Portugal falha final do Europeu sub-19; Mbappé fez a diferença

Portugal 1-3 França (Pedro Pacheco 3'; Blas 10' e Mbappé 67' e 75')

A selecção nacional sub-19 falhou o acesso à final do Europeu da categoria ao ser eliminada pela França. Os lusos até estiveram na frente do marcador, mas Mbappé, que apesar de ter apenas 17 anos já foi utilizado por Jardim na equipa principal do Mónaco, com uma assistência e 2 golos, fez a diferença. Uma derrota, que se justifica, considerando o que foi o encontro, sendo que a ausência de Rúben Dias, devido a castigo, acabou por se fazer sentir, considerando a maneira como os gauleses chegaram aos golos. Mesmo assim esta geração, que ainda podia ter Renato Sanches e Rúben Neves e há 2 anos foi às meias-finais do Europeu em sub-17, no próximo ano terá mais uma oportunidade de conquistar um título, no Mundial sub-20. 

Quanto ao encontro, Portugal entrou praticamente a ganhar com Pedro Pachego, logo aos 3 minutos, de cabeça, a dar sequência a um livre de Guga. Mas a vantagem nacional durou pouco, já que aos 10’ Mbappé, na esquerda, ultrapassa Dalot e cruza para Blas fazer o 1-1. O jogo entrou depois numa toada mais morna, com domínio francês mas sem grandes oportunidades de golo, sendo mesmo a melhor chance portuguesa, com Dalot a cruzar e o guardião Bernardoni a falhar a saída, mas ao 2.º poste Pedro Delgado não conseguiu desviar para a baliza. A 2.ª parte começou com uma boa oportunidade para Portugal, com João Carvalho a aparecer à entrada da área e a obrigar Bernardoni a defender para canto. Na resposta, foi Augustin a livrar-se de Dalot mas Pedro Silva saiu destemido e conseguiu evitar o golo. Até que aos 67’ chegou a cambalhota no marcador: Blas serve Michelin, que sozinho na direita cruza para para Mbappé que encosta para o 2-1. Pouco depois, aos 75’, a França aumentou a vantagem, com um lançamento de linha lateral a ser executado de forma longa, fazendo a bola chegar à cabeça de Mbappé que, no coração da área, faz o 3-1. Até final, Portugal não mostrou argumentos para reentrar na discussão do jogo e os franceses foram gerindo os acontecimentos até chegar o apito final que ditou a passagem da França à final, onde encontrará a Itália.

Portugal - Chega ao fim o europeu para a selecção nacional, isto depois de cumprir o principal objectivo na competição: o apuramento para o mundial sub-20 2017. O começo da partida não podia ter sido melhor, mas o encontro foi todo ele disputado a baixo ritmo, de parte a parte, com Portugal a não conseguir um jogo ofensivo de continuidade, construindo lances de perigo de forma demasiada espontânea, vivendo de rasgos individuais de João Carvalho ou momentos de bola parada. Ainda assim, e em termos colectivos, ficam algumas dificuldades na construção (Pedro Rodrigues foi condicionado) e os próprios centrais, em particular Pedro Pacheco, não se mostrou confortável nesse estilo. A título individual, destaque para o péssimo jogo de Pedro Delgado (demasiado desligado ofensiva e defensivamente, a falhar tecnicamente a vários níveis e ainda a perdoar uma oportunidade flagrante), para a diferença de ritmo entre Dalot e Mbappé (o lateral do Porto teve dificuldades em lidar com a velocidade do extremo do Mónaco, ficando directamente ligado aos golos do adversário) e para o pouco envolvimento dos laterais na manobra ofensiva (Dalot, ainda assim, deu mais profundidade que Yuri que, à semelhança do resto do torneio, mal se viu). A completar o quinteto defensivo, a melhor unidade esteve na baliza, com Pedro Silva a travar alguns lances do adversário e Francisco Ferreira a liderar na ausência de Rúben Dias. Mais à frente, Alexandre Silva teve um jogo para esquecer (Almeida não teve oportunidade de entrar quando se pedia outro tipo de presença na área), Diogo Gonçalves não conseguiu ter impacto e João Carvalho voltou a ser unidade em destaque com vários pormenores que evidenciam toda a sua qualidade técnica e superior inteligência. Por fim, Buta, sem a vantagem da velocidade, não fez a diferença e Gonçalo Rodrigues perdeu preponderância com o passar dos minutos.

França - Os Gauleses partem para a final como os principais candidatos ao título, embora tenham demonstrado algumas fragilidades no sector defensivo – Boscagli substituiu Onguene e a equipa melhorou bastante com a maior maturidade e qualidade técnica do jogador do Nice -, em particular no controlo de cruzamentos e bolas paradas defensivas. A diferença, essa, é feita pelo melhor quarteto ofensivo da prova com Augustin, Harit, Mbappé e Blas, sendo que Augustin destoa um bocado em termos de criatividade e qualidade técnica quando comparado aos seus colegas. Hoje o destaque vai para Mbappé (apenas 17 anos) que, na teoria, deverá acabar a competição como o melhor jogador em prova.

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