez", jogador que tem tudo para vingar. As semelhanças são muitas, mas o médio do Pescara joga assumidamente na zona central. Com um pé esquerdo delicioso, o colombiano tem uma visão de jogo notável e uma capacidade de passe soberba. Foi o melhor marcador da competição (juntamente com N.López e Y.Reyna) e fez várias assistências (só num jogo fez 4!). Tem um potencial tremendo e está a ser cobiçado por todos os grandes italianos, pelo que será difícil a sua vinda para Portugal (mas quem sabe, seria um investimento seguro). Os colombianos têm mais uma geração muito interessante, onde se pode destacar o guarda-redes Bonilla, o central Vergara (forte fisicamente e antecipa bem), os médio Nieto e Leudo e o ponta de lança Córdoba (está no Jaguares e tem 1,88, pode fazer um percurso semelhante a Jackson). Em relação ao Paraguai, um conjunto que vale mais pelo colectivo (falta Mauro Caballero, provavelmente o grande talento), o maior destaque individual acabou por ser Rojas, médio com muita disponibilidade para o jogo (também pode jogar na ala) que foi recentemente associado ao Benfica. O avançado dos encarnados Derlis teve uma excelente prestação, apontando 4 golos. O guarda-redes Diego Morel, o central Diego Gómez (bom sentido posicional) e o lateral esquerdo Balbuena (passada larga e facilidade em fazer todo o corredor, também bate bolas paradas) foram outros destaques.
O Chile é uma equipa que esteve muito bem também. Um dos jogadores que mais nos agradou foi Nicolás Castillo. Muito completo, a facilidade que tem na finalização é incrível, bastando olhar para os seus golos (um de cabeça, um de livre, um de pé direito...) para se perceber isso. Os centrais Lichnovsky e Huerta estiveram em bom plano, mas quem mais brilhou foi o ala Bryan Rabello, que já joga no Sevilha e apresenta recursos técnicos para dar nas vistas na Europa. Cuevas, médio de 17 anos praticamente desconhecido foi uma das revelações. Diego Rubio formou uma dupla interessante com Castillo (jogou nas costas) e marcou 2 golos. Quem tem crescido muito nos últimos anos é o Peru, que há uns anos era saco de pancada e desta feita ficou a um passo do mundial. Yordy Reyna, avançado móvel com grande sentido de baliza, foi a principal figura, mas Benavente (craque do Real Madrid, visão de jogo e último passe), Guarderas e Edison Flores, médio esquerdino, mostraram potencial, enquanto Andy Polo desiludiu um pouco. O Uruguai teve em Nicolás López (já está na Roma) a sua principal figura. Típico avançado sul-americano, agressivo, habilidoso explora bem as costas e tem instinto na hora de finalizar. Diexo Laxalt (mais um associado ao Benfica) é outro craque, esquerdino, desequilibra e define com qualidade. O lateral direito Varela e o médio Cristóforo também merecem ser mencionados. Falando noutros jogadores, Cuero e Cevallos (foi para a Juventus, pode jogar a 10 ou a ponta de lança) do Equador, e Josef Martínez da Venezuela (estilo Arango) podem ser nomes interessantes para o futuro.
O torneio fica marcado pela incapacidade da anfitriã Argentina e do campeão do mundo Brasil. As duas potências da zona sul-americana apresentam gerações muito pobres, o que juntamente com o crescimento visível em selecções como o Peru, a Venezuela ou o Equador (há alguns anos eram sacos de pancada), acabou por resultar em prestações banais. Começando pelo país das Pampas, uma organização colectiva muito fraca, onde o grande destaque individual foi
Luciano Vietto, ponta de lança do Racing Avellaneda. Outros elementos bastante promissores como Ricardo Centurión, Manuel Lanzini, Alan Ruiz e o próprio Iturbe tiveram um desempenho bem abaixo do seu potencial. Em relação aos canarinhos, faltou alguém que assumisse a construção de jogo na zona central (Piazón ficou de fora, Rafinha foi pouco utilizado), pois Matheus (contratado pela Juventus) e Felipe Anderson não tiveram essa capacidade. Wallace esteve discreto, Adryan não conseguiu mostrar o talento que evidenciou no último Mundial Sub-17 e Ademilson ficou em branco. Marquinhos, da Roma, mostrou capacidade de desequilibrar mas pouca objectividade.
Triunfo justo da Colômbia? Que jogadores se destacaram? Como avalia a prestação dos "portugueses"? Como se explica a péssima prestação de Argentina e Brasil (ou será que os adversários é que estão mais fortes)? Que jogadores podem chegar a Portugal num futuro próximo (alguns já foram sondados pelos "grandes")? Em relação ao Mundial, quais as aspirações da nossa selecção?