Croácia empurra a Espanha para o "quadro da morte"; Mor dá vida à Turquia

Incrível! A Croácia (clara candidata ao Ouro), mesmo tendo poupado vários titulares, surpreendeu a Espanha (que não perdia em Europeus desde a derrota frente a Portugal, com um golo de Nuno Gomes, 2004) e garantiu o 1.º lugar no grupo D, empurrando assim a campeã europeia para um duelo com a Itália e para uma parte do quadro onde já estão a Alemanha, França e Inglaterra. Del Bosque, talvez para evitar um confronto com a Itália, utilizou o melhor XI pelo 3.º jogo consecutivo, mas a La Roja apresentou-se sonolenta e ainda viu Sérgio Ramos desperdiçar um penalti; Noite também positiva para a Turquia, que, ao derrotar a Rep. Checa numa partida em que jovem Emre Mor esteve em destaque, chegou aos 3 pontos e já sabe que tem vantagem em relação à Albânia.

Croácia 2-1 Espanha (Kalinic 45' e Perišić 87'; Morata 7') - A Espanha bem queria o 1.º lugar mas a Croácia até se deu ao luxo de poupar para chegar à vitória. Numa noite em que a grande exibição de Silva contrastou com o menor fulgor de Iniesta e o desleixo de Ramos e De Gea apareceu um conjunto croata a demonstrar que é candidata. No que respeita ao encontro, a Espanha entrou melhor e chegou à vantagem depois de uma bela jogada a partir de trás, com Silva a desmarcar Fàbregas e este a picar a bola sobre Subasic, com Morata a confirmar em cima da linha. Logo de seguida quase que surgia o segundo, mas Nolito não desviou da melhor maneira um cruzamento de Silva. Na resposta, a Croácia dispôs de duas boas chances para empatar, primeiro num remate forte de Kalinic para boa defesa de De Gea e depois com Rakitic a aproveitar um erro grave do guarda-redes espanhol e a tentar um chapéu, mas com a bola a bater caprichosamente na barra e no poste. A La Roja reassumiu o controlo do jogo, com mais posse, e podia ter ampliado em dois lances, com Silva a testar Subasic e depois com Morata a não conseguir controlar a bola quando podia ficar isolado. Quando menos se esperava, surgiu o empate em cima do intervalo, com Perišić a cruzar e Kalinic, com uma excelente finalização (de calcanhar), a fazer então o 1-1. No segundo tempo, Morata deu o primeiro aviso, mas rematou torto após passe de Alba e na resposta foi Jedvaj a testar De Gea. Pouco depois, Pjaca, após queda na grande área, reclamou falta, mas foi a Espanha a ter oportunidade para desfazer o empate na marca de grande penalidade. Sergio Ramos, que minutos antes quase marcava de canto, bateu para o meio e Subasic, qual Beto, defendeu. A Espanha estava instável no jogo, e já aos 87 minutos, numa transição da Croácia, Perišić remata, a bola ainda desvia em Piqué, e entre pelo lado em que De Gea estava a cobrir. A Seleção espanhola ainda tentou responder, mas no último minuto David Silva viu um defesa cortar a bola quando esta ia entrar. DestaquesPerišić, autor do golo da vitória e do cruzamento para o primeiro tento croata, foi o homem do jogo, mas Pjaca, que foi aposta de início, também fartou-se de desequilibrar no outro corredor. Kalinic, também com golo e assistência, disse presente na ausência de Mandzukic, já no meio campo, Rakitic ainda acertou na trave e no poste num erro ridículo de De Gea, mas foi Badelj a impressionar. Srna voltou a mostrar a sua categoria na lateral direita e Subasic mostrou mais uma vez credenciais a defender grandes penalidades, pese embora o seu adiantamento. Do lado da Espanha, toda a defensiva mostrou deficiências que ainda não tinham mostrado na prova e, com Iniesta também a não acrescentar o usual, foi David Silva a liderar a Roja no ataque, mostrando muito critério com bola (o primeiro golo surge dos pés do esquerdino do Man City).

República Checa 0-2 Turquia (Burak Yilmaz 10' e Ozan Tufan 65') - Resultado que pode não chegar para servir as aspirações Turcas, mas que premeia uma selecção que soube explorar o momento do jogo a que se propôs, isto é, a transição. O domínio da partida foi consentido ao adversário, especialmente na 2.ª parte, mas a velocidade e a capacidade de desequilíbrio individual de Mor fez a diferença nos últimos metros. Quanto ao jogo, melhor início era impossível com a equipa de Terim a entrar praticamente a ganhar fruto de uma arranca do jovem prodígio Mor pela direita, conduzindo até à linha de fundo, para depois entregar em Yilmaz que não desperdiçou. Após o golo, a equipa recuou ainda mais, passou por momentos de aperto (algo desorganizada e a conceder muito espaço entre a linha defensiva e a linha média), tendo mesmo sido bafejada pela sorte à passagem do minuto 17, quando Sivok atirou ao ferro correspondendo a um pontapé de canto. Ainda no primeiro tempo, mais duas oportunidades que os Checos não souberam aproveitar, especialmente pelo desacerto de Kaderabek que não conseguiu capitalizar o espaço concedido na área contrária. Volvidos os primeiros 45 minutos, a receita foi a mesma, mais uma vez com Mor a carregar a equipa e a criar perigo com as suas diagonais a partir da direita que não culminaram em golo. O 2.º, e último tento, surgiu na sequência de um livre lateral de Inan, com Tufan a fuzilar Cech ao aproveitar uma sobra após a primeira intercepção do adversário. Até final, e sempre na busca dos golos que colocariam os Turcos numa posição favorável ao apuramento, o resultado não sofreu alterações e nem as mexidas de Terim surtiram efeito imediato. Destaques: É inevitável não falar no papel de Emre Mor no desfecho do jogo, ele que assumiu ela primeira vez a titularidade na competição, mostrando as credenciais de "Messi da Turquia" que lhe eram conhecidas. Fantástico no controlo de bola, no drible (corporal, muitas vezes sem ser necessário tocar no esférico), no entendimento do jogo (acelera quando é necessário, espera pelo apoio dos companheiros), pecando apenas na fase da finalização onde se nota alguma dificuldade em colocar potência no remate. Para além do júnior, destaque na equipa turca para a melhor exibição de Arda na competição que conseguiu ter mais importância no momento com bola, ainda que se note dificuldades físicas para se ligar ao jogo. No outro lado, ineficácia no primeiro tempo e incapacidade para furar a muralha Turca no segundo, sofrendo provavelmente com a ausência de Rosicky na criação de desequilíbrios através do passe. A melhor unidade da equipa foi Plasil (bem no passe e tentar resolver os problemas da equipa com a meia distância), contrapondo a Kaderabek (mal na definição no último terço), Necid (não conseguiu segurar jogo, tendo ainda perdoado no primeiro tempo) e para a Cech que, não tendo responsabilidade directa nos golos sofridos, foi batido em ambas as ocasiões no seu poste.

Etiquetas: