Golaço de Dier não chegou; Inglaterra domina mas cai nos descontos

Inglaterra 1-1 Rússia (Dier 73'; Berezutski 90+2')


A Inglaterra dominou, podia ter conseguido um resultado até expressivo, mas mais uma vez o "Karma" fez das suas, e não foi além do 1-1 frente à Rússia, resultado que deixa o País de Gales na liderança do grupo B. O ex-Sporting Dier num livre espectacular inaugurou o marcador, mas já nos descontos a Rússia conseguiu garantir um ponto. A equipa de Hodgson esteve melhor (a 1.ª parte foi mesmo de sentido único), teve várias oportunidades para marcar, mas a falta de definição no último terço a juntar a um erro ao cair do pano hipotecaram o triunfo. Já a Rússia, apesar de uma tentativa de reacção no 2.º tempo, apresentou pouca capacidade para contrariar o rival mas sai de Marselha com um precioso ponto.

Quanto ao encontro, a 1.ª parte foi toda da Inglaterra. Lallana proporcionou o 1.º momento de algum perigo mas Akinfeev defendeu para canto. Depois foram Alli e Smalling a estarem perto do golo, mas os lances não tiveram a devida sequência. Respondeu a Rússia na sequência de uma bola parada, com Hart a travar a cabeçada de Ignashevich. Mas estava melhor a Inglaterra e Walker, que entrou em grande, ofereceu um novo golo a Lallana, no entanto o extremo do Liverpool rematou ao lado quando estava em boa posição. Também Rooney e Sterling tiveram lances de potencial perigo mas, apesar do domínio claro dos ingleses, o nulo prevaleceu até ao intervalo. Na 2.ª parte, a Rússia conseguiu subir um pouco mais o bloco, aproveitando um baixar da intensidade dos ingleses e uma menor assertividade no passe. Smolov criou perigo, naquela que viria a ser a única oportunidade dos russos no encontro, num remate de fora da área. Do outro lado, a Inglaterra tentava chegar ao golo através do repentismo de Sterling, mas foi numa bola parada que Rooney testou a atenção de Akinfeev, num disparo ligeiramente por cima. Pouco depois, o capitão voltaria a estar perto do golo, mas o guardião adversário negou-lhe essa possibilidade com uma extraordinária intervenção. Aos 73 minutos, Eric Dier, um estreante nestas andanças, deu vantagem ao conjunto de Hodgson, na cobrança de um livre directo frontal. Até final, a Rússia tentou reagir e viria a conseguir a igualdade nos descontos. Schennikov despejou na grande área e o capitão Berezutskiy cabeceou por cima de Hart, fazendo o golo do empate.

Destaques:

Inglaterra - O Karma inglês subsiste. A equipa de Hodgson apresentou um bom nível de jogo (por momentos o melhor deste início de Europeu), com um bom funcionamento colectivo, quer na circulação quer na pressão, faltando apenas uma melhor definição dos lances já no último terço (várias “semi-oportunidades” que com outro discernimento/critério facilmente acabariam em chances claras de golo), mas no final, como tantas vezes ao longo da história, veio a decepção, com um empate que deixa um amargo sabor de boca. Ainda assim, há alguns motivos para acreditar que, com um melhor entrosamento que o passar dos jogos dará, esta selecção pode chegar longe. Individualmente, Walker fez um grande jogo, fartando-se de dar profundidade pelo corredor, não se limitando somente a aparecer na frente mas dando também boa sequência a essas subidas (tem 3 lances em que coloca colegas em boa posição para marcar), mas o grande nome da noite joga também no Tottenham, mas chama-se Eric Dier: o antigo jogador do Sporting juntou a uma boa prestação defensiva (forte nas coberturas e no corte) a capacidade no passe, culminando a exibição com um belo golo de livre. Também no meio-campo alinhou Rooney, que se destacou como organizador (joga bem em qualquer lado) e esteve perto do golo, ao passo que Sterling, que até começou bem, pecou demasiado ao nível da decisão. Na frente, Kane esteve apagado, talvez a acusar o desgaste da temporada.

Rússia - Um ponto que vale ouro, não só porque foi contra aquela que é, de longe, a equipa mais forte do grupo, mas também porque a equipa foi inferior durante a maior parte do desafio. Os homens de Slutsky iniciaram o jogo a serem claramente dominados, sem conseguir ligar o jogo e encontrar os criativos e, defensivamente, sofrendo com as combinações inglesas. Ainda assim, foram aguentando o nulo e foi já depois de uma fase em que os russos melhoraram que acabaram por sofrer o golo, tendo ainda assim coração e capacidade para chegarem ao empate. No plano individual, Akinfeev fez uma grande defesa a remate de Rooney mas depois não ficou bem no golo, já que a sua colocação e a da barreira não foram as melhores. Já o resto da defesa "made in CSKA" sofreu, por vezes, com o ataque inglês, mas com a sua experiência foram conseguindo "apagar os fogos", sendo que Berezutski acabou por conseguir ir à área rival marcar o tento do empate. No meio-campo, Shatov, depois de um primeiro tempo "desaparecido", recuou na segunda parte para pegar no jogo e conseguiu melhorar a fluidez do jogo russo, ao passo que no ataque Dzyuba, que por vezes vicia a equipa no jogo directo (é sempre uma tentação lançar logo quando ele está em campo), foi sempre um rival incómodo para a defesa inglesa, conseguindo receber de costas e permitir à equipa subir linhas.

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