Mesmo com 10; Benfica segura 1.º lugar e mete uma mão no título; Sanches foi expulso na 1.ª parte; Mitroglou e Talisca resolveram no 2.º tempo

Marítimo 0-2 Benfica (Mitroglou 48' e Talisca 83')

O tri está a 3 pontos de distância. O Benfica ultrapassou a pressão do Sporting e a expulsão de Renato Sanches e ao triunfar na Madeira, frente ao Marítimo, só precisa de derrotar o Nacional, na Luz, para garantir o campeonato. Naquela que foi a melhor exibição desde a goleada ao Sp. Braga, as águias, mesmo com 10 durante mais de 50 minutos foram sempre superiores, acumularam até oportunidades para conseguir um resultado mais expressivo e não permitiram ao rival da final da Taça da Liga aproveitar a vantagem numérica. Mitroglou desbloqueou o jogo, Talisca, de bola parada, segurou os 3 pontos, numa partida em Fejsa voltou a estar imperial no meio campo; Nos insulares, que revelaram uma grande inércia a nível ofensivo, nota para Maurício Antônio, que teve de ser transportado para o hospital depois de um choque com Jardel.

No que diz respeito ao jogo, começou com um ritmo morno, com o Benfica a mandar, mas a ter dificuldades na circulação de bola face à pressão forte e organização do Marítimo, que depois tentava colocar bolas longas nas faixas. Já depois de Jonas ter criado perigo num canto, a primeira oportunidade surgiu na sequência de um lançamento lateral, com Dirceu quase a fazer auto-golo. Em cima da meia hora os encarnados dispuseram de duas grandes ocasiões, com Jonas a rematar ao poste (era um golaço) após excelente jogava individual e depois Carcela a ver um jogador maritimista a tirar a bola em cima da linha. Pouco depois foi a vez de Salin brilhar, com o guarda-redes da casa a fazer uma grande defesa a cabeceamento de Jonas. No entanto, no minuto 37 o encontro conheceu um dado novo, com Renato Sanches a receber ordem de expulsão (Pizzi passou a jogar numa posição mais central). Até ao intervalo os visitantes continuaram a dominar mas, apesar de Mitroglou (por duas vezes) e Carcela terem estado perto do golo, o nulo manteve-se. A segunda parte começou como acabou a primeira, mas desta vez o Benfica aproveitou, com Mitroglou a ficar isolado após um ressalto e a não perdoar perante Salin. Minutos depois, momento arrepiante no Estádio dos Barreiros, com Maurício a chocar de cabeça com Jardel e a cair inconsciente no relvado, tendo sido posteriormente transportado de ambulância para o hospital (esperemos que esteja tudo bem). Esse lance quebrou um pouco o ritmo da partida, com ambos os técnicos a aproveitarem para fazer alterações (Talisca entrou para o lugar de Carcela). As águias estiveram perto de ampliar, mas Salin brilhou novamente (desta vez em dose dupla), parando primeiro um tiraço de Jonas e depois a defender (no chão) a recarga de Pizzi. A partir daí, o Marítimo passou a ter mais iniciativa, mas os insulares nunca conseguiram criar dificuldades à defesa encarnada. Rui Vitória tirou Jonas de campo (entrou Samaris) e a substituição surtiu efeito, com o grego a ganhar uma falta perto da área e Talisca a fazer o 0-2 na cobrança do livre. O segundo golo colocou uma pedra no jogo e, já depois de Fransérgio ter sido expulso, Raúl Jiménez (que tinha entrado para o lugar de Mitroglou, como é habitual) acertou na barra após bela jogada de envolvimento. Até ao final, o Benfica geriu a bola e o resultado manteve-se, com os encarnados a ascenderem novamente à liderança do campeonato.

Marítimo - Os insulares, à semelhança de um punhado de equipas da 1.º liga, estão muito abaixo do nível de outras temporadas, sobretudo pela menor qualidade individual dos seus elementos da frente de ataque: a própria classificação reflecte bem isso, já que noutras temporadas os campeonatos eram, sem dúvida, mais tranquilos e a equipa projectava para os grandes mais jogadores. E hoje a prova viva dessa incapacidade é a falta de futebol para incomodar um Benfica reduzido a 10 e pressionado para obter um resultado positivo. Foram raros os momentos em que Ederson foi incomodado e o Marítimo limitou-se a defender a sua baliza, só tentando outra abordagem ao jogo após o 1.º golo sofrido. A nível individual, destaque para mais uma boa exibição de Salin (uma série de defesas na fase de maior aperto do Benfica no primeiro tempo, embora fique mal na fotografia no livre de Talisca), Fransérgio (um dos melhores do conjunto da casa, tendo acabado expulso) e Dyego Sousa (o melhor marcador da equipa não foi titular, mas quando entrou deixou alguns bons pormenores técnicos). Pela negativa, menção a homens como Edgar Costa (más decisões, péssimas acções técnicas) ou Djoussé (nunca conseguiu desequilibrar).

Benfica - Os encarnados seguem numa série de 11 vitórias consecutivas para o campeonato, mas as facilidades de outrora desapareceram nos últimos cinco jogos: vitórias pela margem mínima, muitas dificuldades em criar jogo ofensivo e hoje o cenário chegou a ser o pior depois da expulsão de Renato Sanches. Numa partida que fica marcada pela expulsão do jovem português aos 37 minutos, fase em que a equipa de Rui Vitória passava pela melhor momento, com vários remates para golo (Jonas, depois de um trabalho fantástico, atirou à trave; Carcela disparou mas foi travado em cima da linha; bolas paradas com vários cabeceamentos perigosos), o maior mérito vai para a capacidade de recuperação da equipa e para trabalho de Fejsa a segurar um meio-campo demasiado despovoado. A título individual, mais um jogo em que os avançados do Benfica se exibem a grande nível (Jonas, Mitroglou e, mais tarde, Jiménez, são terríveis no nosso campeonato. Pelo ar ou pelo chão, a aproveitar sobras, a segurar depois do jogo longo, é incrível a forma como aproximam a equipa do golo e permitem a chegada de apoios), tal como Fejsa (excelente na recuperação, como habitual) e Carcela (desequilibrou imenso pela esquerda na ausência de Gaitán). Em destaque, apesar do contexto de menor dificuldade, esteve também a dupla de centrais, por oposição a Almeida (muito mal defensivamente, com posicionamentos errados e acções técnicas disparatadas).

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