Podia ter sido Vítor Pereira, Jorge Jesus, Nuno Espírito Santo ou Paulo Fonseca, mas era impossível ignorar o enorme trabalho que Rui Vitória tem feito ao serviço do Guimarães.
Passou por uma mudança directiva, debateu-se com uma enorme redução em termos de orçamento, viu sair os melhores jogadores (no Verão, já neste defeso de Inverno e ainda perdeu alguns para a CAN), mas soube contrariar a lógica (esperava-se que o Vitória com um elenco inexperiente e limitado tivesse enormes dificuldades para se manter na I Liga, inclusive que fosse várias vezes goleado), nunca baixou os braços, fez dos obstáculos oportunidades, lançou vários jovens, e neste momento é o principal rosto da época tranquila dos vimaranenses: 6º lugar e meias-finais da Taça de Portugal. Um trajecto notável, que independentemente do que se passar até final do campeonato, não pode ser ignorado, e que fez dele o grande destaque da Liga Zon-Sagres, em termos de comando técnico, nesta 1ª volta, para o Visão de Mercado. Uma distinção, que ao mesmo tempo, é um reconhecimento e uma chamada de atenção. No futuro, praticamente todos os clubes nacionais (caso queiram sobreviver) vão ter de passar por uma revolução semelhante à do Guimarães: poupar, contratar pouco e apostar na formação e em jogadores nacionais. Esta época dos vimaranenses pode servir de exemplo nesse sentido, para já, os resultados estão à vista, não só para o clube como para o futebol português com a afirmação de elementos como Paulo Oliveira (excelente central), Tiago Rodrigues (médio que tem ganho o seu espaço), Ricardo (passou pela Academia de Alcochete e apesar de esta ser a sua 1ª época de sénior tem sido um dos indiscutíveis), Marco Matias e Baldé (ambos foram importantes nos juniores dos Sporting, deram mesmo títulos aos leões e agora estão a ter uma oportunidade na I Liga), que noutro contexto, podiam continuar perdidos no banco, bancada ou em clubes de escalões inferiores.
Sendo igualmente evidente que não se pode tirar o mérito ao bom trajecto de Jorge Jesus e Vítor Pereira, lideram a Liga e estão praticamente ao mesmo nível (o Benfica ainda está na Taça de Portugal, mas o Porto teve melhor percurso nas competições europeias e uma 1ª volta com jogos mais complicados) contudo apenas tem dado expressão à força dos super-orçamentos de águias e dragões (as individualidades praticamente tem vencido os jogos), e de Nuno e Fonseca, estão a protagonizar uma época muito interessante não só pelo sucesso no campeonato como pela prestação nas Taças (no entanto, um foi contemplado com vários jogadores de nível, o outro aproveitou uma boa base da época passada). A verdade é que o grau de dificuldade a que estão sujeitos é manifestamente inferior aquele com que Rui Vitória se tem deparado. Qual o Top3 dos melhores treinadores da 1ª volta na Liga Zon-Sagres?
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