Alemanha vence ao ritmo de Kroos

Alemanha 2-0 Ucrânia (Mustafi 19' e Schweinsteiger 90'+2)

A Alemanha, com uma exibição que teve um pouco de tudo, entrou a vencer no Euro'2016 ao levar a melhor frente a Ucrânia. Os campeões do Mundo tiveram alguns momentos brilhantes, mas alternaram o domínio com fases em que demonstraram dificuldades no processo defensivo. Quem esteve sempre a um nível alto foi Kroos, que além da assistência encheu o campo com a sua categoria e enorme qualidade de passe. Também Khedira somou uma excelente exibição, mas o quarteto ofensivo, com Ozil, Gotze, Draxler e Muller, apresentou pouca clarividência. A Ucrânia, por sua vez, teve o mérito de encostar a 'Mannschaft' com um final de 1.ª parte impressionante, tendo somado, nesse período, ocasiões mais do que suficientes, para chegar ao empate, mas a ineficácia a juntar a um grande corte de Boateng deitaram tudo a perder.

Quanto ao encontro, a Alemanha entrou a dominar, no entanto pertenceu à Ucrânia a primeira grande oportunidade, com Neuer a defender um remate de Konoplyanka, logo aos 5 minutos. Aos 19' foi a vez da Mannschaft levar perigo e logo com um golo. Livre de Kroos exemplarmente batido e Mustafi aparece para fazer o primeiro, num excelente cabeceamento. A partir daí, a Ucrânia passou a dispor das melhores oportunidades, colocando-se por cima do encontro. Khacheridi testou Neuer com um cabeceamento dentro de área, Khedira ainda respondeu logo a seguir, mas o lance de perigo seguinte iria voltar a pertencer aos ucranianos, com Boateng a salvar em cima da linha (pouco depois marcaram mesmo, mas o golo foi bem anulado). No segundo tempo, Kroos (ao ferro) e Khedira continuaram ativos no remate, Müller e Özil (isolado perante Pyatov) estiveram mesmo perto de ampliar, mas uma falha de comunicação entre Mustafi e Neuer quase permitiu à formação de Mykhailo Fomenko fazer o empate de maneira fortuita. Já perto do final, Mustafi cortou uma bola longa da Ucrânia e a Alemanha aproveitou para fazer o segundo num contra-ataque letal. Özil é lançado em velocidade a partir do meio-campo e aproveita o mau posicionamento da Seleção de Leste para centrar, com conta peso e medida, para Schweinsteiger, que, acabado de entrar, finalizou para o fundo das redes.

Alemanha - Os campeões do mundo entram no Europeu a vencer, mas subsiste o misto de sensações com que chegaram a França. Por um lado, a equipa teve fases de claro domínio (sobretudo no início da primeira parte), nas quais mostrou capacidade para trocar a bola com fluidez e recuperar em zonas subidas, mas por outro permitiu que o adversário dispusesse de diversas ocasiões de golo (sobretudo no fim da primeira parte), evidenciando algumas carências defensivas já conhecidas. Individualmente, Neuer disse presente, com várias defesas de nível, ao passo que Mustafi abriu o marcador mas protagonizou algumas hesitações que poderiam ter custado caro. No meio-campo, Kroos esteve a um nível altíssimo, gerindo o ritmo de jogo, alternando passes curtos e longos sempre com bastante precisão, alguns deles para Khedira, que no seu papel de “todo o terreno” esteve muito em jogo, ainda que pecando na finalização. Mais à frente, Ozil pecou na definição (muito obcecado em assistir “pelo buraco da agulha”), ao passo que Draxler, Gotze e Muller estiveram algo imprecisos nas suas acções (a equipa precisa que subam um pouco o nível ao longo do torneio).

Ucrânia - Uma derrota a começar nunca é bom, mas a forma como a turma de Leste vendeu cara a derrota a uma das favoritas abre boas perspectivas para este Europeu. O conjunto de Fomenko colocou várias vezes a Alemanha em apuros no seu último reduto, faltando um maior acerto na finalização para conseguir chegar ao empate. Ainda assim, sendo o próximo jogo com a Irlanda do Norte, a Ucrânia tem tudo para vencer e colocar-se em boa posição para atingir os oitavos. No plano individual, Pyatov manteve a equipa ligada ao jogo, com excelentes intervenções, mas os melhores da equipa (e aqueles que podem fazer sonhar com uma bela participação) são, sem dúvida, Yarmolenko e Konoplyanka, elementos que juntam a técnica ao poder de drible e mesmo à tomada de decisão, pedindo por vezes outro acompanhamento por parte dos colegas para elevar o nível do colectivo. 

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