Hamsik destrói Rússia

Rússia 1-2 Eslováquia (Glushakov 80'; Weiss 32' e Hamsik 45') 

Surpresa no grupo B. A Eslováquia conseguiu a primeira vitória de sempre em Europeus, e logo frente à Rússia. A vantagem de 2-0 conseguida na primeira parte, com Weiss a aproveitar a passividade defensiva e Hamsik a marcar um golaço, foi determinante no desfecho do encontro, apesar da forte pressão russa na recta final, que estabeleceu o resultado final em 2-1. O meio campo montado por Slutsky não resultou e o técnico alterou a dupla titular ao intervalo, trazendo ligeiras melhorias para a equipa. Vai ser obrigado a fazer muitas alterações para o jogo frente ao País de Gales, que pode ser decisivo na luta pelo apuramento.

Quanto ao jogo, teve uma Rússia sempre com mais posse de bola, mas com muitas dificuldades na fase de criação. Dzyuba deu muito trabalho aos centrais eslovacos, tendo sido através do gigante que a Sbornaya conseguiu desequilibrar. Num dos lances mais perigosos, Smolov atirou muito perto do poste. A Eslováquia ia saindo com critério para o ataque, embora sem ameaçar Akinfeev. Contudo, de um passe longo de Hamsik para Weiss saiu o 1-0. O extremo ultrapassou com facilidade Smolnikov e Ignashevich e com toda a calma do mundo fez o golo. Ainda antes do intervalo, a vantagem alargou-se. Hamsik, com um golo "à Maniche", fez uma obra de arte e colocou muita pressão nos russos para a segunda parte. Slutsky tirou Golovin e Neustadter para lançar Mamaev e Glushakov e a equipa melhorou, apesar de as dificuldades no último terço se manterem. A Eslováquia ia tendo mais espaço para sair em transição, mas Hamsik, talvez acusando o desgaste, foi perdendo clarividência na definição. O final do jogo trouxe uma intensa pressão da Rússia, já com os eslovacos encostados à sua grande área. Glushakov concluiu uma boa jogada de Shatov sobre a esquerda e reduziu para 2-1, mas a Eslováquia conseguiu segurar os 3 pontos até final.

Rússia - Slutsky, por enquanto, não tem dado muito mais que Capello à selecção russa. A equipa até é bastante organizada, mas tem um futebol demasiado conservador (dois médios estáticos à frente da defesa) e falta muita criatividade ofensiva. Hoje nem a defesa deu a segurança habitual, com Smolnikov a fazer uma exibição terrível. Golovin e Neustadter passaram completamente ao lado do jogo, tanto a atacar (não se conseguiram soltar e tiveram dificuldades para conseguir passes verticais) como a defender, dando muito espaço no corredor central. Mamaev e Glushakov, mesmo sem serem brilhantes, deram maior dinâmica e podem ter garantido a presença no próximo encontro. Do meio campo para a frente, foi Shatov, sem surpresas o principal agitador, dando alguma irreverência ao ataque russo. Nas alas ou no corredor central, foi o único que conseguiu desequilibrar e emprestar alguma capacidade de decisão. Kokorin, por outro lado, tem sido uma desilusão e voltou a passar ao lado do jogo. Na frente, Dzyuba fez um bom jogo, ganhando a maioria dos duelos físicos mas também revelando qualidade com bola.

Eslováquia - Depois da derrota com Gales, não seria de esperar que a equipa tivesse capacidade para bater a Rússia. Mas estamos perante um conjunto interessante deste Europeu. Tem uma boa organização defensiva e a transição ofensiva está bem trabalhada, com Hamsik e Kucka (muita agressividade e excelente participação em todos os momentos do jogo) no serviço a dois extremos muito rápidos. O jogador do Nápoles foi indiscutivelmente a figura da partida, não só pelo golo e pela assistência mas também pelo esclarecimento ao nível do passe e pela capacidade no transporte. Mak esteve muito em jogo, destacando-se pela explosividade. Criou alguns desequilíbrios, mas pecou na definição das jogadas. Weiss provou novamente que tem um talento muito acima da média. Sempre que recebe a bola podemos esperar um lance de génio, embora a inconsistência não o tenha deixado ir mais longe. Quem teve uma nota muito positiva foram as novidades no 11 eslovaco. Hubocan foi lançado para conter as investidas de Smolnikov e esteve seguro do lado esquerdo da defesa, e Duda, que jogou como avançado, apesar de não ser essa a sua posição de origem, foi muito inteligente nas movimentações e apresentou um excelente critério com bola, esperando por apoios. 

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