Euro'2016: Os melhores jogadores, as surpresas e as desilusões até ao momento

Finda a fase de grupos do Euro 2016 é tempo de analisar aquilo que foi o desempenho dos principais intervenientes: os jogadores. Numa prova com características inéditas, na qual o aumento do número de seleções assegurou uma maior variedade de atletas em competição, nem todos se apresentaram ao mesmo nível. Assim, o VM elegeu as 3 principais surpresas, destaques e desilusões a nível de jogadores desta 1.ª fase.

Destaques
Gareth Bale (País de Gales): Três golos em tantos outros jogos e contributo decisivo para o extraordinário apuramento do País de Gales para os oitavos de final. Quer através de bola parada, quer fazendo uso da sua incrível rapidez, o britânico colocou “a cabeça em água” a todos os intrépidos defensores que ousaram tentar travá-lo, demonstrando possuir capacidade para levar a equipa “às costas” quando necessário. Um craque da cabeça aos pés.
Andrés Iniesta (Espanha): Classe no seu sentido mais puro? Denomina-se Iniesta. O prodígio espanhol está a comprovar definitivamente que os craques não se medem ao palmo, assistindo, passando, cruzando, fintando, deambulando, tudo com uma qualidade celestial. Aos 32 anos, o centrocampista do Barcelona mantém a preponderância na Roja, sendo cada vez mais óbvio que, se estiver a 100%, dificilmente será ofuscado.
Dimitri Payet (França): Surgia no Europeu com apenas 19 internacionalizações pela França, número curto para quem já conta com 29 anos, e duvidava-se mesmo que Deschamps lhe confiasse a titularidade. Porém, uma vez ultrapassada a fase de grupos ninguém contesta a importância que o atleta do West Ham tem para a sua seleção. Depois de ter dado os três pontos à nação Bleu no jogo inaugural com um tiro magistral, voltou a fazer “o gosto ao pé” na partida seguinte, ante a Albânia, e esteve perto de tornar a festejar perante a Suíça (nulo final), revelando que mantém intactos os dotes demonstrados na Premier League na derradeira temporada.

Surpresas
Elseid Hysaj (Albânia): A afirmação de um lateral impressionante. Após uma época interessante ao serviço do Napoli, o jovem de apenas 22 anos deu seguimento no Euro às boas exibições rubricadas em Itália, perfilando-se como um dos defesas mais promissores da Europa e uma das maiores esperanças para o futuro da Albânia. A sua seleção perdeu a possibilidade de continuar em prova, mas o Mundo ganhou um jogador a seguir com muita atenção.
Michael McGovern (Irlanda do Norte): Um muro humano. O guardião norte irlandês efetuou uma fase de grupos memorável, defendendo quase tudo o que era possível e tornando a sua seleção num obstáculo bem difícil de derrubar. Com apenas dois golos consentidos nas três primeiras partidas do Europeu (manteve a baliza inviolada contra a Ucrânia e sofreu somente um tento da campeã mundial Alemanha e da promissora Polónia), este guarda redes que alinha pelo modestíssimo Hamilton da Escócia e que, antes do Euro, só participara em 11 jogos pelo seu país, é, com justiça, uma das belas surpresas da edição de 2016 do maior certame continental de nações.
Ádám Nagy (Hungria): Do nada, um furacão indetetável irrompeu pelas hordes húngaras. Com uma maturidade muito acima da média (não fosse o aspeto franzino, questionaríamos se tinha mesmo acabado de completar 21 anos), o médio do Ferencváros vai encantando a Europa do futebol, colocando os clubes mais reputados do Velho Continente a enviar pessoal para assistir, in loco, o talento do jovem magiar. Numa seleção que tão bem utiliza a tática, as valências do médio que passou por Rio Maior são essenciais.

Desilusões
Hakan Çalhanoğlu (Turquia): O pé direito do jogador do Bayer Leverkusen não deixa ninguém indiferente mas, neste Europeu, foi incapaz de causar estragos. Após cumprir os 90 minutos no primeiro jogo, contra a Croácia, somou apenas 45 no duelo com a Espanha, não tendo sido sequer utilizado na derradeira e decisiva partida, frente à República Checa, espelhando bem uma passagem incólume por França, onde se esperava que fosse um dos destaques de uma seleção turca com aspirações gloriosas. Porém, tal como a Turquia, também o médio ofensivo desiludiu a grande nível.
Zlatan Ibrahimović (Suécia): A meia centena de golos apontados pelo sueco ao serviço do PSG ao longo da temporada deixavam “água na boca” aos adeptos nórdicos, que aguardavam ver um Zlatan exibir-se ao mais alto nível e capitaneando a sua seleção rumo a bom porto. Contudo, os números finais são arrasadores: o antigo jogador do AC Milan abandona França sem qualquer golo apontado (depois de fazer 11 durante a qualificação), despedindo-se das cores nacionais pela “porta pequena”.
David Alaba (Áustria): Culpa própria ou vítima das circunstâncias? Alaba foi “empurrado” para o meio campo ofensivo por Marcel Koller e os resultados estiveram longe de ser satisfatórios. Embora tenha entrado sempre a titular, raramente apresentou as qualidades que fazem dele um dos mais entusiasmantes jogadores do mundo, revelando uma falta de discernimento assinalável, não sendo hábil de contrariar o insucesso coletivo. Uma estreia nos grandes palcos de seleções para esquecer.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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