Alemanha bate "besta-negra"; Duelo táctico só teve emoção nos penaltis

Alemanha 1-1 (6-5 nas g.p.) Itália (Özil 65'; Bonucci 78' g.p.)

A 'Mannschaft' venceu pela 1.ª vez a Itália numa fase final e carimbou a passagem para as meias-finais do Europeu. Num jogo muito táctico, até algo sonolento, não surpreendeu que a decisão tivesse caminhado até às grandes penalidades, com a Alemanha a levar a melhor apenas no 18.º penalti. Buffon esteve em grande, manteve a Squadra Azzurra no jogo com uma defesa que evitou o 0-2, mas o conjunto de Conte nunca demonstrou capacidade para vencer (uma enorme coesão defensiva mas pouco jogo ofensivo). A campeã Mundial, por sua vez, apesar de ter tido sempre a iniciativa também revelou muitas dificuldades em ultrapassar o bloco adversário, para complicar na fase em que tinha o jogo controlado Boateng cometeu uma penalidade infantil que adiou tudo para a lotaria. Özil marcou, o lento e pouco técnico Mário Gomez fez a diferença ao criar o lance do golo, mas a postura de Löw, que tirou criatividade à equipa para alinhar de inicio com Howedes ao lado de Hummels e Boateng contribuiu para um encontro muito especulativo que só teve emoção nos penaltis.

Quanto ao encontro, a 1.ª parte quase não teve oportunidades. A Itália até entrou melhor, mas a Alemanha foi a que mais perigo criou. Gómez, à passagem do quarto de hora, podia ter aproveitado melhor um passe de Hummels. Dez minutos volvidos, Schweinsteiger ainda marcou, mas com falta sobre De Sciglio. E seria mais uma vez Gómez, no primeiro remate da Alemanha, já no minuto 41’, a estar perto do golo, mas, depois de uma carambola na área, rematou fraco para defesa de Buffon. O primeiro tempo acabou ainda com uma excelente oportunidade da Itália, mas Sturaro não conseguiu rematar para a baliza, depois de um lançamento em profundidade de Bonucci para Giaccherini que acabou com uma bola a jeito do médio da Juventus, à entrada da área. A segunda parte foi mais animada, Müller teve a primeira oportunidade para marcar, mas um corte de Florenzi em cima da linha tirou-lhe o golo. Até que ao minuto 65’, Mario Gómez descobre Jonas Hector que cruza para a área, a bola ainda bate em Bonucci e aparece Özil para marcar. O encontro animou a partir daí e Gómez, servido por Özil, esteve próximo de marcar de calcanhar (a meias com Chiellini), mas Buffon, com uma super-defesa, negou o golo. Pellè, aos 74’ deu a primeira ameaça da Itália no segundo tempo, sendo que 4 minutos depois, Boateng comete uma infantilidade na grande área (abordou o lance com os dois braços abertos) e na conversão da grande penalidade, Bonucci marcou o seu primeiro penálti da carreira e empatou o jogo. Logo a seguir, de novo Pellè a ameaçar Neuer, mas o remate saiu fraco. Até final do tempo regulamentar nota ainda para um remate perigoso de De Sciglio, que ainda assim, foi de encontro às malhas laterais. Nos 30 minutos extras, só Draxler esteve perto de evitar os penáltis, com um remate dentro da pequena área à meia volta, mas o esférico foi por cima. Até que chegados ao momento da “lotaria” das grandes penalidades, depois de uma série de volte-faces (nas primeiras 5 penalidades as equipas falharam 3 cada, sendo que Schweinsteiger atirou para as nuvens quando podia segurar a vitória), Hector aproveitou o penálti falhado de De Sciglio para colocar a Alemanha nas meias-finais.

Alemanha - Passou a melhor equipa. Löw surpreendeu ao deixar Draxler de fora depois do brilharete frente à Eslováquia, apostando num 3-4-2-1 com Höwedes a juntar-se a Boateng e Hummels no eixo defensivo e Kimmich e Hector como alas, e defensivamente deu resultado, com a Itália a ser bem anulada. No capítulo ofensivo os comandados de Joachim Löw abdicaram do jogo interior, pela postura do adversário e forçaram em demasia o jogo exterior de maneira a servir os avançados através de acções de cruzamento o que facilitou a missão da equipa de Conte. Individualmente, houve poucos destaques. Kimmich e Hector deram muita profundidade pelas alas, mas sem Draxler, exigia-se mais a Özil, que desiludiu (Müller também não esteve bem, à semelhança do que tem acontecido na competição). Khedira lesionou-se cedo, tendo sido substituído por Schweinsteiger que entrou bem na partida e até teve a hipótese de decidir na marcação de grandes penalidades, embora tenha atirado muito por cima. Kroos fez o seu pior jogo na competição, com pouca influência na circulação de bola, o que até obrigou Hummels a estar sempre muito subido. Gómez deu-se muito ao jogo e esteve na origem do golo alemão. Já Neuer fez a diferença nos penaltis, com duas defesas.

Itália - Terminou o sonho de uma equipa que era encarada como um outsider mas que chegou a esta fase com a convicção que podia chegar ao título. A Squadra Azzurra tacticamente esteve irrepreensível, conseguiu o objectivo de anular o adversário, mas nunca teve iniciativa e pouco fez no momento com bola. Para complicar as ideias de Conte, que deu a ideia de querer os penaltis, Zaza que entrou no minuto 120 acabou por falhar uma grande penalidade. A nível individual Buffon voltou a dizer presente com uma grande defesa, o sector defensivo, com Bonucci em evidência, também se destacou, mas na frente Pellè e Éder, ao contrário do que tinha acontecido contra a Espanha, foram anulados pelos germânicos.

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