As melhores e piores selecções do Euro'2016

Uma vez terminado o melhor europeu da história (pelo menos na perspetiva portuguesa), ultrapassada a felicidade inicial, é tempo de analisar aquilo que foi o desempenho das nações envolvidas. Numa prova com caraterísticas inovadoras face às anteriores (houve alargamento de 16 para 24 equipas), nem todas as seleções foram capazes de corresponder às expetativas, havendo ouras que as superaram. Assim sendo, o VM destaca as melhores e piores equipas do Euro'2016, bem com as 3 principais surpresas:

Melhores
Portugal: Foi a seleção que melhor futebol apresentou? A que mais entusiasmou os adeptos “neutros”? Não, de modo algum. Porém, sagrou-se campeã – para gáudio de todos nós. A equipa de Fernando Santos atingiu a final só com uma vitória nos 90 minutos regulamentares e com uma tática muito conservadora, ganhando epítetos de “cínica” e “nojenta” por toda a imprensa internacional mas, no derradeiro jogo, silenciou os críticos, com uma exibição plena de garra, vontade e força lusitana, derrubando uma França que eliminara, nas “meias”, a campeão mundial em título Alemanha. Triunfo de classe, merecedíssimo, que vem com 12 anos de atraso.
Alemanha: O futebol é 11 contra 11, facto, mas afinal nem sempre ganham os alemães. A seleção de Joachim Löw convenceu, ascendendo sobre todos os rivais que defrontou na caminhada até às meias-finais (até ao primeiro golo de Griezmann a equipa nunca tinha estado em desvantagem na prova) e apenas o desacerto na hora da finalização, alinhado a imperdoáveis erros defensivos retirou nova final à Mannschaft. Fica para a posteridade um domínio avassalador e a imposição de novos talentos (Hector e Kimmich à cabeça).
Itália: O currículo é invejável (a squadra é “apenas” tetracampeã mundial), mas o conjunto de Antonio Conte surgia no Euro como “outsider”. A fraca valia individual (dois dos mais talentosos elementos transalpinos, Verratti e Marchisio, falharam a presença na prova por lesão) foi, contudo, superada por um sentimento de união impressionante, galvanizado por um dos melhores treinadores europeus da atualidade, permitindo à Itália voar alto. É certo que a nação cuja capital é Roma caiu numa fase prematura (eliminação nos “quartos” aos pés da Alemanha), mas o modo como a atingiu foi memorável, derrotando duas das principais favoritas à vitória final (Bélgica e Espanha, sendo que a superioridade evidenciada face a nuestros hermanos terá sido o grande destaque do Euro). A prova de que com querer tudo é possível.

Surpresas
País de Gales: Estreia a roçar a perfeição. Os comandados de Chris Coleman colocavam um fim a décadas de espera pela presença numa grande competição de seleções mas encaravam o Euro com ambições limitadas. Porém, nas asas de um fantástico Bale (bem secundado por Allen, Ramsey e Robson-Kanu), os galeses tiveram o seu momento de glória. Não obstante estarem inseridos num grupo adverso (Inglaterra, Rússia e Eslováquia), os britânicos impuseram-se, triunfando sobre eslovacos e russos, cedendo somente uma derrota, no confronto com os vizinhos ingleses. O primeiro lugar permitiu a Gales uma passagem quase automática aos quartos de final, onde superaram a Bélgica, caindo apenas nas “meias”, ante Portugal. 
Islândia: Um espetáculo à parte. Dentro e fora do relvado os islandeses demonstraram uma valia extraordinária, captando a atenção de fãs um pouco por todo o globo. A cada golo, toda uma nação festejava, apoiando os seus heróis como se de uma questão de vida ou de morte se tratasse. Cinco pontos na primeira fase, vitória sobre a favorita Inglaterra e atitude extraordinária na partida da eliminação, contra a França. Com tudo isto, não surpreendeu a receção apoteótica que esperava os “vikings”- fizeram por merece-lo.
Polónia: Num Europeu que testemunhou o renascimento de potências do passado (a Hungria fez boa figura, por exemplo), a Polónia recordou o sucesso obtido nas décadas de 70 e 80. Após uma fase de qualificação de qualidade (na qual chegou a vencer a Alemanha), a seleção do centro da Europa somou 7 pontos na fase de grupos, anulando a Mannschaft e derrotando a Irlanda do Norte e a Ucrânia. Nos oitavos de final, eliminou a Suíça (que, bem analisada, acaba por dispor de melhores opções), sendo apenas derrotada por Portugal, no desempate por grandes penalidades, na eliminatória seguinte. Resultado inglório para uma equipa que sai do Euro... sem qualquer derrota nos 90 ou 120 minutos de jogo e que nunca esteve em desvantagem.

Desilusões
Inglaterra: Hype é a palavra que melhor descreve aquilo que tem sido a prestação da seleção inglesa nas últimas competições: parece ter todas as condições para fazer uma brilharete mas acaba por desiludir. O Euro 2016 não foi exceção. Após uma fase de apuramento impecável, à qual se seguiu moralizadoras vitórias em amigáveis (fica na retina o 4-2 à Alemanha), a seleção dos “Três Leões” ficou muito aquém das expetativas, sendo eliminada nos oitavos de final pela estreante Islândia, depois de apenas ter vencido um jogo na fase de grupos (e com golo nos descontos). Há muito a ser pensado no seio da Federação Inglesa, a começar pelo selecionador que, entretanto, resignou ao cargo.
Espanha: Agora é claro: o domínio espanhol terminou. Nuestros hermanos até começaram com o “pé direito”, ao vencerem a República Checa e a Turquia (com excelentes exibições em ambos os casos), mas as duas derrotas consecutivas (que quebraram uma invencibilidade de 8 anos a nível da prova continental), primeiro com a Croácia e depois com a Itália obrigaram-nos a “fazer as malas” mais cedo que o esperado. Se a última imagem é a que fica, não haverá razões para grande satisfação, tal foi a forma como a Roja foi manietada pela Squadra Azzurra.
Bélgica: Se fantásticos jogadores fizessem uma grande equipa, poucas se comparariam à seleção belga. Com elementos de classe mundial como Courtois, Alderweireld, Eden Hazard, De Bruyne e Romelu Lukaku, aguardava-se uma resposta forte, que raramente surgiu. Marc Wilmots, o selecionador, tem culpas no cartório pela maneira como não tem conseguido potenciar a qualidade de que dispões sendo que, neste Euro, nem sequer pode culpabilizar a sorte: além do grupo favorável (Itália, Irlanda e Suécia), ainda pôde medir forças com uma Hungria claramente mais frágil e um País de Gales inexperiente, contra o qual se revelou impotente. Veremos se uma geração tão valorosa conseguirá dar a volta à situação.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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