Os 10 maiores “comebacks” de 2015/16

Chegados ao fim de (mais) uma grande temporada futebolística, é hora de analisar o desempenho dos principais intervenientes: os jogadores. Num ano marcado por revelações, confirmações, desilusões e “flops”, também houve espaço para atletas que se voltaram a destacar, após um ou mais anos “desaparecidos”. Assim sendo, estes foram os 10 maiores “comebacks” de 2015/16.

Chicharito: Até se apresentou a bom nível na temporada passada, ao serviço do Real Madrid (apontou 9 golos, marca razoável tendo em conta a sua condição de suplente, e alguns deles foram essenciais), mas nada que se compare à sua prestação este ano. Ao todo, o mexicano, com a sua rapidez, eficácia de movimentos e capacidade de decisão e finalização, foi responsável por 26 golos (em 40 partidas) do Bayer Leverkusen, deixando a sua marca em quase todas as competições que disputou (faltou “picar o ponto” na Liga Europa mas destacou-se com 5 tentos na fase de grupos da Champions). Numa época algo agridoce para os “farmacêuticos” (apesar do 3º lugar na Bundesliga, falharam em todas as restantes provas), a veia goleadora do ex-Manchester United revelou-se decisiva, tanto mais que foi, por larga margem, o principal artilheiro da equipa.

Lass Diarra: Parecia acabado para o futebol de topo e muitos se opuseram à sua vinculação ao Marselha, mas termina a temporada no onze do ano da Ligue 1 e convocado para o Europeu, algo impensável há um par de meses atrás. Após um ano sem jogar (o Lokomotiv, clube com o qual se envolveu num imbróglio, recusou a sua libertação contratual), o centrocampista efetuou uma das melhores temporadas da carreira, fazendo recordar o Lass dos tempos do Portsmouth e do Real Madrid, participando em 31 jogos (segundo melhor registo pessoal) e sendo o autêntico motor de uma equipa de baixa rotação (o emblema do sul de França foi uma das deceções da época). Recuperado o “pulmão” que lhe era reconhecido, será difícil ao OM segurar o seu camisola 10.

Ángel Di María: A prova de que nem sempre as estatísticas espelham o real desempenho dos jogadores. O internacional argentino terminou 2014/15 com registos assinaláveis (quedou-se em terceiro lugar na lista dos jogadores com mais assistências na Premier League), mas ficou muito aquém do esperado e não convenceu o exigente Louis van Gaal, pelo que a sua saída não surpreendeu os adeptos dos “Red Devils”. Contudo, no PSG, foi capaz de se transfigurar, recuperando-se a melhor versão daquele que foi um dos principais destaques da “Décima” madridista. Finda a temporada, o camisa 11 não só marcou presença no onze do ano da Ligue 1, como ainda apresentou números extraordinários (15 golos no total – melhor de sempre – e melhor assistente do campeonato, igualmente com 15) sendo que, desta vez, com tremenda qualidade exibicional a acompanhar.

Mario Gómez: Há motivos para exultar; o goleador adormecido finalmente acordou! O atacante alemão rubricou uma época inacreditável, atingindo os 29 golos, 27 dos quais no campeonato, que lhe garantiram o prémio de máximo artilheiro da prova e que se revelaram imprescindíveis para o triunfo do Beşiktaş, que se sagra campeão pela primeira vez desde 2008/09. Não é a primeira vez que o internacional pela Alemanha atinge tais números (até superou estes, quer no Estugarda, quer no Bayern), mas nos anos recentes ficou sempre abaixo das expetativas, não indo além dos 14 tentos nas duas últimas épocas, ao serviço da Fiorentina (as lesões também não ajudaram, se bem que tinha obrigação para fazer mais, pelo menos no segundo ano), pelo que é de saudar o regresso à boa forma. Agradece Joachim Löw, que o incluiu na curta pré-eliminatória para o Euro, na esperança de que o avançado de 30 anos mantenha o registo finalizador: 7 tentos nas derradeiras 6 partidas.

Ilkay Gündogan: Não tem sido fácil a carreira do atleta nascido em Gelsenkirchen há 25 anos. Apesar do indiscutível talento que o precede, as lesões teimam em fustigá-lo, obrigando-o a parar com frequência (só fez 3 jogos em 2013/14 e, pese os 33 efetuados no ano passado, esteve regularmente diminuído fisicamente). Esta época, porém, foi de viragem em Dortmund. Além da alteração do treinador, diversos jogadores conheceram uma “segunda vida” estando, entre eles, Gündogan, que surgiu a bom ritmo esta temporada, fazendo valer a sua qualidade de passe e, finalmente, revelando alguma frescura física para cumprir uma época completa. Entretanto, sofreu novo revés, com uma lesão no joelho, retirando-lhe a possibilidade de ser convocado para o Europeu (isto depois de também ter falhado o Mundial de 2014 por motivos semelhantes), notícia obviamente lamentável, pelo que o centrocampista poderia oferecer à Mannschaft.

Ben Arfa: Que tinha potencial para causar “estragos” no Nice, ninguém duvidava, mas teria “cabeça”? Após épocas a fio em que foi do melhor (exibições fantásticas, golos, momentos mágicos) ao pior (individualismo exacerbado dentro de campo, polémicas fora dele) num curto espaço de tempo, Ben Arfa procurava reaver o prestígio que havia perdido nos anos anteriores, e conseguiu-o. Na Ligue 1, realizou 34 jogos, apontou 17 golos (nunca antes atingira mais que 8) e, colocando o seu virtuosismo a favor da equipa (ainda fez 6 assistências), foi fulcral para a obtenção de um impressionante 4º lugar (a Champions ficou a 2 pontos). Embora não venha a marcar presença no Campeonato da Europa, foi um dos 3 únicos elementos não pertencentes ao PSG que marcaram presença no XI do ano da Liga Francesa e já se veicula uma transferências para um clube mais reputado.

Erik Lamela: Não raras vezes, o grande problema dos sul-americanos na Europa é a adaptação. Pois bem, Lamela até se integrou adequadamente no primeiro contacto com o futebol do “Velho Continente”, tendo impacto imediato na AS Roma, mas fracassara em Inglaterra (transacionado em 2012/13, por 30 M€), ao serviço do Tottenham, exibindo-se a um nível muito reduzido nas duas últimas épocas. Porém, este ano deixou definitivamente para traz o epíteto de “flop”, encantando White Hart Lane e tornando-se numa peça crucial para Mauricio Pochettino (realizou 44 partidas, apontou 11 golos e deu 9 a marcar). Para fechar em grande, está pré-convocado para a Copa América e, pese a qualidade da concorrência, tem condições para figurar na lista final de “Tata” Martino.

Filipe Luís: Uma experiência infeliz no Chelsea (foi contratado para ser suplente e nunca atingiu mais que essa posição) pode tê-lo desvalorizado, mas uma nova temporada comandado por Diego Simeone voltou a colocá-lo no topo dos melhores defesas esquerdos do globo. Depois de apenas ter efetuado 26 jogos em 2014/15, termina esta temporada com 44, voltando a primar pelo rigor e valia defensiva, encaixando-se perfeitamente no sistema do Atlético de Madrid, onde rapidamente conquistou o lugar a Siqueira. Renascido no Vicente Calderón, é de supôr que aumente o assédio pelo internacional brasileiro (ainda para mais quando escasseiam laterais de nível mundial), veremos se decide permanecer onde tão bem se sente.

Bacary Sagna: Tomou uma opção controversa na época passada, ao decidir abandonar a titularidade no Arsenal para ser suplente de Pablo Zabaleta no Manchester City mas, após esta época, parece ter sido a escolha mais acertada. De facto, o francês apresentou-se a um nível elevadíssimo, não dando hipóteses à concorrência (enquanto na temporada transata apenas alinhou por 16 ocasiões, este ano realizou quase o triplo dos jogos – 45) e demonstrando que a idade é uma questão insignificante (conta com 33 anos). Guardiola, treinador dos citizens a partir de 2016/17, terá aqui uma boa “dor de cabeça”.

Fernando Torres: Para finalizar o tema, nada melhor que “el niño” Torres. Depois de uma autêntica “travessia no deserto” (entre 2010 e 2015, o espanhol fez, nos clubes que representou, 234 jogos mas somente 61 golos – um a cada quatro partidas), o espanhol renasceu na segunda metade da época que agora termina, tornando-se num elemento chave para Simeone e o ponta de lança que Jackson, na primeira fase do ano, não conseguiu ser. Tendo aparecido quando a equipa mais precisava (na reta final), o “colchonero” apontou 7 tentos nas últimas 11 vezes em que foi chamado ao onze, apresentando-se a “todo o gás” para a final da Liga dos Campeões, contra o grande rival. Indubitavelmente, uma das bonitas histórias de 2016.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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