Euro'2016/selecções: As melhores, as surpresas e as desilusões até ao momento

Finda a fase de grupos do Euro 2016 é tempo de analisar aquilo que foi o desempenho das seleções na prova até ao momento. Numa competições com características inovadoras face aos anos anteriores, houve espaço para um pouco de tudo, com países a apresentarem resultados distintos. Assim sendo, o VM elegeu as 3 principais surpresas, destaques e desilusões a nível selecções desta 1.ª fase.

Destaques
Itália: Uma exibição pálida no último jogo da primeira fase ante a República da Irlanda (coroada com uma derrota por 1-0, que apura os britânicos) não anula o que foi feito pelos transalpinos nas duas partidas iniciais. Com um elenco inqualificavelmente inferior ao apresentado pela squadra em competições anteriores (e ainda se viu privada de dois dos seus principais elementos, Verratti e Marchisio), a ambição era reduzida, mas o triunfo sobre a Bélgica, uma das equipas com maior valia individual do certame, demonstrou que os italianos não estão em França apenas para “passear”. Os 6 pontos alcançados asseguram o primeiro lugar, que até acaba por ser mais negativo que o expectável (terão pela frente a bicampeã Espanha nos oitavos de final). Contudo, com vontade e esforço, está provado que o conjunto de Conte pode sonhar.
Croácia: Não é só por maus motivos que os croatas dão que falar neste Euro. Dentro do relvado, a seleção de Ante Cacic tem apresentado um futebol positivo, fazendo bom uso da qualidade do meio campo ofensivo. Com jogadores de craveira mundial como Modric, Rakitic e Perisic (impressionante o nível revelado pelo jogador do Inter), aos quais alia um sentimento de união incrível para um país da ex-Jugoslávia, a Croácia pode perfeitamente acreditar em chegar à final, levando como cartão de visita as vitórias ante Espanha (quebrando uma invencibilidade que recuava aos tempos de Nuno Gomes) e Turquia.
Polónia: Após prestações desinspiradas em 2008 e 2012, a Polónia surge em França como um dos principais destaques do Euro. Num grupo difícil, no qual os polacos confluíam com a campeã mundial Alemanha, Ucrânia e Irlanda do Norte, a seleção do leste conseguiu a façanha de somar 7 pontos (em todos os grupos, somente a Mannschaft, Croácia e França pontuaram tanto) lutando “taco a taco” pelo primeiro lugar até ao último instante. Na parte mais acessível do quadro, é bem possível que a equipa de Lewandowski e Milik prossiga rumo a uma final inédita.

Surpresas
País de Gales: Melhor era impossível. Após uma fase de apuramento fantástica, que permitiu a Gareth Bale fazer algo que Giggs nunca teve oportunidade de fazer – defender as cores nacionais numa prova de seleções - , os galeses continuam a surpreender. Num grupo teoricamente complicado, os comandados de Chris Coleman passaram com distinção, triunfando contra a Eslováquia e Rússia (excelente exibição) e só caindo perante a Inglaterra nos descontos. Beneficiando do talento de Ramsey, além do craque madrileno, os britânicos estão a contar um bela história.
Hungria: Foi necessário um play-off, frente à Noruega, para conquistar o bilhete para o Europeu mas nem parece que os húngaros são inexperientes nestas andanças. Depois de levar de vencida a Áustria, dois empates ante a Islândia e Portugal asseguraram à nação do centro do Velho Continente a passagem aos “oitavos”, e logo como vencedores do grupo. Apresentando um estratégia madura, na qual a “velha guarda” (Gera, Dzsudzák) é bem secundada por talentos jovens (Nagy à cabeça), a outrora potência mundial tem toda a legitimidade para aspirar a algo mais.
Islândia: Uma estreia de sonho. Os islandeses, autênticos underdogs numa competição com pesos pesados da mais alta valia vão surpreendendo constantemente. Quer pelo apoio fora das quatro linhas, quer pela alma que os jogadores revelam na disputa de cada lance, o país com meio milhão de habitantes merece o apuramento para os oitavos de final do Euro. É certo que fazer parte do grupo mais acessível da prova ajudou, mas não se pode retirar mérito ao trajeto da turma de Lars Lagerbäck.

Desilusões
Rússia: Péssimo indicador para o Mundial de 2018, a ser realizado em solo russo. A equipa orientada por Leonid Slutski revelou sempre uma ambição muito limitada, optando regularmente por uma estratégia pragmática e defensiva e acabou por se dar mal. Não obstante o empate na partida inicial, contra a favorita Inglaterra, as fracas exibições ante Eslováquia e Gales condenaram os de leste a uma saída prematura e dececionante do Euro. Há muito a ser pensado pela federação se o objetivo for ter uma prestação decente daqui a 2 anos.
Ucrânia: Os números são claros: a Ucrânia foi a pior seleção presente em França. Não tendo apontado nenhum golo e tendo sofrido 4, a nação cuja capital é Kiev abandona o Euro sem qualquer ponto atingido, não tendo tido capacidade para pontuar, sequer, com a Irlanda do Norte, para muito apontada como a mais frágil da competição. Com jogadores como Yarmolenko e Konoplyanka nas fileiras, aguardava-se muito mais de uma seleção que prometia lutar, no mínimo, pelo segundo posto.
Áustria: 4.º posto no grupo teoricamente mais fácil do Europeu e apenas 1 ponto alcançado: foram estes os resultados alcançados pela 10.ª classificada do Ranking FIFA. Contando com atletas de qualidade inegável (Alaba e Arnautovic destacam-se dos restantes), exigia-se aos austríacos que fossem, pelo menos, segundos nesta fase, mas ficaram muito aquém das expetativas. Ao todo, os austríacos foram vergados pelas inexperientes seleções de Hungria e Islândia, de nada valendo o empate conquistado frente a Portugal.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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