Que espectáculo de Quaresma (esteve em 5 golos); Portugal chega a França de "papo cheio"; Ronaldo bisou, Danilo e Éder também marcaram, Guerreiro esteve em destaque; Renato Sanches voltou a entrar bem

Portugal 7-0 Estónia (Ronaldo 36' e 45', Quaresma 39' e 77', Danilo 55', Metz 61' p.b. e Éder 80')

Com um Ricardo Quaresma num nível impressionante (esteve em 5 golos), Portugal esmagou a frágil Estónia (7-0), naquele que foi o último teste antes do Euro'2016. Um encontro quase de sentido único, que serviu essencialmente para a selecção chegar a França mais confiante (curiosamente há 2 anos Portugal também goleou no último amigável antes do Mundial), e que permitiu a elementos como Raphael Guerreiro e Quaresma (2 golos e duas assistências) ganharem pontos na luta pelo 11. Ronaldo (que saiu ao intervalo), de regresso à competição, depois de um período de férias, respondeu com um bis, Danilo juntou um golo a uma boa exibição e deve ter desfeito as dúvidas em relação à posição 6, Renato Sanches voltou a ter impacto quando entrou na partida, mas, além do Mustang, quem mais impressionou foi Guerreiro, que esteve em vários lances de perigo e fartou-se de desequilibrar no seu corredor. Já a Estónia, à excepção de uma bola à barra, num lance em que Rui Patrício ficou mal na fotografia, pouco incomodou, numa partida em que Fernando Santos alinhou com: Patrício; Cédric, Pepe, Fonte, e Raphael Guerreiro; João Mário, Danilo, Moutinho e André Gomes; Quaresma e Ronaldo.

No que diz respeito ao amigável, Portugal entrou a mandar no jogo (como era de esperar) e Pepe esteve perto de fazer o primeiro na sequência de um canto, mas o seu cabeceamento saiu muito por alto. A selecção nacional jogava a toda a largura, conseguindo criar alguns desequilíbrios, mas o desacerto no último terço resultava em poucas ou nenhumas oportunidades de golo. Com isto, só pouco depois da meia hora se viu a primeira grande ocasião, com Ronaldo a surgir isolado, mas a perder algum tempo e a rematar para defesa do guardião visitante (na recarga Guerreiro atirou à figura). No entanto, a formação das Quinas viria mesmo a marcar, com Quaresma a fazer um grande cruzamento de trivela e Ronaldo, livre de marcação, a finalizar muito bem de cabeça. Minutos depois novo momento de magia de Quaresma, que, com pouco ângulo, fez um chapéu em efeito, num golo que foi uma autêntica obra prima. Já quase em cima do intervalo surgiu o 3-0, numa jogada pela direita de João Mário, que cruzou para Ronaldo fazer balançar de novo as redes, embora com alguma sorte à mistura (a bola acabou por bater no pé de apoio e entrar). Para a segunda parte Fernando Santos fez entrar Vieirinha e Nani para os lugares de Cédric e Ronaldo, mas foi a Estónia a ter uma grande oportunidade para reduzir, com Rui Patrício a ter uma saída defeituosa e Puri a aproveitar a sobra e a rematar à barra. Na resposta, excelente cruzamento de Guerreiro e Nani, com um belo gesto técnico, a cabecear ligeiramente por cima. Assistia-se agora a um jogo mais aberto e Portugal voltou a estar perto do golo, com Vieirinha a rematar ligeiramente ao lado. No entanto, o 4-0 viria mesmo a surgir, com o inevitável Quaresma a bater um canto e Danilo a saltar à vontade e a fuzilar a baliza contrária. O seleccionador nacional voltou a mexer, colocando em campo Ricardo Carvalho, Renato Sanches e Éder (saíram Pepe, João Moutinho e João Mário), numa altura em que a formação lusa aplicava uma boa dinâmica e pressão. A manita surgiu dos pés do Mustang (que exibição), que cruzou da direita e viu o guarda-redes estónio ser infeliz, socando a bola contra um colega e a bola a entrar na baliza. Já depois de William Carvalho ter entrado para o lugar de Danilo e de o ritmo ter baixado um pouco, Portugal ampliou o marcador, com Renato Sanches a fazer uma grande arrancada e servindo depois Quaresma, que rematou cruzado e bisou. Minutos depois surgiu o sétimo, com André Gomes a cruzar e Éder a dominar e a facturar no coração da área. Até ao fim, André Gomes (falhou na cara do guardião adversário) e Nani (remate por cima) estiveram perto do oitavo, enquanto que do outro lado Puri quase fez um golaço. No entanto, o resultado não se alterou, tendo Portugal conseguido uma goleada antes de partir para França.

Portugal - Naquele que foi o último teste antes do início do europeu, o conjunto de Fernando Santos mostrou-se a grande nível, apontando 7 golos depois de um início de jogo em que a criação de oportunidades foi escassa. A selecção nacional apresentou-se com o meio-campo mais utilizado nesta série de jogos de preparação, com uma dupla de avançados Quaresma-Ronaldo que funcionou na perfeição, tendo ainda nas laterais um Guerreiro a grande nível que deverá dificultar em muito a titularidade a Eliseu que antes da competição parecia garantida. Mas, como habitual, o mais difícil foi mesmo o primeiro golo, já que desde então os espaços foram maiores, a confiança cresceu e a circulação de bola foi ganhando velocidade. A nível individual, o destaque vai quase todo para Quaresma que teve provavelmente um dos melhores jogos com a camisola da selecção, desde o passe, o golo, até à capacidade de pressão numa fase inicial da partida, mas também para Ronaldo que, embora tenha algumas decisões que prejudicam o colectivo no último terço, em 45 minutos aponta dois golos. Para além destes, e na linha do meio-campo, menção para os jogos de João Mário, Danilo e André Gomes (todos eles com colaboração directa nos golos), por contraponto a Moutinho que não teve um jogo feliz e, num papel em que aparece frequentemente na área e em zonas perto da baliza, não consegue ter o impacto de outras funções. Mais atrás, a dupla de centrais teve um jogo tranquilo e sem grande oposição, tendo Patrício acumulado um erro grave numa das poucas vezes em que teve de intervir. Por último, várias entradas com o decorrer da partida, onde impressionou a capacidade de Sanches para assumir o jogo (a maneira como arranca com bola é incrível) e também a disponibilidade de Éder que somou mais um golo à sua conta pessoal.

Estónia - Versão muito fraca, limitada ao seu meio-campo e que resistiu apenas até ao momento do primeiro golo. A capacidade de transição foi praticamente inexistente, deixando muito a desejar a nível individual, já que os seus jogadores demonstraram má relação com a bola e falta de criatividade no momento de construir. Como oportunidade fica apenas a bola à trave e depois de um erro individual do guarda-redes adversário.

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