Vai ser contra a "besta-negra"; Griezmann colocou a França na final; Lloris também esteve em destaque; Alemanha foi superior mas penalti deitou tudo a perder

Alemanha 0-2 França (Griezmann 45'+ 2 g.p. e 72')

A França juntou-se a Portugal na final do Euro'2016. O conjunto gaulês, uma espécie de "besta negra" para a selecção nacional (derrotas em 1984, 2000 e 2006, sempre nas meias-finais, que nos impediram de chegar ao Ouro), fruto de um penalti cometido por Schweinsteiger desbloqueou uma meia-final em que a Alemanha foi claramente superior no 1.º tempo mas fruto de 2 erros acabou por deitar tudo a perder. Griezmann bisou e consolidou o estatuto de melhor marcador do torneio, com 6 golos; Lloris disse presente com várias defesas de alto nível; Antifriões apresentaram menos qualidade (é tudo muito à base de correrias) mas souberam aproveitar os erros da campeã mundial. Já a 'Mannschaft', que na 1.ª parte exibiu do melhor futebol que se viu no torneio, vai ficar a lamentar mais um penalti "desnecessário" (Boateng tinha feito um igual frente à Itália) e igualmente a ineficácia (vários lances e remates perigosos, mas pouco acerto).

No que respeita ao duelo, o início foi vivo e intenso, mas com a França a entrar melhor e a dispor de uma boa oportunidade para inaugurar o marcador - Neuer opôs-se muito bem ao remate de pé direito de Griezmann (após boa tabela). A Alemanha reagiu, equilibrando a partida, e Muller deu o primeiro aviso com um remate ao lado, depois de uma bela jogada de envolvimento. A partir daí, a formação germânica passou a controlar o jogo, jogando sobre o meio campo adversário e tendo uma circulação de bola fluída, conseguindo ainda uma pressão bastante efectiva, que anulava as fortes transições rápidas dos franceses. Emre Can teve uma excelente ocasião para marcar num remate à entrada da área, mas Lloris evitou o golo com uma grande intervenção, tendo depois o guarda-redes francês também negado o golo a Schweinsteiger num remate de longe. Já perto do intervalo, os anfitriões dispuseram de dois lances perigosos, com Griezmann a rematar à malha lateral e depois Giroud a não aproveitar um contra-ataque em que podia ficar isolado (muita lentidão), permitindo um excelente corte a Höwedes. Quando já pouco se esperava (nos últimos momentos do período de descontos), a França dispôs de uma grande penalidade por mão de Schweinsteiger, com Griezmann a não perdoar da marca dos 11 metros e a levar a sua equipa em vantagem para o descanso. Na segunda parte a França voltou a entrar melhor, mas tal como tinha acontecido na primeira, a Mannschaft equilibrou. No entanto, a turma da casa desta vez estava mais assertiva no plano defensivo, criando dificuldades aos alemães para impor o seu jogo. As oportunidades escasseavam, mas ao minuto 72 surgiu o segundo golo francês após erro de Kimmich, que perdeu a bola em zona proibida, com Neuer depois a não conseguir desfazer (podia ter feito melhor) o cruzamento de Pogba (depois de uma grande finta), sobrando a bola para Griezmann, que só teve de empurrar para o fundo da baliza. Na resposta, Kimmich esteve perto de se redimir, mas o seu remate de pé esquerdo encontrou o poste. A pressão alemã intensificou-se e, já depois de um livre de Draxler passar perto da baliza, foi a vez de Sané e Mustafi não conseguirem finalizar da melhor maneira em dois lances de bola parada. Höwedes ainda teve um cabeceamento perigoso, assim como Griezmann, que rematou à figura após um contra-ataque. A França passou a gerir melhor a bola, mas a Alemanha ainda teve oportunidades para reduzir já em período de descontos, com Lloris a fazer uma defesa fantástica a cabeceamento de Kimmich e depois com Gotze a cabecear para fora quando estava sozinho. No entanto o resultado manteve-se, com a França a marcar encontro com Portugal na grande final.

Alemanha - Sai do euro com 3 golos sofridos, todos eles na sequência de erros individuais, mas com uma identidade bem definida e com, provavelmente, o melhor futebol da competição. A primeira parte da Mannschaft foi do melhor que se viu no europeu, alicerçada num futebol de posse, cerebral, sem recorrer por vezes à situação mais rápida para chegar à baliza, mas antes à mais segura. Muito do jogo ofensivo da equipa passou pelo lado direito - Kimmich conseguiu várias vezes situações para se envolver com espaço - com Payet a não dar o devido apoio defensivo. Nos segundo tempo essa superioridade não foi tão evidente, mostrando uma selecção abatida e sem a mesma frieza para colocar o seu jogo posicional em campo. A contribuir para isso esteve também a decisão de Low após a lesão de Boateng, onde se pedia uma aposta mais arrojada, provavelmente com o recuo de Can (que passado 6 minutos foi substituído) para central e a aposta numa unidade mais ofensiva. Individualmente, fica (mais uma) má exibição de Muller (uma prova para esquecer), o erro individual de Neuer que apaga algumas intervenções de grande nível e a ausência de Draxler nos desequilíbrios. Pelo contrário, Ozil e Kroos, os dois médios, remaram contra a maré e exibiram-se a bom nível, com acerto no passe e a conseguirem bater adversários através do drible. Até final do jogo ficou ainda uma avalanche alemã que, apenas por milagre, não deu em golo (faltou um homem golo, algo que depois da lesão de Goméz se tornou mais claro)

França - A antítese do adversário: velocidade, potência, verticalidade e a procura constante pela dupla Griezmann-Giroud. Primeira parte com um bloco super baixo, sem posse, constantemente na luta pelo fecho de espaços e pelas transições rápidas. Esse estilo bem definido em 3 médios de transição (não que não possam fazer um jogo de posse, mas, pelas suas características, adaptam-se melhor ao jogo de espaços) deu resultado, também por mérito de Lloris, sendo recompensado pelo golo a fechar os primeiros 45 minutos. No segundo tempo, entrada forte dos Gauleses (mais agressivos e adiantados no terreno) com a qual o adversário não soube lidar e que foi suficiente para acabar com o jogo. Individualmente, destaque para Griezmann (melhor marcador da competição, explorando todo o seu jogo ao penetrar por terrenos centrais, podendo aparecer nas zonas onde é letal), Lloris (decisivo e a ganhar o duelo a Neuer), Koscielny (bastante concentrado e a ser decisivo em várias intercepções) e, de certa forma, para Pogba que, num jogo bastante apagado, conseguiu desequilibrar por completo Mustafi no lance do 2.º golo.

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