A fria e cínica Itália já está nos oitavos

Itália 1-0 Suécia (Éder 89')

A história do costume. A Itália fez pouco para ganhar, num jogo que teve raros lances perto das balizas, mas no fim lá conseguiu dar um pouco do seu veneno ao adversário e conseguiu 3 pontos que garantem o apuramento para os oitavos. Éder, através de uma iniciativa individual, fez o único golo do jogo em cima dos 90 minutos, sendo que, apesar da organização defensiva exemplar, a Squadra Azurra deixou muito a desejar no que toca à qualidade ofensiva. Já a Suécia melhorou comparativamente com o primeiro encontro, com algumas trocas promovidas por Erik Hamren, mas tem de vencer a Bélgica se quiser seguir em frente. 

O jogo foi bastante monótono, um dos mais aborrecidos do Europeu, tendo em conta a incapacidade das duas equipas de se aproximarem das balizas. A Itália manteve a postura que apresentou no primeiro jogo, mas a Suécia também não arriscou em demasia e o encontro foi maioritariamente disputado a meio campo. Buffon e Isaksson foram meros espectadores, algo que se manteve na segunda parte. Ainda assim, a oportunidade mais clara do encontro aconteceu quando Ibra desperdiçou um cruzamento da esquerda à boca da baliza, embora estivesse em posição irregular. Na recta final, a Itália acordou e ainda foi a tempo de garantir a vitória. O forcing final dos italianos quase deu frutos quando Parolo atirou à trave, mas pouco depois foi Éder quem disparou sem que ninguém o conseguisse travar. Belo golo do italiano. Foi pesado e injusto para a Suécia.

Itália - Não se pode esperar exibições deslumbrantes dos italianos, mas com esta qualidade defensiva e muita eficácia é preciso contar com eles. Frente a um adversário que não se expôs tanto como a Bélgica, a Squadra Azurra sentiu mais dificuldades para criar ofensivamente, até porque a qualidade individual não é propriamente assombrosa. Os médios estiveram pouco activos na construção (Bonucci destacou-se novamente pela capacidade de passe) e não houve a mesma capacidade de ligação com os homens da frente em comparação com o que aconteceu no jogo anterior. Foi precisamente isso que aconteceu na recta final, com Giaccherini e Parolo mais soltos, com outra chegada ao ataque e a criar superioridades com os alas. O médio do Bolonha foi mesmo um dos melhores em campo, primeiro com missões mais defensivas, depois com a criatividade e qualidade técnica que o distinguem. Éder acabou por ser o homem do jogo, mesmo que tenha estado mais discreto do que na primeira partida. Incansável, dando sempre mobilidade ao ataque. Candreva esteve eficaz, sem ser vistoso, ao passo que Florenzi, a novidade no 11, também cumpriu. A linha defensiva, para não variar, esteve impecável, anulando com relativa facilidade o ataque sueco.

Suécia - Certamente uma das principais desilusões do Euro. Não há princípios de jogo nesta equipa e o facto de ainda não ter rematado à baliza em dois jogos é dramático. A presença de Ibra não tem ajudado e, apesar de se dar muito ao jogo, está longe de fazer a diferença. Hamren lançou Guidetti, mas o avançado, para além de alguma agressividade em comparação com Berg, pouco deu ao jogo. O meio campo funcionou melhor, apesar de tudo, com Ekdal a dar algum critério e a justificar a titularidade. Por outro lado, Kallstrom continua a exagerar nos chutões sem nexo, prejudicando o futebol da equipa. É mais um problema do que uma solução nesta altura. Forsberg tentou agitar, estando bem melhor do que na primeira partida, mas é muito pouco para uma equipa com algumas ambições. Destaque para Lindelof, desta vez a fazer o jogo todo como lateral direito, saindo com nota positiva, embora seja notório que é como central que é muito acima da média. 

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