Foi um clássico intenso, bem disputado, nem sempre bem jogado, mas com muita ambição demonstrada pelos dois técnicos. Todos parecem ignorar que foi um dos melhores duelos dos últimos tempos entre os dois rivais, concentrando as atenções apenas no trabalho da equipa de arbitragem. O Porto levou a melhor sobre o Benfica (o contrário poderia igualmente ter acontecido) e ganha agora vantagem no campeonato, depois de uma fase em que os encarnados eram considerados os "campeões antecipados". Um jogo com duas reviravoltas, bons golos, que deixa uma excelente imagem do futebol português.
Jorge Jesus - Não colocamos em causa o valor do técnico encarnado, no passado já demonstrou a sua qualidade técnica. Mas, o que é certo, é que pelo segundo ano consecutivo, a equipa do Benfica vacila nos momentos cruciais. Ontem, além da má entrada no encontro (em todos os jogos do campeonato no Estádio da Luz, as águias sofreram golos, excepto contra o Sporting), revelou igualmente alguma inércia no capítulo das substituições. E a verdade é que um líder que não lida da melhor forma com a pressão, seja pelo excesso de confiança que demonstra seja pela instabilidade emocional que o afecta no banco de suplentes, e isso passa para o relvado.
Considerando que nos últimos 15 anos o Benfica só venceu 2 campeonatos, o lugar de JJ está em risco, caso o clube da Luz não chegue ao título esta época?
Artur - Quando não podia falhar, o brasileiro falhou. Uma época que tem sido quase perfeita, fica manchada por uma exibição menos conseguida, no jogo mais importante da temporada. No primeiro golo, podia claramente ter feito melhor. E no cabeceamento de Maicon, fez relembrar um espanhol que actuou na Luz no último ano.
Lembram-se dele?
Emerson - Claramente o jogador mais fraco do plantel do Benfica. Contra equipas com menos valor em termos individuais, o brasileiro consegue disfarçar as suas lacunas. Como seria de esperar, frente a conjuntos mais fortes, é facilmente batido pelo seu adversário directo, neste caso Hulk. Ficou a ver o Incrível no primeiro golo, vendo depois 2 amarelos em apenas 15 minutos (a verdade é que não se pode dizer que o ex-jogador do Lille tenha feito pior que Fábio Coentrão nos duelos com o Porto, já que no passado o actual lateral do Real nunca conseguiu segurar o brasileiro, e devido às suas limitações era protegido por Jesus que optava por colocar Peixoto ou David Luiz nessa posição), custando a derrota à sua equipa (ou pelo menos a tentativa de vencer). Em abono da verdade, as alternativas também não são de qualidade. Capdevilla está em pré-reforma e Luís Martins tem ainda muito que crescer.
Mas a que se deve esta teimosia de Jesus?
Gaitán - Consideramos o argentino o melhor jogador do plantel do Benfica. Em termos técnicos. Porque a nível táctico, é de longe o jogador menos evoluído e responsável às ordens de Jesus. Tem feito uma época muito fraca. Ontem, a sua exibição não foi melhor. Muitas perdas de bola e decisões erradas. Numa delas, a mais grave, Gaitán errou um passe num contra ataque de 3 para 1 que poderia ter resultado no 3-1 para os encarnados. Na resposta, o Porto empatou. Foi o momento do clássico. E do campeonato, talvez.
A que se deve esta "queda" de Gaitán?
Garay/James - O argentino, que jogou os 90 minutos na vitória da sua selecção sobre a Suíça, foi o mais prejudicado pelos compromissos das selecções a meio da semana. Não que tenha jogado mal, antes pelo contrário. Mas não teve pernas para aguentar o jogo completo, que foi disputado a um ritmo elevado. Provavelmente, o Benfica também não vai poder contar com ele na recepção ao Zenit. Uma baixa de peso.
Não poderia o Benfica ter negociado a utilização de Garay com a federação Argentina (como fez no caso Cardozo)? Por outro lado, contrariando todas as probabilidades, o colombiano foi a estrela maior do clássico. "El Bandido" chegou apenas no dia do encontro, não foi titular, entrando para resolver, com um golo e uma assistência, uma partida em que os dragões estavam em desvantagem. Confirmou o seu excelente momento de forma e todo o seu talento.
Rúben Amorim - A razão do seu empréstimo ao Braga, neste momento um concorrente directo do Benfica na luta pelo título, permanecerá desconhecida. Os encarnados ficaram apenas com Javi, Witsel e Matic para o meio campo. Um internacional português, de qualidade, que podia permitir uma maior gestão do plantel numa fase adiantada da época, fez falta. Até porque se com a lesão de Aimar, tivesse entrado Amorim em vez de Rodrigo, talvez a vitória não tivesse fugido à equipa de Jorge Jesus...
Faz sentido este empréstimo a um concorrente directo? Será que o Benfica não contava com o Braga na luta pelo título? Depois de todas as polémicas entre os 2 clubes nos últimos 3 anos, como se explica esta cedência?