Portugal defensivo caiu já perto do fim; Bruno Alves foi expulso aos 35'; Carvalho, Danilo e Eliseu destacaram-se; Sanches e André Gomes entraram bem (Adrien, Moutinho, João Mário e Nani pouco acrescentaram); Quaresma foi o único que assustou (selecção nacional quase não passou o meio campo)

Imagem: Daily Mail
Inglaterra 1-0 Portugal (Smalling 86')

A selecção nacional perdeu contra a Inglaterra no penúltimo jogo de preparação para o Euro'2016. Numa partida pobre, quase sem oportunidades de golo, Smalling, já perto do fim, desbloqueou o marcador. Um castigo duro para Portugal, que mesmo com 10 desde os 35 minutos, devido a uma expulsão de Bruno Alves (entrada sem sentido), com uma postura defensiva competente (o excesso de jogadores na zona mais recuada ajudou), conseguiu controlar a selecção anfitriã, apesar de mais uma vez ter denotado uma enorme inércia no momento com bola (pouca capacidade na construção, posse, mesmo em acções de transição).

No que diz respeito ao encontro, a primeira parte desenrolou-se num ritmo morno. A Inglaterra ia tendo mais bola e mais iniciativa de jogo, enquanto que Portugal sentia dificuldades para sair a jogar. No entanto, o equilíbrio manteve-se apesar do domínio inglês, sem que as duas equipas conseguissem criar muitas situações de golo. Rooney teve um cabeceamento à figura de Rui Patrício, enquanto que do outro lado Ricardo Carvalho cabeceou para fora numa bola parada. A melhor oportunidade do primeiro tempo pertenceu a Kyle Walker, que disparou um míssil perto do poste. Até que ao minuto 35 Bruno Alves recebeu ordem de expulsão devido a uma entrada muito perigosa sobre Kane, deixando assim a selecção nacional a jogar com menos uma unidade. Fernando Santos foi obrigado a colocar José Fonte em campo (saiu Rafa), mas à excepção de uma transição onde Kane rematou à figura do guardião português, o jogo continuou na mesma e o nulo manteve-se até ao intervalo. Para a segunda parte André Gomes entrou para o lugar de João Mário e Portugal até entrou com mais bola, aproveitando a passividade dos ingleses. Entretanto Fernando Santos voltou a mexer, trocando Nani por Quaresma, numa altura em que os homens da casa voltaram a assumir o controlo da partida, mas sem no entanto conseguirem criar desequilíbrios e lances de perigo. O seleccionador nacional mexeu no meio campo, colocando Renato Sanches e William Carvalho nos lugares de Adrien e João Moutinho, tentando antever a maior pressão da Inglaterra no último quarto de hora, aspecto que se veio a verificar. Nesse período até foi Portugal a estar perto do golo, com Quaresma quase a conseguir um golaço, num lance parecido ao do encontro com a Noruega. No entanto, a turma inglesa chegou mesmo ao golo, com Smalling a corresponder da melhor maneira (saltou à vontade) a um cruzamento de Sterling. Já em tempo de descontos (e já depois da entrada de Éder para o lugar de Ricardo Carvalho) William Carvalho teve a oportunidade de empatar num canto, mas o seu cabeceamento saiu por cima e o resultado manteve-se.

Portugal - Exibição convincente do ponto de vista defensivo e inexistente no que respeita ao ataque. Pode dizer-se que a equipa foi vítima de uma entrada imprudente de Bruno Alves (e os critérios disciplinares nas grandes competições são cada vez mais apertados), ou olhando o aspecto positivo, deu para treinar durante mais de uma hora o jogo colectivo com apenas dez elementos. Mas mesmo com o onze completo, viu-se uma equipa retraída e remetida ao seu último reduto, sem capacidade de assumir o jogo perante um oponente que, embora pressionante e fisicamente forte, deixa muito a desejar do ponto de vista técnico. A saída de bola voltou a claudicar, pois as recuperações eram normalmente seguidas de passes (alguns, nem passes eram) longos para jogadores desapoiados. Defensivamente, houve qualidade, com os jogadores a preencherem bem os espaços e a ganharem boa parte dos duelos individuais. É certo que Portugal defendeu com muita gente, mas isso nem sempre é sinónimo de eficácia, e na realidade Patrício pouco foi testado. Diga-se que a única falha de marcação acabou por originar o golo da Inglaterra, que primou pela eficácia. Individualmente, destaque claro para Bruno Alves, cuja entrada intempestiva obrigou os colegas a actuarem mais de uma hora em inferioridade numérica. Os apontamentos positivos vão para Danilo, cuja disponibilidade física foi determinante para fechar a área, Eliseu, que foi dos poucos a acrescentar critério ofensivo (enquanto pôde atacar), e os centrais Ricardo Carvalho e Fonte. Moutinho voltou a passar despercebido, enquanto que Adrien (a jogar mais na ala) pouco acrescentou. Nani, isolado na frente, foi incapaz de guardar a bola, e João Mário também não teve capacidade de transportar o esférico para a frente. Renato Sanches e André Gomes entraram bem, com mais força e capacidade nas acções individuais, principalmente ao nível do transporte de bola, e Quaresma acabou por ter a única oportunidade lusitana, com um remate perigoso após jogada individual contra uma multidão de ingleses.

Inglaterra - Pouca criatividade, pouco à vontade na circulação de bola, mas com tantos elementos de qualidade fica fácil resolver o jogo de um momento para o outro. Os ingleses demoraram a levar perigo à baliza de Patrício e, principalmente contra 10, foram inofensivos a maior parte do tempo (praticamente não criaram oportunidades), mas nos últimos 15 minutos acercaram-se mais da área portuguesa e conseguiram chegar à vitória. Individualmente, Kyle Walker esteve em destaque pela direita, oferecendo muita profundidade na lateral, aproveitando também para aparecer em zonas interiores. Smalling, frente a um ataque baixo de Portugal, dominou pelos ares e ainda marcou o golo da vitória, mas de resto foi uma exibição desinspirada do conjunto de Roy Hodgson. Dele Alli e Milner pouco se viram, Vardy não teve influência no jogo, já Rooney e Kane, apesar de terem dado mais trabalho, foram bem anulados pela defensiva portuguesa. Aproveitou Sterling, lançado aos 66 minutos, para aparecer e resolver com o cruzamento para o único golo do encontro. O extremo do City, que deverá ficar de fora do 11 base, deu trabalho a Vierinha e a sua entrada coincidiu com o melhor período da Seleção dos Três Leões.

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