As esperanças lusas nos JO'2016: Pimenta, Bragança, Telma, Futebol, Rui Costa e perceber que alguns top 8 já são excelentes resultados

O máximo que Portugal conseguiu numa edição dos JO foram 3 medalhas. É desta que supera esse patamar?

Três séculos depois os portugueses partem novamente à conquista do ouro no Brasil. A versão moderna dos Bandeirantes é composta por um conjunto de atletas com diferentes ambições, sendo que para alguns deles a própria presença é o prémio de quatro anos, que na realidade são mais, de esforço e dedicação. Para outros, é legítimo aspirar a um resultado de relevo, que pode passar pelo ambicionado pódio, ou pelo menos pela obtenção de um Diploma, algo que tendemos a desprezar enquanto adeptos exigentes, mas que é sinal de excelência desportiva.

Regressando às medalhas, é preciso colocar as coisas em perspectiva: Portugal está longe de ser uma potência olímpica. Em 23 participações, o pecúlio é de 23 medalhas, com 4 de ouro. A média é simples de obter, considerando ainda que o máximo obtido numa edição foi de 3 medalhas. Ou seja, qualquer resultado entre zero ou três está perfeitamente dentro das expectativas.

Mesmo sem possuir candidatos putativos ao título máximo, existe um grupo que claramente pretende fazer mais que meramente desfrutar o momento. O Professor Marcelo certamente que os terá sob atenção, não vá precisar de decorar os seus nomes quando os condecorar. São as esperanças lusitanas. Convém no entanto, antes de criticar as desilusões, considerar a especificidade de cada modalidade, pois nalgumas delas o trabalho de anos resume-se a meros segundos, e margem de erro é inexistente. Se os jogadores de futebol se queixam dos erros cometidos durante uma extensa partida de hora e meia, que dizer daqueles que participam numa corrida que dura menos de 10 segundos ou que fazem uma série de saltos num trampolim, que se quer perfeita?

Os principais candidatos a darem medalhas a Portugal (sendo que em alguns casos ficar no top 8 já será uma prestação excepcional):
Canoagem
Fernando Pimenta será de entre toda a comitiva, o maior favorito ao pódio. A resposta nos mundiais de Moscovo não podia ter sido melhor, e tem a vantagem de ser um repetente na luta pelas medalhas. O K4, do qual também faz parte, tem também aspirações a, no mínimo, estar presente na final. A gestão de esforço vai ter um papel preponderante no desempenho do canoísta de Ponte de Lima.

Atletismo
A ausência russa abre portas a bons resultados no sector feminino, tanto na marcha como na maratona. Sara Moreira e Jéssica Augusto tiveram um bom teste nos Europeus, e lutarão pelo top-8, ainda que não sejam favoritas comparativamente às africanas. Ana Cabecinha pode fazer melhor que o 4.º posto nos Mundiais de 2015, mesmo considerando que entre desgaste e arbitragem, a marcha acaba por ser algo aleatória. No triplo-salto, Nelson Évora tem desiludido em 2016, e uma presença na final seria já bom considerando as marcas obtidas este ano, numa prova que deve servir de despique entre norte-americanos e cubanos. Já Patrícia Mamona também é candidata ao Diploma, mas o contingente não-europeu deve preencher o pódio.

Ciclismo
Rui Costa é sempre um nome a considerar em provas de um dia, embora nem a sua capacidade táctica esteja acima da imprevisibilidade de uma corrida deste tipo. Nelson Oliveira deixou bons apontamentos no crono do último Tour, não sendo portanto descabido que possa figurar nos oito primeiros.

Futebol
O esqueleto dos vice-campeões de sub-21 dava a entender uma esquadra poderosa para atacar o Ouro, mas na hora da verdade Rui Jorge ficou apenas com um grupo feito de remendos e uma enorme conta de telemóvel. Mesmo assim, um país com a tradição no futebol que Portugal tem pode sempre sonhar.

Judo
Cinco vezes campeã europeia, Telma Monteiro tem ficado sempre aquém nas anteriores participações. Recuperada de uma operação, a judoca espera nesta sua quarta participação, obter uma classificação condizente com o seu valor. Se estiver em forma e mentalmente forte, o que nem sempre é o caso, uma medalha é possível.

Vela
Os veteranos Gustavo Lima e João Rodrigues têm carreiras impressionantes, mas dificilmente lutarão pelos lugares cimeiros. Mesmo assim, a experiência conta muito em provas de regatas, cujas condições estão por apurar, pelo que podem surpreender.

Tiro
A participar nas suas quintas olimpíadas, o militar João Costa continua a ser o padrão no que respeita à modalidade no país. Em Londres foi 7.º (P10m) e 9.º (P50m), as recentes prestações em Taças do Mundo e Europeus mostram que pode repetir a façanha.

Ténis de Mesa
O quinto lugar por equipas em Londres deixou água na boca, mas a verdade é que a equipa portuguesa vai precisar de um sorteio que a afaste das potências asiáticas em fases precoces da competição. Individualmente, é complicado pensar em brilharetes.

Taekwondo
Desconhecido do grande público, Rui Bragança, o número quatro do ranking mundial, tem uma palavra a dizer na categoria de -58Kg. No currículo, prata nuns Mundiais e ouro nuns Europeus.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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