Tanto desperdício! Portugal domina mas continua sem vencer; Ronaldo, que voltou a estar desastrado, até um penalti falhou

Portugal 0-0 Áustria

A bola não quis. Portugal fez de tudo para derrotar a Áustria - atirou ao poste, desperdiçou 3, 4 bolas de golo e ainda falhou um penalti -, mas não foi além do nulo e, apesar de estar no grupo mais acessível, continua sem vencer no Euro'2016. Resultado desastroso, principalmente considerando o que foi o jogo e a diferença de valia entre as equipas (os austríacos, que só se limitaram a defender, são limitados), e que obriga a selecção nacional a triunfar na última jornada. Numa noite particularmente negativa para Ronaldo, que além de ter estado perdulário perdoou no momento decisivo ao falhar a grande penalidade, destaque para as opções de Fernando Santos que optou por lançar William (um dos melhores) e Quaresma no 11 em detrimento de Danilo e João Mário.

Quanto ao jogo, a Áustria, qual Islândia, teve logo a abrir uma soberana hipótese para marcar, mas Harnik cabeceou ao lado quando tinha tudo para fazer golo. A partir daí… bem, a partir daí, só deu Portugal. Nani foi o primeiro a testar Almer com um remate rasteiro e na sequência Vieirinha também visou a baliza, mas atirou por cima. Depois foi Ronaldo a atirar ao lado, numa combinação entre Nani e Guerreiro, com o mesmo Nani a cabecear ao poste pouco depois (Moutinho, na recarga, rematou para fora). Ainda antes do intervalo, CR7 voltou a ter uma hipótese, mas rematou fraco, já do outro lado foi Alaba de livre a quase marcar, mas Vieirinha cortou quando Patrício estava batido (abordou mal o lance). No segundo tempo, Harnik voltou a entrar a criar perigo com um remate rasteiro de fora de área, mas o guardião português defendeu. Ronaldo estava desastrado no jogo, mas acordou e em 2 minutos teve duas excelentes oportunidades para desfazer o nulo. Primeiro numa bomba de esquerdo do meio da rua, para na sequência do canto, testar Almer de cabeça. Esta não era mesmo a noite do capitão português, que dispôs aos 79 minutos da melhor hipótese para oferecer a vitória a Portugal, mas atirou ao poste na sequência de uma grande penalidade. Pouco depois, viria mesmo a marcar, mas partiu em posição irregular na altura da marcação do livre lateral. E o nulo persistiu mesmo até final.

Portugal - exibição competente o suficiente para vencer o jogo, até porque o adversário não era por demais exigente. Mesmo sem deslumbrar, a equipa nacional criou oportunidades flagrantes em número suficiente para obter a vitória, mas fosse por azar (bola no poste de Nani) ou falta de capacidade (bola no poste de Ronaldo), as redes austríacas não sentiram a bola. Fernando Santos voltou a optar por um trio na frente, cujos elementos trocavam de posição, mas que jogou algo longe dos médios e que não se mostrou pressionante. A estratégia acabou por ser acertada, pois a incapacidade dos austríacos em sair a jogar e em explorar os espaços entre as duas linhas não permitiu aproveitar essa lacuna. Portugal mostrou boa circulação, não permitiu que a Áustria criasse grande perigo, e dominou por completo, mas a concretização foi penalizadora.

Rui Patrício - dois sustos, em que num dos lances foi surpreendido pelo centro-remate de Alaba. De resto, limitou-se a jogar com os pés.

Vieirinha/Guerreiro - os laterais envolveram-se no processo ofensivo, com mais qualidade por parte do esquerdino. Defensivamente não tiveram problemas, mas Vieirinha ainda tirou um golo feito.

Pepe/Carvalho - exibição competente do duo de centrais; Carvalho usou da capacidade de antecipação para ganhar os lances, e Pepe destacou-se pela saída de bola, com algumas investidas no ataque.

William - um dos melhores no primeiro tempo, em que dominou as operações usando o físico e criou lances de perigo através dos passes longos para as alas. Destacou-se pelo modo como recuperava a bola e saía a jogar, mas foi perdendo preponderância à medida que a Áustria se encolhia.

Moutinho - voltou a ser o elemento com menor rendimento, raramente colocou bolas a rasgar em colegas desmarcados, perdeu duelos individuais, e ainda queimou com alguns passes de risco.

André Gomes - esconde-se um pouco do jogo, mas quando aparece mostra todos os atributos técnicos. Encarregue de fechar à esquerda, foi importante nas tarefas de progressão após recuperação de bola, mas faltou algo no último terço.

Nani - atirou uma bola de cabeça ao poste, teve um golo nos pés após jogada individual, criou alguns desequilíbrios, mas foi o primeiro da frente a perder fulgor físico. Longe de ser o jogador decisivo que foi, nem sempre conseguiu impor velocidade no flanco.

Quaresma - foi dos mais inconformados, criando perigo em jogadas individuais, e colocando alguns cruzamentos na área. Faltaram os remates, talvez por estar demasiado encostado à linha, e sem possibilidade de explorar as diagonais.

Ronaldo - noite para esquecer. Sempre que CR7 jogou longe da baliza (teoricamente devia proteger-se e jogar mais na frente) perdeu os lances, ora por falta de capacidade física (a reacção e arranque não estão lá) ora por excesso de adorno. Em termos de finalização, esteve desastrado; ainda mostrou qualidade num remate de pé esquerdo seguido de um potente cabeceamento, mas foi sol de pouca dura. E na grande penalidade, voltou a vacilar.

João Mário - entrou numa fase em que Portugal jogava com menor clarividência, integrou-se no assalto final, mas sem se destacar.

Éder - limitou-se a tentar, sem sucesso, ganhar lances aéreos.

Rafa - imprimiu velocidade ao flanco esquerdo mal entrou, mas ser figura a entrar aos 88 minutos é complicado.

Áustria - Pouco… muito pouco. Os austríacos estavam catalogados, à partida, como a 2.ª seleção mais forte do grupo e têm mostrado que são o pior conjunto dos 4. A defesa treme, o meio-campo só defende e o ataque mal incomoda. No encontro de hoje fizeram apenas 4 remates, tal como a Islândia, a diferença é que defensivamente demonstraram pior organização que os nórdicos. Individualmente, a grande (e única) nota de destaque vai para o guardião Almer, que embora tenha mostrado fragilidades ao nível do jogo de pés, defendeu tudo o que havia para defender. O quarteto defensivo sofreu imenso, no meio-campo Ilsanker e Baumgartlinger (muito faltoso) não apareceram na frente, já o ataque, com Alaba irreconhecível (a verdade é que não fez uma boa época) viveu do que Harnik criou, sendo que Arnautovic tentou aparecer mas raramente foi feliz.

Etiquetas: , ,