Super-Modric lidera Croácia

Turquia 0-1 Croácia (Modrić 41')

Pecou por escasso. A Croácia entrou da melhor maneira no Euro'2016 ao derrotar a Turquia, por 1-0. Um resultado que nem traduz o que foi o jogo já que os croatas tiveram oportunidades suficientes para alcançar um marcador mais expressivo, sobretudo no segundo tempo em que acertaram por 2 vezes na barra. O grande destaque da partida vai para Modrić, que juntou ao golo uma excelente exibição, Brozovic deu um bom apoio no meio campo, mas na frente Perisic esteve muito perdulário. Já a Turquia acabou por ser dominada, tento tido na fraca prestação da estrela Arda Turan o espelho do que foi o arranque no torneio.

No que diz respeito à partida, a Croácia entrou melhor e podia ter chegado ao golo num desvio de Rakitic ao lado. A partir daí o jogo entrou numa toada mais equilibrada (mas sempre com grande intensidade), com muita luta na zona central do terreno. A Croácia ia tendo mais iniciativa, explorando muito os corredores (com Srna e Strinic a subirem muito), mas sem conseguir furar a muralha contrária. A primeira grande oportunidade até pertenceu à Turquia, com Gonul a saltar à vontade e a cabecear para defesa difícil de Subasic. Quando se esperava que o nulo se mantivesse até ao descanso, surgiu o golo da formação balcânica, com Modric a aproveitar um alívio para a zona central após um canto e a desferir um excelente pontapé (de primeira) de fora da área, embora fique a ideia de que Babacan pudesse ter feito mais. Já perto do intervalo, a Turquia criou perigo num canto, mas o resultado manteve-se. A segunda parte foi dominada pela Croácia, que entrou muito forte e dispôs de uma dupla ocasião por Srna: primeiro acertou na barra na cobrança de um livre directo e depois disparou ao lado quando tinha tudo para fazer o golo. A seguir foi Brozovic que teve duas chances para marcar, com um grande remate por cima e depois a chegar atrasado a um cruzamento. Os médios croatas (Modric era rei e senhor) dominavam por completo as operações, enquanto que a Turquia não conseguia ter bola nem sequer conseguir sair em transição. Com isto as oportunidades iam-se sucedendo do lado do croata, com Perisic a cabecear à barra e depois o mesmo a obrigar o guarda-redes turco a duas boas intervenções. Os homens de Fatih Terim tentaram o “chuveirinho” nos minutos finais, mas a equipa dos Balcãs raramente esteve em perigo e conseguiu gerir o tempo de jogo e assim garantir o triunfo.

Destaques:

Turquia - Uma pequena desilusão. A equipa de Terim não deixou uma boa imagem nesta estreia no Europeu, acabando por ter sorte em não sair derrotada por uma margem maior. Os turcos possuem jogadores de qualidade técnica, mas o colectivo nunca os soube potenciar, não conseguindo fazer com que a bola chegasse regularmente a Ozyakup, Çanhanoglu ou Arda em boas condições (má circulação), e no plano defensivo a segunda parte deixou a nu várias carências, com uma mão-cheia de boas ocasiões a serem permitidas ao adversário. Fica a certeza de que esta Turquia muito terá de melhorar, sobretudo se tivermos em conta que o próximo encontro é com a Espanha e uma derrota deixaria as coisas muito complicadas. Individualmente, Volkan Babacan, apesar do golo de Modric ser um belo disparo, não fica isento de culpas, ao passo que Gonul teve momentos de desastre defensivo, deixando uma verdadeira auto-estrada para Perisic. No meio-campo, Selçuk Inan não teve capacidade para ser o motor da equipa (pouco assertivo com bola), Çalhanoglu pecou várias vezes na decisão (rematou sem sentido quando tinha melhores soluções) e Arda, que poderia aproveitar este Europeu para reclamar um estatuto na elite, manteve o nível dos últimos meses no Barça, dando mesmo a sensação de que fisicamente está abaixo do exigido. Nota para a entrada de Mor, que se tornou no sétimo futebolista a jogar um Europeu com menos de 19 anos, mas à excepção de um bom lance não conseguiu ter impacto no desafio.

Croácia - A formação dos Balcãs tem motivos para acreditar num bom Europeu. A equipa apresentou uma ideia de jogo bem definida e consolidada, esteve quase sempre por cima no jogo e, depois de uma primeira parte em que as oportunidades custaram a aparecer, na segunda criou perigo mais do que suficiente para ampliar a vantagem. Os homens de Ante Cacic apresentam um excelente nível técnico, o que torna a circulação de bola segura e fluída, com jogadores que interpretam bem o jogo em posse e que no momento da perda são fortes a pressionar e reagir. No plano individual, Subasic acabou por não ter de fazer nenhuma defesa de realce, já que a última linha esteve bastante acertada, tendo o carismático Srna ficado por duas vezes perto de marcar (num livre acertou na barra e num ressalto acabou por finalizar ao lado). No meio-campo, Badelj desempenhou bem o papel de âncora que permite dar mais liberdade de movimentos a um dos melhores jogadores do torneio: Luka Modric, um médio sensacional que aproxima sempre as equipas nas quais joga do sucesso. O jogador do Real Madrid não só marcou o golo que deu os 3 pontos à Croácia (num belo gesto técnico) como ainda acrescentou a sua qualidade na circulação de bola, conseguindo constantemente "descobrir" os homens que jogavam à sua frente com passes que quebravam linhas (mesmo sem bola esteve a um nível altíssimo no posicionamento e leitura). Brozovic e Rakitic também contribuíram para consolidar a superioridade na partida, ao passo que Perisic, que teve várias boas incursões pela esquerda, por duas vezes pecou quando estava em boa posição para marcar. 

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