Irlanda assusta mas França segue em frente; Griezmann brilhou; Deschamps perde Kanté e Rami para os quartos

França 2-1 Irlanda (Griezmann 58' e 61'; Brady 2' g.p.)

Foi mais difícil do que se previa, mas a França está nos quartos-de-final do seu torneio (à espera de Inglaterra ou Islândia). A equipa de Deschamps teve de puxar dos galões para seguir em frente, já que um penalty madrugador deu vantagem a uma Irlanda que, como sempre, deixou tudo em campo. Griezmann apareceu para resolver, sendo de destacar que a mudança de Deschamps ao intervalo, do 4-3-3 inicial para um 4-2-3-1, teve um papel decisivo para a reviravolta. Nota ainda para os amarelos vistos por Rami e Kanté, que os retiram da próxima ronda.

O jogo teve um clímax inicial inesperado: Pogba fez um penalty escusado e Brady deu vantagem à República da Irlanda. A França acusou o golo, tendo muitas dificuldades para criar perigo, apesar de uma reacção rápida. Mais à base de intensidade do que propriamente criatividade, os franceses lá foram ameaçando a baliza de Randolph, mas sem conseguir a igualdade. A Irlanda, que à partida já iria assumir uma postura mais expectante, juntou linhas e tentou a todo o custo evitar o golo francês, saindo quando havia uma janela de oportunidade. Lloris ainda teve de se aplicar para travar um remate de Murphy. Na segunda parte, tudo foi diferente. Deschamps retirou Kanté, já amarelado, e alterou o sistema, o que deu outra qualidade à equipa. Griezmann, após uma bela jogada, cabeceou para o empate e logo a seguir foi assistido de cabeça por Giroud. Bis do pequeno craque francês, que a seguir arrancou isolado e foi travado por Duffy. Com a Irlanda reduzida a 10 por expulsão do central, tudo ficou resolvido e a França só não alargou o marcador por alguma displicência.

França - Depois de uma péssima primeira parte, com um jogo muito atabalhoado, os gauleses apresentaram uma versão melhorada na etapa complementar e seguem de forma justa para os quartos. A mudança de Deschamps para um 4-2-3-1, com Pogba e Matuidi lado a lado e Griezmann com mais presença no corredor central, deu outra dinâmica aos anfitriões e permitiu a reviravolta. Ainda assim, colectivamente não foi uma exibição brilhante e individualmente há elementos em claro défice de rendimento. Pogba, por exemplo, fez uma péssima primeira parte, notando-se que estava afectado pelo lance do penalty. Complicou em demasia, sempre à procura de soluções individuais, algo que corrigiu na segunda metade, simplificando os processos. Payet, embora tenha sido dos mais activos, também não conseguiu apresentar o mesmo nível da fase de grupos. Desequilibrou, mas nem sempre tomou as melhores decisões. No meio campo, importa perceber se Deschamps vai apostar novamente num 4-3-3, com Cabaye no 11 devido à ausência de Kanté, ou se irá jogar num 4-2-3-1 com Matuidi (vai acrescentando pouco à equipa) e Pogba. Na frente, Giroud, não fosse a assistência de cabeça e teria passado ao lado do jogo. Griezmann, por outro lado, fez uma exibição espectacular e percebe-se que ganha imenso quando tem liberdade total para aparecer no corredor central.

Irlanda - Pena pelos fantásticos adeptos irlandeses, mas a equipa não tinha condições para ir mais longe. Chegar aqui já é um feito extraordinário. Ainda assim, o conjunto de Martin O'Neill, mesmo com óbvias limitações e sem um futebol muito elaborado, conseguiu, em alguns momentos, sair de forma apoiada para o ataque, criando alguns calafrios para Lloris. O golo madrugador veio reforçar a estratégia inicial, com os irlandeses à espera de desatenções francesas para transitar de forma rápida. Murphy manteve-se no 11, com Long a fazer um grande jogo como avançado mais móvel, tentando ligar sectores. Os médios Hendrick (um dos melhores da equipa no torneio) e McCharty estiveram maioritariamente preocupados com missões defensivas, sendo que foi sobretudo o primeiro a soltar-se e a tentar desequilibrar através do transporte. Brady mostrou novamente que é um jogador muito interessante, actuando da direita para o meio. Os centrais estiveram tranquilos enquanto tiveram uma referência mais estática como Giroud, mas na segunda parte, com mais movimentos de ruptura dos médios, desposicionaram-se com relativa facilidade, A expulsão acabou com o sonho da Irlanda em definitivo. 

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