Campeões, Campeões, Campeões! Portugal vence Europeu sub-17

De uma assentada Portugal quebrou um jejum que durava desde 2003 e afastou a malapata dos penaltis, que impediu algumas conquistas nos últimos anos. 

A seleção nacional de sub-17 sagrou-se campeã europeia pela sexta vez, ao derrotar a Espanha nos penaltis (5-4), depois do 1-1 nos 80 minutos. Portugal culmina assim uma caminhada de grande nível (15-1 em golos, 4 vitórias e 2 empates) com o tão desejado título, que permite afastar a "maldição" que teimava em durar (Portugal não ganhava uma competição em qualquer escalão desde 2003). A nível individual, destaque para José Gomes, que leva para casa o prémio de melhor marcador com 7 golos. Esta campanha dos sub-17 pode dar início a um ano de sonho para os lusos, que terão ainda presença no Euro sub-19 e de seniores e a participação nos JO. 

Hélio Sousa alinhou com Diogo Costa, Diogo Dalot, Diogo Queirós (Cap.), Diogo Leite, Rúben Vinagre; Florentino, Gedson Fernandes, Domingos Quina (Rafael Leão, 78´), João Filipe, Mesaque Dju (Miguel Luís, 55´) e José Gomes neste último encontro. Foi um bom jogo de final, com as habituais cautelas de parte a parte mas Portugal quase sempre com maior iniciativa de jogo. As oportunidades escassearam, mas antes do golo de Dalot (cruzamento de Vinagre, toque de Gomes e uma bomba do lateral) Quina já tinha atirado à trave e a Espanha respondeu logo a seguir com um lance perigoso. A vantagem de Portugal durou pouco e, na sequência de um canto, os espanhóis restabeleceram a igualdade por intermédio de Brahim Diaz, o craque da equipa (talento fantástico, com criatividade e uma técnica individual notável). Na segunda parte, ambos os conjuntos acusaram o nervosismo e cometeram muitos erros. A Espanha esteve mais perto da baliza portuguesa, mas continuou a ser a equipa nacional a ter mais iniciativa de jogo. Ainda assim, o empate não seria desfeito e o jogo foi para penalties, onde toda a gente marcou menos o capitão Morlanes, que entregou o título a Portugal.

Portugal - Um resultado saboroso para uma geração que de sub-17 parece ter pouco, só mesmo a idade. Grande maturidade a todos os níveis e da maioria dos jogadores e mérito para Hélio, que montou uma equipa bem organizada e em que as individualidades dão o melhor contributo para o colectivo. Apesar de tudo não foi um jogo brilhante de Portugal, mas o peso de ser uma final e o facto de do outro lado estar um adversário mais forte do que os anteriores também dificultaram a tarefa. José Gomes fez o seu jogo menos conseguido, sofrendo de marcação individual que condicionou as suas acções. Ainda assim, muita qualidade de costas para a baliza e um Europeu em que deu provas de todo o seu talento. Domingos Quina acabou por ser um dos destaques de Portugal, assumindo desde trás, transportando e entregando uma energia muito positiva. Descontando a presença de Dju, completamente inofensivo, sobra ainda João Filipe no ataque, que fez uma exibição na senda das anteriores e espalhou qualidade técnica, embora nem sempre tenha decidido bem. No meio campo, excelente complementaridade entre Florentino (discreto mas eficaz, com bom sentido posicional e qualidade no passe) e Gedson, com um raio de acção muito amplo. Se do meio campo para a frente há uma maioria benfiquista, no sector mais recuado é tudo portista exceptuando Rúben Vinagre. O lateral do Mónaco fez uma óptima exibição, integrando-se bem no ataque e privilegiando a flexão para dentro, mas tem problemas defensivos que deverá corrigir. Do outro lado, Dalot também ofereceu muita profundidade mas pecou na definição dos lances, sendo de realçar o belo golo que marcou. A dupla de centrais composta por Diogo Leite e Diogo Queirós esteve impecável e não permitiu veleidades a Abel Ruiz, sendo que ambos têm uma excelente capacidade de antecipação e uma qualidade bastante razoável na saída de bola. Na baliza, Diogo Costa não foi muito testado mas acaba por não ter uma participação feliz no golo espanhol. 

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