Vitamina K

Mais difícil do que enfrentar montanhas, é enfrentar os nossos medos. E por vezes, perante tamanho medo e nervosismo, o homem consegue superar-se e provar a si mesmo que é mais forte do que julgava ser.

11 de maio de 2013, o Benfica desloca-se ao Dragão para disputar a penúltima jornada do campeonato. Podia sagrar-se campeão, e aos 90 já se respirava de alívio na bancada. Mas naquele que seria um final tão trágico como épico, Kelvin deitou por terra os sonhos da águia, e fez ajoelhar Jesus. Os portistas, uma semana depois, viriam a confirmar o seu vigésimo sétimo título de campeão nacional. Enquanto os encarnados, enfrentaram as duas semanas mais negras de que há memória. À derrota no Dragão, seguiu-se a derrota inglória em Amesterdão. O Benfica via fugir dois Títulos aos 90+2, e quando não parecia poder piorar, o Vit. Guimarães conquista a Taça no Jamor. E a época fica no quase…

Poderia ter-se mantido assim, mas 3 anos depois (quase) tudo mudou. Fazendo um balanço do pós-Kelvin, os papéis inverteram-se, e Benfica e FC Porto trocaram de lado.

Após o desfecho de 2012/13, o Benfica realizou uma época de 2013/14 fantástica, conquistando tudo a nível interno, tendo eliminado o FC Porto da Taça de Portugal (aquele golo decisivo de André Gomes, quando a equipa jogava com 10) e da Taça da Liga. No ano seguinte, deu-se o bicampeonato dos encarnados, sendo o ponto alto desse percurso a vitória por 0-2 em pleno estádio do Dragão. Nesta última época, assistimos a um FC Porto mais forte nos duelos com o rival, tendo vencido os dois jogos que ambos disputaram, porém essas vitórias de nada valeram aos azuis e brancos na luta pelo título, tendo acabado a 15 pontos do eterno rival.

Depois da época de 2012/13, o Benfica conquistou 7 dos 10 troféus Nacionais que disputou (podendo chegar aos 8 em 12, caso vença a taça da liga), por seu turno, o FC Porto conquistou somente 1 em 10 (podendo chegar aos 2 em 12, caso vença a Taça de Portugal). Quanto a Kelvin, regressou ao Brasil para tentar relançar a carreira, nunca tendo conseguido afirmar-se na equipa principal dos azuis Brancos. Já o conjunto azul a branco, não mais voltou a sagrar-se campeão nacional desde então, sucederam-se os treinadores, multiplicaram as contratações, e a glória de outros tempos parece distante.

Não há como esquecer o golo do Kelvin, portistas não querem e benfiquistas não conseguem, épico para uns e traumático para outros. Se no caso dos azuis e brancos, houve relaxamento após o mesmo, no caso dos encarnados houve vontade de provar que conseguiam fazer melhor.

Os fantasmas do passado existem, mas deixaram de ser evidentes, facilmente um benfiquista se recorda daquele momento, “2013 all over again”, porém, lembrar-se-á igualmente que desde então muita coisa mudou, a estabilidade no clube da Luz é cada vez maior, e a equipa demonstra ter um caráter forte e uma mentalidade vencedora. Como tal, convém sublinhar que o clube aprendeu com os erros, corrigiu as falhas e potenciou ainda mais as qualidades que tinha, estando o resultado à vista de todos.

Com uma boa dose de vitamina K, o Benfica construiu um tricampeonato.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Gil Novo

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