O Brasil a seus pés

No final da época 2012-13 ninguém imaginaria que Nicolás Otamendi, campeão português numa equipa que sofrera apenas 14 golos no campeonato, estaria um ano depois emprestado a um clube brasileiro. No final da época 2014-15 ninguém imaginaria que Maicon, vice-campeão português (a 3 pontos do campeão) numa equipa que sofrera apenas 13 golos no campeonato, estaria um ano depois emprestado a um clube brasileiro.

Os casos são diferentes, mas Otamendi e Maicon partilham entre si meia época negativa de azul-e-branco ao peito. O argentino, com a chegada de Paulo Fonseca e a mudança na organização defensiva face à anterior estabilidade com Vítor Pereira, apresentou erros na saída de bola que não lhe eram característicos. Já o brasileiro, que Julen Lopetegui tentou transformar em Boateng (o uso excessivo do pontapé longo em diagonal para Brahimi era em tudo similar ao que o central do Bayern executava para Douglas Costa), cometeu um erro que resultou em golo contra o Arouca e depois ainda abandonou o campo com a braçadeira no braço, com queixas físicas.

Com Otamendi já é sabido o desenlace da história. Fez 19 jogos pelo Atl. Mineiro, marcou 1 golo, e trocou o Galo pelo Valencia a meio do ano civil, recebendo o FC Porto "apenas" 12 milhões de Euros da sua transferência. Mais tarde, o clube espanhol arrecadou cerca de 45 ME com a venda do passe do argentino para o Man City, numa época em que foi considerado o melhor central da Liga Espanhola.

Maicon, no entanto, ainda não sabe o seu futuro. Mas vai vivendo por estes dias tempos áureos no Brasil, dividindo para muitos o epípeto de melhor central a atuar no Brasil com Geromel do Grémio. Leva já 3 golos apontados pelo Tricolor e não há um dia em que os adeptos não peçam à direção a sua contratação a título definitivo. A influência do central do FC Porto no São Paulo é já tão grande que lhe valeu a braçadeira de capitão no último encontro (derrota por 2-1 em casa diante do Atlético PR). Apesar do resultado negativo, Maicon destacou-se mais uma vez. Acertou nos ferros, numa fase inicial, na cobrança de um livre direto, abriu mesmo o marcador com mais um golo de canto e ainda mostrou segurança na defesa (os adeptos têm admirado o seu à vontade a evitar a pressão do avançado). Como dizem os adeptos:

"Monstro! Arma, desarma, faz lançamentos, bate falta, dribla, ganha todas por cima e por baixo e se precisar pega no gol ainda...."

Apesar de ter começado a jogar apenas há 2 meses no Brasil, é já o responsável pelas bolas paradas
Os cantos de Kelvin têm sido fundamentais para os golos do central
Neste sentido, e numa fase em que Kardec (ex-avançado do Benfica) vai vivendo uma fase de patinho feio "à Eder" em São Paulo, este foi um dos comentários da noite, após a derrota frente ao Atl. Paranaense no Morumbi:

"3 observações sobre o jogo de hoje:

1 - Matheus Reis não é fraco, ele é MUITO fraco
2 - Coloca minha mãe no lugar do Kardec
3 - Vende minha mãe, compra o Maicon e coloca meu pai no lugar do Kardec"

No final de contas, não é crível que Maicon volte ao Dragão. No entanto, também parece pouco provável que Maicon fique no Tricolor (embora os 9 milhões dados por Cueva, numa época em que o plantel foi construído quase à base de empréstimos, mostrem que o São Paulo possa estar disposto abrir os cordões à bolsa). Otamendi foi vendido por pouco mais de 10 milhões a um clube de segunda linha europeia. Maicon pode muito bem seguir o mesmo caminho. Mas para já tem boas razões para continuar no Brasil, já que é um caminho natural para ser chamado para a Canarinha (existe uma pressão para David Luiz deixar em definitivo de ser opção).

P.S.: Também no São Paulo, João Schmidt (ex-Vitória de Setúbal) tem impressionado pela sua qualidade de passe e pela fluidez que oferece ao jogo a meio-campo.

Fábio Teixeira

Etiquetas: