Os Melhores e Piores Jogadores do Euro'2016

Uma vez terminado o melhor europeu da história (pelo menos na perspetiva portuguesa), ultrapassada a felicidade inicial, é tempo de analisar aquilo que foi o desempenho dos jogadores envolvidos. Numa prova com caraterísticas inovadoras face às anteriores (houve alargamento de 16 para 24 equipas), nem todos os atletas foram capazes de corresponder às expetativas, havendo outros que as superaram. Assim sendo, o VM elegeu os 3 principais destaques, surpresas e desilusões do Euro 2016 a nível de jogadores.

Destaques
Griezmann: Que dizer daquele que foi o melhor elemento presente no Campeonato da Europa? O craque do Atlético de Madrid deu seguimento à excelente época rubricada em Espanha (32 golos, a maioria cruciais) tornando-se no “abono de família” da seleção francesa, principalmente a partir da fase de grupos (foram 5 nesse período, tendo sido decisivo nas partidas ante Irlanda e Alemanha). Os 6 tentos com que terminou a competição fizeram dele o melhor marcador (e por larga margem), aproximando-se de Cristiano Ronaldo que é, neste momento, o maior artilheiro de sempre do Euro. Pogba era apontado como a estrela dos Bleu, mas foi Griezmann a brilhar.
Pepe: Se dúvidas houvesse, o internacional português provou neste Europeu (como se ainda fosse necessário) ser um dos melhores centrais do mundo. Depois de uma fase de grupos periclitante (ninguém, de resto, se conseguiu exibir a mais alto nível na seleção nacional), revelou-se fulcral nos “oitavos”, “quartos” e na final, na qual secou Griezmann e Giroud, vencendo o prémio de homem do jogo. A presença no onze da competição, efetuado pela UEFA, é um prémio justíssimo para um atleta que se apresenta, aos 33 anos, no topo das suas capacidades.
Gareth Bale: É consensual que o País de Gales apresenta uma excelente geração de fuebolistas (Williams, Ramsey e Joe Allen, nomeadamente). Porém, sem Bale, dificilmente os galeses teriam conseguido atingir as meias-finais. Além dos golos (3, fazendo “o gosto ao pé” em todas as partidas da primeira fase), o extremo vinculado ao Real Madrid revelou-se um dínamo imparável, perturbando todas as defensivas, por mais calmas que fossem. Através de livres diretos, cabeceamentos ou corridas fulgurantes, o ex-Tottenham provou ser capaz de levar “a equipa às costas”, por mais frágil que seja.

Surpresas
Raphael Guerreiro: Eis um jogador que, embora conhecido para a maioria dos portugueses, apresentou um trajeto surpreendente. Eliseu parecia bem encaminhado para assumir a titularidade (intocável no Benfica e na qualificação, por Portugal) mas o jovem do Lorient foi escalado por Fernando Santos, logo no jogo inicial, e não mais largou o lugar (excetuando quando revelou problemas físicos). Demonstrando uma maturidade excecional, o agora jogador do Borussia Dortmund ofereceu fulgor ofensivo e garantias no momento defensivo, tendo sido mesmo considerado pela UEFA como o melhor lateral esquerdo da competição.
Pazdan: Com uma compleição física que faz lembrar tudo menos defesa central, Pazdan surpreendeu a Europa do futebol, impondo-se na seleção polaca tendo contribuído decididamente para o extraordinário percurso da sua nação no Europeu. O atleta do Légia Varsóvia surgia no certame contando com apenas 18 internacionalizações, mas rapidamente se transformou numa peça basilar, como bem o comprova o facto de ter completado todos os 510 minutos que a sua equipa disputou. O sucesso coletivo (somente 2 golos sofridos em toda a competição) passou muito pelas exibições do jogador de 28 anos.
Ragnar Sigurdsson: Através de um espírito guerreiro, a Islândia foi hábil de superar as adversidades, sendo apenas eliminada nos “quartos” pela anfitriã França. Vários nomes poderiam ser referidos, mas o do defesa do Krasnodar merecer destaque. Não obstante as 57 internacionalizações cumpridas ao serviço da sua nação, no início do Euro, poucos eram os estrangeiros a conhecerem as qualidades do central. Contudo, uma vez finalizada a campanha islandesa, “Ragnar” começou a entrar no léxico dos mais atentos adeptos. Jogador forte fisicamente, concentrado, foi um duro obstáculo para os rivais. Aos 30 anos, ainda vai a tempo de dar o “salto”.

Desilusões

Thomas Müller: 10 golos em Campeonatos do Mundo, 0 em Europeus. Müller continua com a mira desafinada na prova continental, não conseguindo sequer festejar através da marcação de grandes penalidades. Visto por muitos como a principal referência ofensiva da Alemanha (apontou 32 golos pelo clube em 2015/16), o avançado do Bayern não correspondeu às expetativas que sobre si recaíam, revelando-se pouco entrosado com companheiros que tão bem conhece e não indo além de uma assistência. Um mês a esquecer para um atleta que, aos 26 anos, conta já com 77 internacionalizações.
Harry Kane: Roy Hodgson convocou pontas de lança em abundância, e com qualidade, mas aquele que mais curiosidade despoletava era Kane. O atacante do Tottenham realizou uma temporada excelente tendo sido, inclusivamente, o máximo artilheiro da Premier League, mas desiludiu no Europeu. Apesar de ter tido a confiança do selecionador inglês (que não hesitou em dar-lhe a titularidade), “Hurricane” nunca esteve realmente bem, abandonando a prova sem qualquer golo apontado.
Nolito: Del Bosque acreditou nas potencialidades do ex-Benfica mas Nolito não correspondeu – e nem pode reclamar de não ter disposto de oportunidades suficientes. O extremo foi escalado para o onze inicial espanhol em todas as quatro partidas mas sem ter causado impacto positivo. Apesar de até ter feito um golo (e uma assistência), raros foram os momentos em que se apresentou a um nível aceitável, “agarrando-se” em demasia à bola e não sendo capaz de contrariar o insucesso coletivo. Perto de completar 30 anos e a caminho de Manchester, pedia-se muito mais a Nolito.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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