Os 10 flops da época a nível internacional

Chegados ao fim de (mais) uma grande temporada futebolística, é hora de analisar o desempenho dos principais intervenientes: os jogadores. Num ano marcado por revelações e confirmações, também houve espaço para os “flops”, elementos de quem pelo que custaram, pela expetativa criada à sua volta e pelo que haviam demonstrado no passado se exigia mais. Considerando esses fatores, estes são os 10 maiores “flops” da época.

Luiz Adriano: Pode nunca ter sido um ponta de lança de topo, mas Luiz Adriano sempre apresentou números fiáveis (46 golos marcados nas duas últimas temporadas) e foi com essa garantia que o AC Milan avançou para a sua compra, por valores razoáveis (7 M€). Havia em San Siro a consciência de que o ex-Shakhtar não seria um novo Shevchenko, mas ninguém queria acreditar que se viesse a tornar num elemento tão insignificante e preterível. Chegados ao final de 2015/16, o avançado apresenta registos dececionantes, com apenas 6 golos apontados em todas as competições, sendo que, desde 1 de dezembro, só festejou por uma ocasião. Depois de em janeiro quase ter sido transferido para a China, espera-se que saia de vez no mercado de verão. E não deixará saudades.
Christian Benteke: Foi contratado por um valor elevadíssimo (46,5 M€) mas ninguém duvidava de que iria ter impacto imediato num Liverpool que via o seu único atacante acima da média (Sturridge) constantemente lesionado. Pois bem, 10 meses após o anúncio da sua transação, poucos são os que ainda acreditam no potencial do internacional belga. Após três temporadas a grande nível no Aston Villa (49 golos nesse período, sendo que até era o titular da sua seleção), esperava-se que Benteke correspondesse em Anfield Road, que se assumisse como ponta de lança referência de um clube tão histórico. Porém, e apesar de até ter sido o jogador cujos golos mais pontos valeram aos “Reds”, acaba a época com apenas 10 golos no cartório, pior registo individual desde que “aterrou” em Inglaterra, ficando, inclusivamente, na retina várias oportunidades flagrantes que desperdiçou no decurso do ano desportivo. 
Memphis Depay: Chame-se Memphis ou Depay, certo é que o extremo holandês parecia ter todas as condições para deixar marcar indelével em Old Trafford: virtuosismo, rapidez, explosão e golo, muito golo (melhor marcador da Eredivisie edição 2014/15, com 22 tentos). Porém, o talentoso holandês ainda não conseguiu justificar os 30 M€ investidos na sua aquisição. Apesar de ter revelado possuir uma qualidade futebolística muito acima da média, continua a optar por uma postura individualista, tendo mesmo levado ao desespero o seu timoneiro, Louis van Gaal. Depois de um início prometedor (que parece, agora, ter sido apenas “fogo de vista”), o internacional pela “Laranja Mecânica” afundou-se no banco de suplentes, sendo escalado para o onze inicial somente 2 vezes nas últimas 11 ocasiões em que foi convocado.
Edin Dzeko: O mercado de transferências de verão foi positivo para a AS Roma. Além de segurarem os principais jogadores, os romanos reforçaram-se com nomes de “peso”, destacando-se Salah (grande reta final na Fiorentina) e, principalmente, Edin Dzeko, naquele momento um dos avançados mais pretendidos do mundo. O bósnio, que em 2013/14 havia sido absolutamente essencial na conquista da Premier League, saía do Manchester City após uma temporada menos conseguida (6 golos apontados) mas prometia ser o ponta de lança referência pelo qual os “giallorrosi” ansiavam. Contudo, o ex-Wolfsburgo esteve longe de encantar o Olimpico, demonstrando uma displicência e lentidão que lhe eram desconhecidas, de nada valendo a mudança de treinador (Luciano Spalleti substitui Rudi Garcia a meio da temporada). Contas feitas, pese ter tido oportunidades mais que suficientes (realizou 39 jogos), Edin não foi além do pobre registo de 10 tentos. Pouco para um atacante de classe mundial.
Stefan Jovetić: Pensava-se que se juntava o útil ao agradável: Jovetić precisava de recuperar o nível que o tornara num dos melhores da Serie A e o Inter necessitava de um “craque” para acompanhar Icardi no ataque, mas nesta fase poucos são os que ainda consideram tal afirmação como verdadeira. O montenegrino, vindo de uma má experiência no Manchester City, até começou bem a temporada (3 golos nos dois primeiros jogos) mas, à imagem dos “neroazzuri”, foi decaindo ao longo da mesma, finalizando 2015/16 com registos aquém do esperado: 28 partidas disputadas (somente 18 a titular) e 7 golos. Não tivesse o conjunto milanês uma cláusula de compra obrigatória (no valor de 15 M€) e o mais provável seria Stefan regressar a Manchester.
Geoffrey Kondogbia: Foram necessários 35 M€ para o Inter de Milão resgatar o médio francês ao Monaco mas, volvidos 10 meses, é óbvio que o valor foi claramente inflacionado. Kondogbia rubricou excelentes exibições na temporada transata no principiado, destacando-se nas partidas da Liga dos Campeões (quem não se recorda do jogo contra o Arsenal?), pelo que se esperava um enquadramento rápido e efetivo no modelo de Roberto Mancini. Além do mais, a corrida pelo gaulês foi ganha ao rival AC Milan, tornando-o motivo de destaque. No entanto, a época decorreu abaixo das expetativas, com o ex-Sevilla a realizar apenas 26 partidas na Serie A (30 no total) e, acima de tudo, a não conseguir replicar o “pulmão” e o discernimento revelado no Monaco. Embora seja jovem e tenha potencial para evoluir (e “explodir” em 2016/17), exigia-se impacto imediato a alguém que fez mover tanto dinheiro.
Jackson Martínez: Apresentou-se em Madrid com um excelente cartão de visita (92 golos em três temporadas no FC Porto) mas saiu sem deixar saudades. Assim se pode descrever, em poucas palavras, a curta passagem de Jackson pelo futebol espanhol, uma total desilusão. Visto como digno sucessor, com um ano de atraso, de Diego Costa, o atacante colombiano até teve um início interessante, marcando logo na segunda partida oficial (triunfo 0-3 em casa do Sevilla), mas rapidamente perdeu a confiança de Simeone. De facto, o “cha cha cha” apenas completou os 90 minutos por duas ocasiões, algo que atesta bem a dúvida que o técnico argentino tinha acerca dele. Em janeiro, a proposta de 42 M€ do Guanzhou Evergrande foi prontamente aceite pelos “colchoneros”, conseguindo vender, com lucro, um dos flops da época, responsável por apenas três da sua equipa.
Bastian Schweinsteiger: Por esta hora já se deve ter arrependido de ter abandonado o seu clube de sempre. Aos 31 anos, o centrocampista alemão decidiu mudar de ares, após 13 anos na equipa principal do Bayern Munique. Van Gaal, que já o havia orientado (com sucesso) na Baviera, acreditava ter em Schweinsteiger um elemento que estava em falta no plantel, um médio portentoso, experiente, que poderia acrescentar ainda mais qualidade aos “Red Devils”. No entanto, o germânico foi apenas mais um dos diversos médios incapazes de inverter a situação e a época desastrosa do Manchester United, fechando 2015/16 com o menor número de golos concretizados na sua carreira (apontou 1) e com o terceiro menor número de partidas efetuadas (31, inferiores apenas a época passada e a de 2002/03). Com todos estes dados, surpresa será a sua continuidade em Manchester.
Lucas Silva: Foi um “reforço bomba” que não explodiu. Contratado a título de empréstimo ao Real Madrid, onde realizara 9 partidas na segunda metade da época passada (só chegou em janeiro ao Santiago Bernabéu), Lucas Silva era visto como o médio ideal para o Marselha, ficando os “merengues” na expetativa de uma evolução consistente (um pouco como sucedeu com Casemiro no FC Porto). No entanto, nada disso se concretizou. O brasileiro nunca foi capaz de segurar o meio campo dos marselheses, errando em demasia e colocando em perigo constante a sua equipa. É certo que o ambiente não ajudou (péssima época do emblema francês), mas exigia-se maior critério e qualidade ao ex-Cruzeiro que, após uma parte inicial da época em que foi titular absoluto, perdeu tal estatuto sendo que desde 8 de novembro apenas foi chamado ao onze inicial por 5 vezes. 
Arda Turan: Um jogador que parecia ter tudo para se integrar adequadamente no Barcelona (intensidade, qualidade de passe, de transporte, possibilidade de jogar no meio-campo ou ataque) mas que simplesmente não o fez. Reforço confirmado em julho do ano passado (por 34 M€), Arda Turan apenas pôde ser inscrito nos “culés” em janeiro, pelo que se aguardava uma boa resposta por parte do turco, em consequência de 5 meses sem alinhar a ritmo competitivo. Contudo, o ex-Atlético de Madrid não foi capaz de transportar para a Catalunha a genialidade que demonstrara no Vicente Calderón, sendo óbvio o desentendimento em campo com os colegas, passando de habitual titular (nos 8 primeiros jogos desde a sua inscrição, marcou presença no onze inicial em 6) a suplente (somou 73 minutos nas derradeiras 6 partidas). Até poderá exibir-se a grande nível em 2016/17, mas este ano foi uma total deceção.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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