Polónia sorri nos penaltis e já está à espera de Portugal (ou da Croácia); Shaqiri marcou um golaço, Suíça superiorizou-se a partir dos 70 minutos, mas Xhaka deitou tudo a perder

Suíça 1-1 (4-5 nas g.p.) Polónia (Shaqiri 82'; Błaszczykowski 39')

É merecido, pelo sacrifício que os polacos fizeram, mas injusto por aquilo que se passou no jogo. A Polónia eliminou a Suíça nas grandes penalidades, depois de um empate a 1 no tempo regulamentar e no prolongamento, e marcou encontro nos quartos-de-final com o vencedor do Portugal-Croácia. A equipa de Adam Nawalka demonstrou enorme qualidade no primeiro tempo, saindo muito bem em transições, mas a segunda parte e o prolongamento foram da Suíça, que finalmente teve Shaqiri. E de que maneira. O golo que marcou, de bicicleta, vai directamente para a galeria de melhores golos dos Europeus. Ainda assim, foi insuficiente para superar a Polónia, que, mesmo com o desgaste sentido ao longo da partida, foi mais fria nos penalties.

A primeira parte foi muito interessante de seguir, com momentos de ascendente de parte a parte. A Polónia entrou a todo o gás e teve uma oportunidade logo a abrir, oferecida por Sommer e Djourou, mas Milik, de baliza aberta, não conseguiu marcar. Os polacos iam pressionando a saída de bola suíça e criaram muitas dificuldades ao adversário, que não foi capaz de chegar ao ataque nos primeiros minutos. No entanto, a equipa estabilizou e subiu no terreno, tendo também alguns lances junto da baliza de Fabianski. O guarda-redes polaco teve intervenção decisiva no primeiro golo do jogo, lançando rápido para Grosicki, que correu meio campo e assistiu Kuba para o 1-0. Até ao intervalo, a Suíça tentou reagir, mas sem sucesso. Na segunda parte tudo foi diferente. A Polónia optou por baixar linhas e preservar o resultado, quase abdicando de atacar, acabando por sofrer o golo do empate. Depois de algumas tentativas falhadas, nomeadamente uma bola na barra de Seferovic, Shaqiri assinou uma obra de arte e fez o empate. Um pontapé de bicicleta à entrada da área, que valeu o melhor golo do Euro. O prolongamento teve poucos motivos de interesse. A Polónia estava notoriamente desgastada e limitou-se a tentar controlar a Suíça, que, apesar de estar por cima no jogo, também não teve capacidade de chegar à vitória. E pagou caro nos penalties. Xhaka foi o único a falhar e permitiu que a Polónia seguisse pela primeira vez para os quartos-de-final de um Europeu.

Polónia - Uma equipa de duas caras. A primeira parte foi de grande nível, com o conjunto de Nawalka a primar pela organização que exibiu na fase de grupos, tanto a defender (centrais não são elegantes mas cumprem na perfeição, alas dão muito apoio aos laterais) como a atacar, saindo muito bem em ataques rápidos e tendo as duas referências na frente. Contudo, na segunda parte a equipa recuou demasiado, havendo a dúvida se terá sido por ordens do treinador ou simplesmente por desgaste. Convém recordar que as Águias Brancas tiveram menos um dia de descanso que o adversário. O que é certo é que sofreram como nunca neste Europeu, sendo de estranhar a demora a mexer por parte de Nawalka. Valeu Fabianski em vários momentos, fazendo defesas espectaculares e tendo contribuído para a jogada do golo. A nível individual, destacam-se também as prestações de Grosicki, que, apesar do estilo trapalhão, foi decisivo nas transições, e de Kuba, incansável nas tarefas defensivas e com chegada à área. Lewandowski continua pouco brilhante, apesar de a sua presença libertar outros elementos. Já Milik, embora vá mostrando qualidade, tem tido falhas gritantes na finalização.

Suíça - Nada se pode atentar aos helvéticos. Petkovic meteu a carne toda no assador e a equipa foi superior aos polacos, faltando apenas concretizar as ocasiões que criou. A primeira parte expôs algumas lacunas deste conjunto, especialmente na transição defensiva, mas não só. Com Xhaka bloqueado pela acção de Milik, os suíços tiveram muitas dificuldades para construir desde trás. Behrami foi novamente imperial no meio campo, mas não tem a mesma capacidade do parceiro de meio campo a nível ofensivo. Rodríguez, mais do que Lichsteiner, teve novamente um papel importante a dar profundidade. Na segunda parte, Shaqiri finalmente assumiu o papel de estrela, com mais espaço para criar desequilíbrios. Destaque também para a entrada de Gelson Fernandes, que deu outra presença ao meio campo e outra liberdade aos homens da frente. 

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