Um exemplo para todos

"A Fonte do sucesso foi o trabalho e o acreditar nas suas capacidades"

Após a histórica batalha de Saint-Denis, 23 nomes ficaram nas nossas memórias, assumindo-se como verdadeiros heróis, de um povo que há muito ansiava por tamanha conquista.

Onze destes 23 jogadores estrearam-se pela primeira vez numa grande competição de seleções, sendo que um deles fez essa estreia com mais de 30 anos, José Fonte. Longe dos radares da Federação Portuguesa de Futebol, o mais velho dos irmãos Fonte, fez uma travessia no deserto até rumar ao lugar onde sempre ambicionou estar, e que hoje é dele por direito próprio. O jogador formado no Sporting, teve uma trajetória discreta no futebol Português, destacando-se as suas passagens pelo Vitória de Setúbal e Estrela da Amadora. A primeira valeu-lhe a transferência para o Benfica (onde nunca jogou), e a segunda despertou o interesse dos Ingleses do Crystal Palace. Em 2007, imigrava para terras de sua Majestade a título de empréstimo. A boa época realizada, levou os responsáveis dos Eagles a acionarem a opção de compra. A ligação ao clube dos arredores de Londres durou até Janeiro de 2010, altura em que se transferiu para o Southampton.

São já 6 épocas e meia nos Saints (4 delas no principal escalão), clube onde elevou o seu patamar competitivo e qualitativo. As características que hoje apresenta, foram melhoradas ao longo do tempo, fazendo dele um dos melhores e mais regulares jogadores do campeonato Inglês, atuar na sua posição. O central que demonstrava alguma ansiedade e falta de poder de choque, deu origem a um defesa sempre muito concentrado, forte nos duelos individuais, forte no jogo aéreo e que joga de forma simples e eficaz, bastante semelhante ao protótipo do central Britânico.

Em 2014, Fernando Santos concedeu-lhe o privilégio de representar as cores da seleção nacional. Curiosamente foi em Inglaterra, mais concretamente no teatro dos sonhos que o Português natural de Penafiel fez a sua estreia, frente à toda poderosa e vice-campeã mundial, Argentina. Desde então, Fonte foi presença assídua nas convocatórias nacionais, assumindo quase sempre o estatuto de quarto central, atrás de Pepe, Ricardo Carvalho e Bruno Alves na hierarquia do centro da defesa.

O trabalho do capitão do Southampton manteve-se, as boas exibições no sul de Inglaterra sucederam-se, e com isso a convocatória para o Euro 2016 não foi surpresa. Em França, o número 4 da nossa seleção. começou por ver os 3 primeiros jogos do banco, tendo saltado para o 11 titular nos oitavos de final, e logo contra a temível Croácia. Desde esse jogo e até à final, foi peça chave no eixo da defesa Portuguesa, jogando todos os minutos da fase a eliminar, a par do seu colega de equipa Cédric, e do totalista Rui Patrício. Ao longo destes 4 jogos, Fonte demonstrou o que havia exibido sempre que foi chamado: concentração, simplicidade e solidez defensiva. Não sendo forte a iniciar o processo ofensivo, o central Penafidelense compensa essa maior debilidade, com uma solidez defensiva acima da média, ganhando praticamente todos os duelos em que participa, valendo-se da enorme experiência e da competitividade que adquiriu em Inglaterra.

José Fonte chegou tarde, mas ainda a tempo de escrever o seu nome na história do desporto nacional. Ficando a ideia que a sua chamada já se justificava há algum tempo, exemplo disso foi o mundial do Brasil, quando após a suspensão de Pepe no jogo com a Alemanha, Portugal enfrentou graves problemas no centro da defesa, onde o poder de liderança esteve sempre em causa.

Estamos perante mais um caso de sucesso desportivo no nosso país. Foram muitas as batalhas que enfrentou até chegar àquela que foi provavelmente a mais importante da sua vida, a de Saint-Denis. Uma longa e demorada travessia no deserto, que teve como passageiro alguém que nunca baixou os braços e que nunca deixou de acreditar no seu real valor, lutando sempre pelos seus objetivos, subindo degraus e procurando as suas oportunidades com vontade de as agarrar com unhas e dentes assim que as mesmas chegassem.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Gil Novo

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