Gales humilha Rússia e garante 1.º lugar; Bale (a assumir-se como o jogador Europeu mais temível) e Ramsey fizeram a diferença; Inglaterra não passa do nulo

Teoria? O que interessa é a prática. A selecção do País de Gales, apontada como a mais fraca, surpreendeu ao garantir o 1.º lugar no grupo B com 6 pontos, o que até deve permitir um duelo com a Albânia nos oitavos. Gareth Bale, bem secundado por Ramsey, demonstrou que é nesta fase, com a sua velocidade, técnica, maneira como desequilibra e se dá ao jogo, o jogador Europeu com mais capacidade para resolver os jogos sozinho. Já a favorita Inglaterra, que não foi além do nulo,  ficou apenas em 2.º, com 5 pontos, tendo a Eslováquia somado 4, o que à partida será suficiente para ser um dos melhores terceiros. Mas este grupo fica marcado por mais uma presença desastrosa da Rússia (última com 1 ponto conquistado nos descontos), que desde 2008 não faz nada em fases finais, e que deixou péssimas indicações para o Mundial, não só dentro de campo como fora dele.

Eslováquia 0-0 Inglaterra - Só deu Inglaterra no encontro (30 remates), mas a formação dos Três Leões não conseguiu sequer marcar um golo para segurar o 1.º lugar. Sturridge foi o primeiro a ameaçar, mas Pekarík negou-lhe o golo com um grande corte e logo a seguir foi Vardy a surgir isolado perante Kozácík, contudo não conseguiu levar a melhor sobre o guardião. À passagem da meia hora, numa das melhores jogadas do encontro, Lallana podia ter marcado, após passe de Clyne, mas fez o guarda-redes eslovaco brilhar. Até ao intervalo, Henderson foi o mais próximo de levar perigo, mas o remate foi bloqueado. No segundo tempo, Smalling quase ia oferecendo um golo a Mak, mas foi Clyne a quase marcar. Weiss teve no minuto seguinte um dos poucos remates perigosos da Eslováquia, mas o remate saiu à figura de Hart. Hogdson meteu a carne toda, com Rooney, Alli e Kane, e foi o médio do Tottenham a ter a melhor oportunidade do jogo, no entanto apareceu Skrtel para negar o golo. Até final, nota para um falhanço de Sturridge depois de um grande passe de Eric Dier. Destaques: Grande réplica dada por toda a defensiva da Eslováquia, em especial Skrtel e Kozácík que tiraram golos cantados aos ingleses, já na frente a equipa pouco se viu (Hamsik ainda foi dos que teve mais critério com bola). Do lado da Inglaterra, Clyne rendeu bem Walker e ofereceu imensa profundidade, assim como Dier, que se destacou a pautar o jogo inglês e ainda mostrou qualidade ao nível da visão de jogo.

Rússia 0-3 País de Gales (Ramsey 11', Taylor 20' e Bale 67') - Foram 3 mas até podiam ter sido 6 ou 7. Gales dominou por completo a Rússia e com a dupla Bale e Ramsey em destaque fartou-se de explorar as debilidades defensivas do rival, continuando a fazer história para o futebol do país Quanto à partida, Gales começou melhor, com Bale a ameaçar Akinfeev, e o bom início dos galeses havia de traduzir-se em golo logo aos 11': assistência de Joe Allen para Ramsey que, isolado, não falha e abre o marcador. Os russos simplesmente não pareciam estar em campo e 9 minutos depois  Bale isola Taylor que à 2ª amplia a vantagem para 2-0. O jogo estava meio "louco" e pouco depois Dzyuba aproveita um erro de Williams para se isolar mas permite a defesa de Hennessey. A facilidade do País de Gales em criar perigo saltava à vista (a Rússia defensivamente era um desastre) e em poucos minutos Vokes (após brilhante jogada de Bale) e Ramsey estiveram à beira do 3º, sendo que até ao intervalo o craque do Real voltou a estar perto do golo. No 2.º tempo, a tónica manteve-se, com os russos a deixarem hectares de espaço no seu meio-campo para as transições russas, e nomes como Allen, Ramsey e Bale ia aproveitando para destruir a defesa do russa, tendo Bale feito o 3º aos 67', numa finalização de classe. Até final, os russos limitaram-se a suplicar pelo fim do encontro, ao passo que os galeses ainda desperdiçaram algumas chances, tendo o resultado final sido mesmo um histórico 3-0. Destaques: O País de Gales voltou a aplicar a fórmula com que chegou até aqui: defesa sólida e contra-ataque rápido, e isso foi fatal para uma Rússia com um comportamento defensivo impróprio da elite (bastava tirar a bola da zona de pressão para haver imensos metros vazios). Os russos terão de melhorar muito (nos últimos anos só somaram desilusões) para deixar uma boa imagem no Mundial que organizarão, em 2018. Individualmente, o grande destaque vai para Bale, um dos destaques desta fase de grupos (melhor marcador até ao momento com 3 golos), que está a provar (se ainda alguém duvidava) que é um super-craque (até pela forma como carrega a equipa às costas), tendo fartado-se de desequilibrar, sendo que também Ramsey (forte no transporte e na leitura dos espaços) e Allen (critério no passe e capacidade física impressionante) merecem nota muito elevada.

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