Incrível! Portugal quase não atacou mas já está nos quartos; Jogar à Grécia resultou; Quaresma foi o herói aos 117' numa fase em que a Croácia estava por cima; Pepe esteve imperial, Fonte, William e Cédric também deram uma boa resposta

Croácia 0-1 Portugal (Quaresma 117')

Nem um remate à baliza em 116 minutos mas Portugal já está nos quartos-de-final. A selecção nacional, com muita estrelinha, conseguiu eliminar a Croácia e marcou duelo com a Polónia. Os lusos apresentaram-se muito defensivos, deram o domínio ao adversário, quase não remataram, "qual Grécia", mas foram felizes já em cima dos 120 naquele que foi o único remate em todo o jogo de Ronaldo, tendo Quaresma na recarga assumido o papel de herói. Num jogo completamente atípico, nos primeiros 105 minutos nenhuma equipa acertou na baliza, sobressaiu Pepe que rubricou uma exibição incrível, numa eliminatória em que Fernando Santos alinhou de inicio com Fonte, Cédric e Adrien. Do lado croata fica um sabor amargo, por ser mais um desaire deste geração de ouro e principalmente pelas incidências do jogo, já que a equipa de Cacic dominou e antes do 0-1 teve oportunidades claras para marcar.

Em relação ao encontro, a Croácia entrou a trocar a bola, mas o jogo rapidamente ficou equilibrado. Apesar da maior posse de bola dos croatas, a única oportunidade de golo do primeiro tempo esteve na cabeça de Pepe, que cabeceou por cima um cruzamento milimétrico de Guerreiro. No 2.º tempo, a toada manteve-se, mas Fernando Santos lançou rapidamente Renato Sanches, que agitou o jogo. No entanto, foi Brozovic, a criar perigo, num remate na sequência de um canto batido rapidamente. As defesas iam superando o ataque, ninguém arriscava, mas, numa bola parada, Vida esteve perto do primeiro golo do encontro, num livre exemplarmente cobrado por Srna. Santos ainda lançou Quaresma e os croatas colocaram Kalinic em campo, mas o duelo só viria a ser resolvido no prolongamento. Primeiro foi Patrício a desequilibrar-se num canto e a ver Vida estar novamente perto de abrir o activo, mas depois foi Perisic a atirar ao poste já nos minutos finais. Na sequência da jogada, Renato Sanches arrancou, deu para Nani que assistiu Ronaldo na cara de Subasic. O Bola de Ouro permitiu a defesa do guarda-redes do Mónaco, mas na recarga Quaresma deu o apuramento à Selecção nacional. Aos 117 minutos estava finalmente aberto o activo. Até final, a Croácia carregou (Pjaca que havia entrado ainda agitou), sendo que, para não variar, foi Vida a ficar a centímetros do golo na última jogada da partida, mas foi mesmo Portugal a festejar.

Portugal - como previsível, a postura foi completamente diferente, com a equipa recuada e os médios próximos dos defesas, deixando a Nani e Ronaldo as tarefas atacantes. A verdade é que a estratégia funcionou, pois em 90 minutos a Croácia nem na baliza de Patrício acertou, e foram raras as oportunidades de perigo concedidas. Mas, mais uma vez, o contra-ataque não funcionou, muito pelo facto da defesa ter dificuldades em construir (Cedric e Fonte raramente o fizeram), e dos médios estarem demasiado longe dos avançados. Foram 90 minutos de coesão defensiva, com alguns momentos de posse de bola, em especial após a troca de Gomes por Sanches, mas basicamente viu-se um conjunto solidário à espera de um golpe de génio, ou de um golpe de sorte. O último aconteceu, numa fase em que a precisão táctica já dera lugar ao caos, fruto do desgaste, e em que o coração e vontade dos jogadores já mandava mais que a cabeça ou pernas.

Portugal - como previsível, a postura foi completamente diferente, com a equipa recuada e os médios próximos dos defesas, deixando a Nani e Ronaldo as tarefas atacantes. A verdade é que a estratégia funcionou, pois em 90 minutos a Croácia nem na baliza de Patrício acertou, e foram raras as oportunidades de perigo concedidas. Mas, mais uma vez, o contra-ataque não funcionou, muito pelo facto da defesa ter dificuldades em construir (Cedric e Fonte raramente o fizeram), e dos médios estarem demasiado longe dos avançados. Foram 90 minutos de coesão defensiva, com alguns momentos de posse de bola, em especial após a troca de Gomes por Sanches, mas basicamente viu-se um conjunto solidário à espera de um golpe de génio, ou de um golpe de sorte. O último aconteceu, numa fase em que a precisão táctica já dera lugar ao caos, fruto do desgaste, e em que o coração e vontade dos jogadores já mandava mais que a cabeça ou pernas.

Patrício - nada fez durante o tempo regulamentar, a não ser jogar com os pés; no prolongamento sofreu com o assalto croata, vendo a bola passar perto diversas vezes.

Cedric - meteu Perisic "no bolso" e foi intransponível. Ofensivamente não existiu, pois raramente subiu e quando o fez, concluiu com cruzamentos sem grande nexo. Entre improvisar atrás, ou despachar para a frente, preferiu sempre o segundo método, ressentindo-se a equipa no aspecto atacante.

Pepe - imperial! Secou Mandzukic, ganhou todos os duelos, aéreos ou pelo chão, e teve um raio de acção largo, que permitiu manter os avançados croatas longe da área portuguesa. No assalto final, teve um punhado de cortes fundamentais.

Fonte - certinho a defender, foi cortando as bolas que apareciam na sua zona. Ciente das limitações, também não improvisou no que toca a saídas de bola.

Guerreiro - ainda tentou dar profundidade a flanco, mas a noite não era para atacar. Defensivamente irrepreensível, anulou os extremos croatas e disfarçou bem a menor estatura.

William - enorme jogo do trinco português. Bem ajudado por Adrien, e pelos centrais que dele se aproximavam, não só recuperou ou intersectou bolas, como foi um tampão que atrasava a troca de bola croata no centro, obrigando o jogo a ir para as linhas. Foi dos poucos a conseguir colocar a bola jogável na frente. Quebrou fisicamente no prolongamento, mas ainda teve pernas ajudar.

Adrien - começou mal, ficando fora de jogadas por entradas mal calculadas. Ganhou confiança, e a sua disponibilidade física permitiu-lhe encher o campo, pressionando em várias zonas do terreno e anulando a zona de influência de Modric. Usou e abusou da "falta útil", ainda conseguiu algum envolvimento atacante, mas nesse capítulo foi o Rei dos maus passes.

João Mário - fechou os flancos, e tentou levar a equipa para a frente, sem grande sucesso. Alguns apontamentos técnicos e muito sacrifício equilibram uma série de passes falhados e incapacidade em ter bola.

André Gomes - muitos passes curtos falhados e dificuldades em fechar levaram o valenciano a ser o primeiro substituído. O estilo de jogo em nada o beneficia.

Nani - missão de sacrifício; primeira parte interessante, desceu bastante na segunda, e surpreendeu ter ficado em campo tanto tempo. Foi dele o passe para Ronaldo, que daria origem ao golo da vitória.

Ronaldo - Pouco se viu, teve zero hipóteses de finalização (até ao lance do golo), e de resto nada fez de útil, pois cada bola que lhe chegava era de imediato perdida. É também verdade que, mesmo muito marcado, os colegas teimaram em passar-lhe o esférico. Para a História fica o lance do golo, no qual participou.

Renato Sanches - impôs o físico na progressão, sendo quase que impossível tirar-lhe a bola através de contacto. Ajudou William na pressão e permitiu libertar Adrien, e Portugal, com a sua entrada, ganhou capacidade de sair a jogar. Faltou decidir melhor alguns lances, com passes mal medidos. Foi dele o primeiro remate luso (na única jogada de envolvimento até então), e a recuperação e arrancada que terminaram no golo de Quaresma.

Quaresma - talismã! O jogo era para ele, entrando numa altura em que não havia pernas ou cabeça. Estava no sítio certo para entrar nos livros.

Danilo - entrou para defender e dar altura, e cumpriu. No prolongamento mal houve táctica, e Danilo foi para o meio batalhar e ganhar duelos individuais ou bolas soltas.

Croácia - Kalinic deu a entender que ia ser um passeio mas mais uma vez os croatas caíram sem a medalha. A entrada foi boa, o domínio até foi da Croácia, mas as oportunidades nos 90 foram quase nulas. No prolongamento curiosamente na fase em que mais acreditaram e estiveram perto de marcar permitiram a transição que deu a passagem a Portugal. Srna foi o grande dinamizador, destacando-se pela qualidade no cruzamento, mas as restantes unidades estiveram algo abaixo do que se esperava. Perisic e Rakitic estiveram desinspirados, Mandzukic pareceu limitado fisicamente e Modric, além de estar demasiado preso atrás, quando se quis adiantar esteve quase sempre bem vigiado. Por outro lado, Corluka e Vida estiveram bem na defesa, ao contrário de Strinic, que teve dificuldades no lado esquerdo.

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