City nem tentou evitar novo Real-Atlético na final da Champions; Ronaldo pareceu solto no regresso mas esteve desastrado na finalização; Carvajal destacou-se; Bale voltou a fazer a diferença

Imagem: Daily Mail
Real Madrid 1-0 Man City (Fernando 20' p.b.)

Depois de Lisboa, Madrid volta a encontrar-se em Milão. O Real marcou um frente-a-frente com o Atlético depois de ter vencido o Manchester City por 1-0, em mais um jogo com pouca história. Os ingleses nunca tiveram capacidade de discutir a eliminatória e um auto-golo de Fernando, com mérito de Bale, foi suficiente para colocar a turma de Zidane na final. Os merengues, sem Casemiro e Benzema mas com Ronaldo de regresso (esteve muito activo mas perdulário), foram os únicos a justificar a passagem e contaram com boas exibições de Carvajal, Modric, Isco e Bale.

O jogo foi melhor do que o da primeira mão, mas não muito. O Real foi a única equipa que desde cedo mostrou o desejo de assumir as rédeas da partida, sendo que, inicialmente, não teve facilidades para desmoronar a defesa do City. Só que, aos 20 minutos, Bale aparece sozinho na área e vê Fernando desviar um remate (ou cruzamento?) que acabou por trair Joe Hart. Em vantagem no marcador, os merengues ganharam confiança e mostraram excelente dinâmica ofensiva nos minutos seguintes, embora sem criar ocasiões flagrantes. A resposta inglesa surgiu apenas no final da primeira parte, com Fernandinho a rematar ao lado naquela que foi a única aproximação dos forasteiros à baliza de Navas. Na segunda parte, os merengues tentaram avolumar o resultado, de forma a ter maior tranquilidade no jogo. Ronaldo, que tentou a finalização várias vezes, não estava inspirado e quando acertou na baliza viu Joe Hart negar-lhe o golo. Pellegrini lançou Sterling e Iheanacho para tentar o assalto final, mas o City nunca demonstrou capacidade de vergar o Real e o único lance de perigo que criou foi através de um remate de longe de Agüero. Muito pouco para uma equipa com a qualidade dos citizens. Já o conjunto de Zidane, mesmo não tendo aproveitado as situações de transição para o ataque, raramente pareceu incomodado pelo adversário e segue com toda a justiça para o jogo decisivo.

Real Madrid - A 14ª final do clube, que num ano que parecia de pesadelo conseguiu reerguer-se e pode acabar como campeão europeu. Não há maneira de negar a justiça da passagem do conjunto de Zidane, mas, se olharmos para o calendário, percebemos que os merengues não jogaram com um único rival de peso até chegar ao jogo decisivo, ao contrário do Atlético. Esta eliminatória pareceu sempre uma questão de tempo até se resolver para os espanhóis, que, mesmo com baixas, estiveram quase sempre por cima. Bale está claramente no melhor momento da temporada (já se prolonga há uns jogos) e foi novamente decisivo, aproveitando o facto de Ronaldo estar condicionado. O português mostrou várias vezes faces de dor, mas nem por isso abdicou de se dar ao jogo, aparecendo bastante, como não poderia deixar de ser, no momento da finalização. Jesé, com a sua mobilidade e capacidade de aproveitar os espaços, tentou fazer esquecer Benzema e rubricou uma exibição positiva, bem como Isco, que entrou no 11 devido à ausência de Casemiro. Com Kroos mais recuado, o espanhol ofereceu muita dinâmica e critério no passe. Modric também não deixou de o fazer, mantendo a bitola elevada. Do sector defensivo, destaque para Carvajal, muito activo na exploração do flanco (ainda mais do que Marcelo), já que Pepe e Ramos tiveram uma noite mais descansada do que seria de esperar e controlaram Aguero com relativa facilidade.

Manchester City - Foi eliminado e parece que nem tentou chegar à final. Obviamente não terá sido isso, mas o que é certo é que a turma de Pellegrini, que nos 180 minutos mostrou uma postura demasiado expectante, nunca se conseguiu superiorizar ao Real. As figuras da equipa também não estiveram propriamente brilhantes nos dois encontros. Yaya foi quase menos um (incrível queda de produção nos últimos tempos) e Agüero, mais vítima do que réu, esteve sempre a batalhar sozinho no ataque. De Bruyne terá sido o jogador com um rendimento mais regular, mas nem por isso conseguiu desequilibrar. O meio campo só apareceu no momento defensivo, faltando mudar o chip para o ataque, sobretudo no caso de Fernandinho. Fernando teve um lance de infelicidade mas, dentro das funções que lhe são atribuídas, esteve num nível razoável. A lesão de Kompany obrigou a uma mudança prematura na defesa (algo permeável e com dificuldades no controlo da profundidade) e Mangala não teve uma entrada muito positiva, com vários erros de posicionamento. Otamendi, apesar de alguns cortes importantes, também cometeu falhas. Foi valendo Hart, sempre num nível soberbo, para manter os citizens na eliminatória. 

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