Um "fenómeno" que contraria o futebol actual

O futebol está progredir de maneira a tornar o golo cada vez mais difícil, a evolução do jogo tem sido feita em paralelo com uma maior competência ao nível da organização defensiva. A evolução do treino e o maior conhecimento dos técnicos sobre o Jogo vai tornando as partidas mais equilibradas e as vitórias mais difíceis, mesmo para quem tem melhores jogadores. O Euro 2016 tem sido paradigmático disto, vemos grandes equipas que em organização ofensiva dificilmente “perfuram” por dentro dos blocos adversários. Andam à volta, rodam o jogo e muitas das vezes é ver as jogadas a acabar em cruzamentos ou passes longos pouco criteriosos por impossibilidade de lá chegar de outra maneira.

Perante a “mecanização” e previsibilidade do jogo, festejemos quando aparece aquele jogador que rompe, que cria, que rasga, que pensa para lá do óbvio, que “perfura” por dentro desses organizados e difíceis blocos defensivos. E falar desse jogador, hoje, é falar de Renato Júnior Luz Sanches.

Desde os 9 anos que sabe o que é ser estrela num Grande Clube e de forma natural assumir as rédeas do jogo da equipa, e isso espanta neste rapaz, a naturalidade como assume e transborda confiança em tudo o que faz dentro de um campo de futebol, seja na condução desenfreada do contra-ataque com que “arrumámos” os croatas, no golo de fora da área aos Polacos em que apetece citar a feliz descrição da Jornalista Mariana Cabral sobre o momento em que “o puto de 18 anos mandava o futebol às malvas e decidia jogar à bola (contrariando a organização mais paciente que o mister tanto aprecia), acelerando o jogo e procurando atacar a baliza - como fez no golo” ou na desfaçatez de assumir o 2.º penalty “O míster perguntou quem queria bater. Primeiro, o Ronaldo disse que batia e eu disse que batia o segundo”. E quando o miúdo de 18 anos se encaminhou para o penalty, não duvidámos, porque se há coisa que este rapaz faz é não se deixar intimidar com o contexto e a responsabilidade do momento como bem explica “A coisa que me passava pela cabeça era o golo. Estava calmo, tranquilo. Fui para a bola e fiz aquilo que faço num treino: escolho um lado e meto na baliza!".

O Futebol reclama por Renato's, e felizmente que este é “nosso”. Somos um País com pouco mais de 10 Milhões de habitantes, onde o PIB e a força financeira não se equiparam a outras potências, mas ainda assim a História recente de resultados do nosso Futebol nos últimos 20 anos é incrível. Foi a Geração de Ouro, a Geração de Ronaldo, e quem sabe se não podemos estar perante o nascimento de uma futura Geração de Renato igualmente vencedora e proporcionadora de momentos felizes.

A Formação de jogadores em Portugal sofre de muitos problemas, ainda estamos longe de formar dentro de um modelo de jogo e de uma mentalidade próxima do que fazem os melhores (Alemanha ou Espanha), mas o talento continua a aparecer e exultemos com a afirmação do “puto” Renato Sanches.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Rúben Pinheiro

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