Super-Itália despacha campeões; Chiellini marcou, Giaccherini, Éder e Bonucci fizeram a diferença; De Gea evitou resultado mais expressivo

Itália 2-0 Espanha (Chiellini 33' e Pellè 90'+1)

Uma grande Itália enviou a Espanha, actual bicampeã europeia, para casa, marcando assim um duelo com a Alemanha nos quartos-de-final. Os transalpinos dominaram por completo a 1.ª parte, obrigaram a La Roja a jogar feio e mal (muito pontapé para a frente), e não fosse o desperdício na frente (ou a grande exibição do guardião De Gea) até podiam ter conseguido um resultado mais expressivo. Já a La Roja, depois de ter caído na fase de grupos do Mundial'2014, volta a deixar uma competição ainda cedo, numa espécie de confirmação do fim da hegemonia que tiveram no futebol mundial entre 2008 e 2012. Os espanhóis foram engolidos no 1.º tempo, ainda tentaram reagir na 2.ª parte, mas foi sempre tudo muito em esforço, e longe do nível que nos habituaram, sendo que quando conseguiram desfazer a organização do conjunto de Conte apareceu Buffon a dizer presente.

No que respeita ao encontro, que foi uma reedição da final do Euro'2012, a primeira parte teve domínio italiano, que colocou muitos problemas à Espanha com os seus ataques rápidos e nas bolas paradas. E foi num desses lances que surgiu a primeira oportunidade, com Pellè a bater Busquets nas alturas e a obrigar De Gea a uma grande defesa. A La Roja sentia muitas dificuldades para assumir o jogo e para circular a bola, com a pressão italiana a dar frutos. Como tal, a Squadra Azurra continuou a criar lances para marcar, primeiro num cabeceamento ao lado de Parolo e depois com Ramos quase a fazer auto-golo. O 1-0 viria mesmo a surgir na sequência de um livre frontal, com Éder a bater forte e De Gea a soltar a bola para a frente, aparecendo Chiellini na confusão para empurrar a bola para o fundo da baliza. Já em cima do intervalo, a Itália esteve perto de ampliar após uma bela jogada de Giaccherini, mas De Gea opôs-se com qualidade. Para a segunda parte, a Espanha subiu as suas linhas e dispôs de uma boa chance para empatar logo abrir, com Morata a cabecear sozinho, mas à figura. Essa reacção foi sol de pouca dura, com as dificuldades em assumir o jogo a aparecerem de novo e foi Éder que teve uma ocasião flagrante para fazer o segundo, ao surgir na cara de De Gea (grande toque de Pellè a isolar o italo-brasileiro), mas a perder no duelo com o guardião espanhol. Só a partir do minuto 70 se começou a verificar uma pressão mais intensa por parte dos espanhóis, conseguindo algumas oportunidades para marcar. Já depois de Aduriz ter rematado ao lado e Ramos ter cabeceado para fora, foi a vez de Buffon brilhar por duas vezes: primeiro num excelente remate de Iniesta (de primeira, sem deixar cair, com o pé esquerdo) e depois num disparo de Piqué. Na resposta, Insigne (bom lance individual) testou De Gea, tendo depois a Espanha tido a melhor oportunidade do jogo, com Piqué a surgir em posição privilegiada (tinha tudo para fazer o golo) mas a permitir mais uma grande intervenção a Buffon. Quem aproveitou foi a Itália, que explorou o espaço para chegar ao 2-0, com Pellè a aproveitar um ressalto e a não perdoar, confirmando assim a surpresa.

Itália - Mérito para Conte nas duas fases do jogo: nos primeiros 45 minutos abordou a partida de uma forma surpreendente, tirando a bola à Espanha e conseguindo feri-la com um futebol agressivo, vertical, muitas das vezes praticado a um toque, o que retira tempo ao adversário para se reorganizar; na segunda parte, uma versão sem bola, defensiva, mas que nem por isso impediu a equipa de chegar a situações de golo em transições rápidas, particularmente devido à velocidade de Éder e às combinações entre ele e o seu parceiro Pellé. Um esquema que aproveita as rotinas dos 3 defesas da Juventus, onde nenhum homem é colocado fora do trabalho defensivo, dando também grande preponderância a elemento como Giaccherini e Parolo, homens que hoje não deixaram jogar os criativos Silva e Iniesta. A nível individual, destaque para a exibição de Bonucci (imperial e com a qualidade habitual na 1.ª fase de construção, mais visível na primeira parte por inerência do desenrolar do jogo), Éder (muito veloz e a conseguir incomodar a dupla Piqué-Ramos, embora tenha perdoado em situações de finalização) e Giaccherini (grande exibição do baixinho, muito dinâmico e essencial defensiva e ofensivamente, com várias diagonais que podiam ter terminado em golo, impedindo simultaneamente que Juanfran se atrevesse a dar a profundidade). Mérito também para Pellé, o homem encarregue de condicionar todo o jogo de Busquets através de uma marcação individual, num estilo de perseguição permanente aos terrenos pisados pelo Catalão, conseguindo ainda inscrever o seu nome na lista de marcadores já na recta final da partida. Por último, menção para um punhado de defesas de Buffon que segurou a sua equipa nos momentos mais delicados.

Espanha - Fim de linha para Del Bosque? É a segunda competição consecutiva em que a campeã da Europa desilude, desta vez num cenário em que a derrota com a Croácia atirou a equipa para o quadro "mau" do europeu. E o resultado até foi curto para o que a La Roja produziu, já que, terminada a primeira parte, não seria surpreendente se o jogo já estivesse fechado. A exibição fica marcada por uma inoperância surpreendente no primeiro tempo, incapaz de marcar o seu estilo de posse, de passe, também pelo menor rendimento de alguns elementos como Iniesta ou Silva. Fica também um europeu de baixa performance de jogadores como Busquets (hoje anulado pela estratégia de Conte), Cesc e, na partida de hoje, Nolito (demasiado trapalhão e a entrar constantemente em zonas de inferioridade numérica). E se no segundo tempo a bola foi da Espanha, nunca pudemos dizer que o jogo esteve nas suas mãos, já que concedeu por várias ocasiões transições rápidas, tendo em De Gea a melhor unidade de toda a partida (exibiu-se a um nível fantástico, salvando mesmo a goleada, apesar de a imagem que fica ser a de poder ter feito mais no 1.º golo Italiano). Por último, destaque para o pouco fulgor ofensivo dos laterais Alba e Juanfran, eles que se envolvem frequentemente e a toda a largura no ataque, libertando espaço para os criativos pisarem terrenos mais interiores.

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