O avançado dos jogos grandes

Os golos não são tudo num avançado, mas, tendo em conta o objectivo primordial do jogo, assumem uma preponderância inquestionável. Deste modo, as grandes equipas costumam formar-se em torno de um grande bombardeiro, aquele elemento que diz presente nos momentos mais difíceis e nas partidas mais complicadas, tranquilizando os adeptos com a sua grande capacidade de finalização. Em Portugal, esse homem é Islam Slimani. O argelino, que até aos 23 anos não era sequer profissional, aterrou em Alvalade por apenas 300 mil euros e, numa prova de que o valor da transferência nem sempre diz tudo, tornou-se num ídolo da bancada verde e branca. Um ícone pela sua entrega, pela sua capacidade física, pelo seu instinto. Na presente temporada, 30 é o número. O número de tentos Slimani, 26 dos quais na Liga, o grande objectivo do clube. É fácil de verificar o aumento de produtividade em relação às duas épocas anteriores, isto após a direcção lhe ter renovado o contrato, em Agosto, até 2020. 10 golos no ano de estreia, 15 no ano desportivo transacto e 30 em 2015/16. A marca dobrou e ainda há duas partidas para disputar. Por outro lado, importa ainda realçar outro factor, isto é, a especial apetência do argelino para facturar nos chamados “jogos grandes”. Este ano, a principal vítima foi o FC Porto, que foi derrotado por duas ocasiões com quatro golos do dianteiro dos leões. Ao todo, em três anos de leão ao peito, Slimani marcou por 5 vezes aos dragões, tendo ainda atirado de forma certeira 4 vezes diante do Benfica. Para aqueles que já incluem o Sp. Braga neste lote, poderíamos ainda somar os seus 5 tentos aos bracarenses, um dos quais na célebre final da Taça de Portugal de Maio último, que lhe permitiu conquistar o primeiro troféu em solo luso. Na luta pelo título individual de melhor marcador do campeonato, há uma diferença de cinco golos para Jonas que é praticamente inalcançável. Contudo, numa comparação directa com o brasileiro, verificamos igualmente que este não possui a mesma facilidade em bater os guarda-redes dos clubes rivais, visto apenas o ter conseguido diante do Sp. Braga. Em suma, o crescimento do magrebino nas mãos de Jorge Jesus é notório, vivendo aos 27 anos a melhor fase da sua curta carreira. O interesse de clubes estrangeiros é conhecido pelos responsáveis leoninos e com este registo goleador é natural que cheguem propostas no próximo defeso. A duvida residirá em manter uma peça fundamental no xadrez, isto numa temporada em que o Sporting regressará à Champions, ou capitalizar o seu rendimento desportivo com um bom encaixe, até porque o clube terá, possivelmente, de realizar uma ou duas grandes transferências para aliviar os cofres. O próprio jogador terá uma palavra a dizer, uma vez que, apesar de provavelmente se sentir extremamente cómodo em Lisboa, terá vontade de experimentar uma das principais ligas europeias. 

Rodrigo Ferreira

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