Um outsider com resultados ao nível de uma potência

A selecção nacional AA de futebol de Portugal nunca conquistou nenhum dos principais títulos que regularmente disputa, ou seja, nunca venceu nem um Europeu nem um Mundial. Se juntarmos a este dado o facto de já terem conquistado o campeonato da Europa países que estão longe do estatuto de super-potência como Dinamarca ou Grécia, poderíamos chegar à conclusão de que estamos perante um país longe do topo do panorama do desporto-rei no Velho Continente. Mas o mundo raras vezes se apresenta desta forma tão linear, tão a preto e branco, e portanto é necessário uma análise mais detalhada para aferir com maior precisão a dimensão competitiva da formação das quinas.

Nas primeiras décadas da história do futebol, Portugal era um país bastante frágil. O fecho imposto por uma ditadura anacrónica (que ao contrário de outras não incentivou o desporto como forma de projecção nacional) ou as dificuldades económicas de um país na cauda da Europa levaram a resultados bastante fracos. Com efeito, até à revolução de 25 de Abril de 1974 o 3.º lugar do Mundial'1966 era uma autêntica miragem num deserto de ausências nas principais competições. No entanto, com a chegada da democracia, muitas coisas mudaram, e o futebol lusitano foi, pouco e pouco, dando sinais de crescimento a nível de selecção, num processo que culminou na revolução de Queiróz na FPF, nos dois títulos mundiais de Juniores e na "geração de Ouro", que, definitivamente, colocou a seleção portuguesa entre as melhores da Europa. Esta subida de estatuto não teve um recuou com a retirada de Figo, Rui Costa e companhia, com as gerações vindouras, encabeçadas por Cristiano Ronaldo, a manterem a tendência de grandes prestações no panorama continental, sendo já 4 as meias-finais alcançadas nas últimas 5 participações em Europeus (desde 2000 apenas em 2008 Portugal ficou fora dos 4 melhores), com uma final pelo meio e a possibilidade de esta quarta-feira chegar a outra final (curiosamente, em Mundiais o cenário é bem diferente, com a prestação de 2006 a contrastar com os fracassos de 2014 e 2002, sendo que mesmo em 2010 a participação não foi brilhante).

Portugal não é uma super-potência do futebol. Não tem a história ou o poderio de Alemanha, Itália, Espanha, falando apenas de países do seu Continente. Mas é inegável o crescimento dos últimos 25 anos, com destaque especial para os últimos 16. Ao futebol luso e à sua selecção parece faltar um rumo mais bem definido, uma linha de actuação claramente traçada que indique o caminho a seguir (há sempre uma grande dependência do talento que surge de "geração espontânea ou da própria sorte), mas esses pecados nacionais (basta ver como se fazem as coisas na Alemanha para entender que há milhas de distância a nível de organização e planeamento de todo o futebol) não têm impedido que a selecção portuguesa venha estando, de forma regular, na 1ª linha do futebol Europeu, como o prova a regularidade com que está nos 4 melhores da mais importante prova de nações da UEFA.

Pedro Barata

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