Os craques a seguir no Europeu sub-17; Portugal tenta quebrar jejum

Decorre de 5 a 21 de Maio, no Azerbaijão, a 15.ª edição do campeonato da Europa sub-17, prova que valeu a Portugal o último título colectivo conquistado no futebol, já em 2003. Num escalão em que a selecção nacional tem tido dificuldades nos últimos anos (nos 10 torneios anteriores, contamos apenas com duas participações), que se repercute frequentemente na não participação em mundiais do escalão, a edição deste ano não garante passaporte para o dito mundial. Ainda assim, e num ano recheado de competições para as selecções nacionais, não deixa de ser positiva a participação da geração de 99 neste torneio, em especial pelo acréscimo de competitividade que dá aos jogadores, assim como dimensão mediática nacional e internacional (Neves e Sanches participaram no europeu de 2014, sendo que o portista passado uns meses integrou logo o plantel principal do FC Porto). 

Dessa forma, a caminhada desta equipa ficou marcada por duas fases de qualificação, superadas categoricamente com apenas uma não vitória frente à Inglaterra (empate a uma bola), tendo revelado uma abundância de opções para algumas posições (em especial no meio-campo), algo que contrasta com um déficit no lugar de extremo. Mas, nem só de talento superior se faz esta geração, já que, comparativamente a algumas passadas, são vários os seus elementos que competem num escalão superior ao sub-17, o que nivela com o que acontece nos países mais fortes: Diogo Costa actua nos sub-19, tal como Diogo Queirós (companheiros de equipa no Porto), Rúben Vinagre soma convocatórias na equipa de reservas do Mónaco, Diogo Dalot, embora tenha acabado a época nos Juvenis do Porto, esteve durante grande parte da temporada nos Júniores, enquanto que os Benfiquistas João Filipe e José Gomes não sabem o que é jogar no seu escalão. Para além destes, o central ex-Benfica Luís Silva tem hábitos de sub-21 no Stoke City, ao passo que Rafael Leão ou Luís Maximiano estão também num patamar superior ao da sua idade biológica. Todo este processo, que o próprio seleccionador aproveitou para elogiar, assegurando que lhe dá mais condições para o seu trabalho (é perfeitamente natural que, ao colocar mais dificuldades aos jogadores no seu processo de evolução, ao voltarem a enfrentar adversários da sua idade, tenham outro tipo de facilidade ) mostrou uma selecção muito madura para o dito escalão, o que pode ser um factor diferenciador na fase final. 

Jogadores chave na campanha da selecção nacional:
Diogo Costa - Se há posição que dá garantia ao seleccionador é a de guarda-redes. 3 jogadores (Costa, Maximiano e Virgínia) que têm diferenças mínimas actualmente, com o Portista a assumir a titularidade. A melhor notícia da época foi ter trabalhado com a selecção olímpica, mas agora volta ao seu escalão onde pode mostrar aquilo que está a ser a sua época: qualidade a jogar com os pés e rápido a sair dos postes. 
Diogo Queirós - Os capitães das selecções jovens nacionais costumam estar no centro da defesa (Tiago Ferreira, Paulo Renato, Rúben Dias, Nuno Reis etc) - que infelizmente não conseguem passar esse perfil para o futebol profissional -, o que nesta ocasião não é excepção. O patrão da linha defensiva é uma das revelações da época, afirmando-se na equipa júnior dos dragões, onde tem deixado de forma clara os seus atributos: elegância e facilidade na construção, um perfil demasiado limpo ao abordar os lances, revelando algumas fragilidades no deslocamento e velocidade, o que neste escalão não deverá ser impedimento para fazer uma boa competição. 
Miguel Luís - À frente de Florentino na posição 6 estará o médio do Sporting, filho de Nuno Luís (antigo jogador da Académica), que é provavelmente o jogador mais regular do campeonato nacional sub-17. Com características interessantes para a posição 8 - chegada à área, competência na finalização, bom perfil de decisão e agressividade positiva sem bola -, o jovem peca nas dificuldades que tem no transporte e, juntamente com Quina, pode ser importante a municiar o trio da frente. 
João Filipe - O jogador mais criativo entre os convocados. Chega à competição com o estatuto de craque desta geração (melhor marcador, entre todas as equipas, da fase de qualificação), pese embora tenha tido uma época com sobressaltos. As lesões, associadas a um colectivo com pouco rendimento, não lhe permitiram uma grande época, mas tem agora a oportunidade de acabar com outro brilhantismo. 
José Gomes - Um dos avançados mais cotados no futebol de formação em Portugal. Não acusou a transição para o escalão de júnior (tem idade juvenil), somando até ao momento mais de 30 golos na temporada. Grande parte da campanha da selecção nacional estará dependente do rendimento do avançado do Benfica e não será surpresa se sair do torneio entre os melhores marcadores. No seu estilo de jogo, é de destacar a maior competência dentro da área, do que fora dela e uma postura corporal pouco ortodoxa (utiliza pouco os braços e transmite uma atitude não muito pró-activa no jogo). 

Além dos Portugueses, e sabendo de antemão o viveiro de talentos que é um torneio desta natureza, vale a pena acompanhar a competição de jogadores como: Andre Dozzell (médio Inglês que já se estreou na equipa A do Ipswich, inclusive marcando no Championship), Antoine Bernede (França/PSG), Donyell Malen (avançado/extremo do Arsenal que já vem cotado dos tempos do Ajax), Andrea Pinamonti (Itália/Inter), Dejan Joveljic (goleador da Sérvia), Manuel Morlanes (Espanha/Villarreal), Moise Kean (Itália/Juventus), Baxmann (talvez o mais decisivo na qualificação Alemã), Dadashov (avançado germânico de origem Azeri), Reiss Nelson (Inglaterra/Arsenal), Rafik Guitane (França/Le Havre), Matthijs de Ligt (Holanda/Ajax) e Zinho Vanheusden (Bélgica/Inter).

Grupo A: Escócia, Azerbaijão, Bélgica, Portugal 
Grupo B: Áustria, Ucrânia, Alemanha, Bósnia e Herzegovina 
Grupo C: França, Inglaterra, Dinamarca, Suécia 
Grupo D: Espanha, Itália, Holanda, Sérvia

VM Scouting: João Magalhães

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