Patinho feio surpreende

Ucrânia 0-2 Irlanda do Norte (McAuley 49', McGinn 90+6')

Surpresa em Lyon. A Irlanda do Norte, na teoria a selecção mais limitada no Euro'2016, conseguiu a 1.ª vitória em Europeus ao derrotar a Ucrânia por 2-0, resultado que permite ao conjunto de Michael O'Neill sonhar com o apuramento, já os ucranianos estão com um pé fora de França. O resultado espelha bem aquilo que foi a partida, considerando que os britânicos apresentaram um óptimo nível, concedendo muito poucas oportunidades e dispondo mesmo de uma ou outra chance para ampliar o marcador. A Ucrânia, por sua vez, apesar de toda a qualidade individual que apresenta, raramente importunou o guardião McGovern num jogo que ficou igualmente marcado pela interrupção devido à queda de granizo.

No que toca ao jogo, a Irlanda do Norte entrou melhor, conseguindo jogar no meio-campo adversário, mas rapidamente a Ucrânia equilibrou a contenda. A selecção de Leste ia tendo mais bola, embora em zonas recuadas e com pouca rapidez na circulação, enquanto que a formação britânica mantinha a sua postura, equilibrada atrás, e tentando explorar o contra-ataque e as bolas longas. No entanto, as oportunidades de golo escasseavam e a melhor do primeiro tempo pertenceu mesmo aos norte-irlandeses, com Cathcart a cabecear muito perto do poste na sequência de um canto. Até ao intervalo, a Irlanda do Norte voltou a criar perigo através de Steven Davis (Pyatov teve de aplicar-se), mas o nulo manteve-se. A segunda parte começou com o golo norte-irlandês, com McCauley a corresponder da melhor maneira a um livre de Norwood. Na resposta, Seleznov quase que conseguia o empate, mas o seu cabeceamento saiu à figura. Pouco depois o jogo foi interrompido durante alguns minutos devido ao granizo, mas a Ucrânia continuava com muitas dificuldades para ultrapassar o bloco britânico, acumulando maus passes e perdas de bola. Só a partir do minuto 70 é que a formação ucraniana começou a ser mais assertiva na pressão e a conseguir chegar mais vezes à área contrária, aproveitando também o desgaste dos norte-irlandeses. Kovalenko teve dois remates perigosos quando estava em boa posição, enquanto que Yarmolenko obrigou McGovern a uma boa intervenção. Mas foi a Irlanda do Norte a conseguir marcar de novo (já em período de descontos), com Dallas a rematar de fora da área para defesa para a frente de Pyatov e McGinn a não perdoar na recarga, estabelecendo assim o resultado final, que vai ficar na história.

Ucrânia - Péssimo resultado, horrível exibição. Depois de terem deixado uma bela imagem frente à Alemanha, os ucranianos estiveram a um nível muito baixo hoje e podem ter comprometido seriamente as esperanças de seguirem em prova (ficarão a torcer para que a Alemanha bata, pelo maior número de golos possível, a Polónia e a Irlanda do Norte, tendo também os ucranianos de derrotar os polacos na última jornada). A equipa nunca conseguiu penetrar no bloco adversário, sendo incapaz de levar o jogo em condições até ao último terço do terreno, só criando perigo de forma regular na fase final do encontro. No plano individual, as estrelas Yarmolenko e Konoplyanka não conseguiram resolver os problemas a que o colectivo não deu resposta (o jogador do Sevilha ainda foi o mais inconformado no 1º tempo), ao passo que Kovalenko desperdiçou as duas melhores ocasiões de golo. Na frente, Seleznyov deu-se demasiado à marcação, não realizando movimentações que ajudassem a abrir brechas na defensiva adversária.

Irlanda do Norte - Foi escrita mais uma bela página na história do futebol do país. A equipa era, na teoria, a mais limitada do Euro'2016, e essa ideia foi acentuada com a prestação frente à Polónia no 1º jogo (limitou-se a defender), mas este 2º jogo mostrou um conjunto completamente diferente. Os homens de Michael O'Neill defenderam durante menos tempo (só foram verdadeiramente "massacrados" nos últimos minutos) e bastante mais à frente, mas mesmo assim mantiveram uma assinalável solidez no sector recuado (linhas muito compactas e solidárias), mas a surpresa esteve mesmo na prestação com bola, já que houve uma apreciável dinâmica que resultou em diversos lances de perigo e em 2 golos apontados que permitem sonhar com o que parecia impensável (é verdade que a última jornada é com a Alemanha, mas a equipa de Low pode já estar classificada e gerir e os britânicos contam com uma diferença de golos de +1, o que poderá lhes dá mais esperanças de conseguir o milagre). No plano individual, o guardião McGovern mostrou-se muito seguro sempre que teve de intervir, ao passo que o central McAuley não só foi um muro a defender como ainda subiu à área adversária para fazer o 1-0. Mais à frente, Steven Davis voltou a ser o motor da equipa e Dallas teve várias acções muito positivas pela ala, conseguindo agitar a partida.

Etiquetas: , ,