Magia de Iniesta dá vitória aos campeões

Espanha 1-0 Rep.Checa (Piqué 87')

O resultado é enganador. A Espanha, sem Casillas no XI depois de quatro Europeus e três Mundiais, venceu a República Checa por 1-0, com um golo de Piqué perto do final, mas realizou uma exibição convincente e poderia ter conseguido outros números, não fosse a desinspiração na finalização e um rival à altura chamado Petr Cech. O domínio dos campeões em título foi quase total, chegando a ter quase 80% de posse de bola e remetendo a República Checa ao seu reduto defensivo. Iniesta comandou o jogo espanhol com a mestria habitual e fez provavelmente a melhor exibição individual do Europeu até ao momento, dando muitas dores de cabeça à turma de Pavel Vrba. Defenderam muito, mas a equipa ficou curta e não houve capacidade de sair em transição para o ataque, apesar de terem tido duas ocasiões claras para marcar. 

A República Checa até entrou com vontade, mas rapidamente a Espanha assumiu o controlo do jogo. Foi assim desde o princípio ao fim. Uma equipa com a posse de bola, a tentar criar espaços, mas sem a dinâmica necessária para o conseguir. Iniesta ia sendo o principal criador de serviço, espalhando classe em campo e estando nos principais lances de perigo. Petr Cech foi negando o 1-0. A República Checa raramente conseguiu estender-se no campo, revelando muitas dificuldades no momento de saída para o ataque. O jogo manteve-se na mesma toada na segunda parte. A Espanha entrou forte, acentuou o domínio, ia circulando da esquerda para a direita e novamente para a esquerda, mas a bola teimava em não entrar. Do outro lado, De Gea apanhou um susto e teve de ser Fàbregas a evitar o golo checo. Del Bosque lançou Aduriz, dando mais presença na área, lançou Thiago para dar dinâmica ao meio campo, mas o resultado permanecia inalterado. Já perto do fim, Iniesta fez mais uma assistência sublime e colocou a bola na cabeça de Piqué, que deu alguma justiça ao marcador.

Espanha - Uma exibição dominadora, como é costume, praticamente sem problemas defensivos, mas faltou alguma dinâmica ofensiva para desmontar o bloco adversário. A equipa apostou numa construção paciente, quase sempre pelo corredor central, sendo que Juanfran e Alba nem sempre deram a profundidade desejada, o que levou a algum afunilamento do ataque espanhol. Morata também não ofereceu a mobilidade que se exigia, sempre demasiado preso entre os centrais, facilitando a tarefa de quem defendia. Iniesta fez uma exibição incrível, sempre disponível, de cabeça levantada, à procura de espaços e a aproveitá-los da melhor forma. Que classe. Saíram dos seus pés quase todos os lances de desequilíbrio e impressionou pela facilidade em conseguir o passe vertical. Silva teve bons momentos, acrescentando a visão habitual, mas não fez uma exibição tão consistente como se pedia. Fàbregas acabou por ser o pior do meio campo, pondo em risco a sua presença no 11 face à ameaça de Koke ou Thiago. Nolito, a grande novidade, fez um jogo intermitente, conseguindo excelentes passes interiores, algumas acções de desequilíbrio, mas forçando demasiado em vários lances. É claramente um jogador diferente na equipa, faltando perceber se a aposta será para continuar.

Rep.Checa - Apesar de não ter muitos argumentos, a equipa de Pavel Vrba desiludiu. Defendeu bem, mas limitou-se a isso e não merecia, de todo, pontuar. O duplo pivot composto por Darida e Plasil resumiu-se a acções defensivas e o próprio Rosicky teve de se sacrificar pelo colectivo, perdendo clarividência nos momentos ofensivos (ainda mostrou bons pormenores). A equipa nunca conseguiu desenhar transições para o ataque após a recuperação, entregando a bola demasiado rápido. O desgaste foi-se acumulando e só a grande exibição de Petr Cech e da dupla de centrais foi adiando o golo espanhol. Para o segundo jogo, pede-se que Vrba abdique desta postura expectante, coloque um jogador mais ofensivo sobre a direita (jogou com dois laterais) e sobretudo que permita a Rosicky jogar mais perto do avançado. 

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