Benfica x7 na Taça da Liga; Marítimo desperdiçou (teve mais oportunidades de golo) e o campeão goleou; Mitroglou bisou; Éderson fez a diferença; Luisão e André Almeida estiveram desastrados; Gaitán marcou e despediu-se

Marítimo 2-6 Benfica (João Diogo 45' e Fransérgio 83' g.p.; Jonas 11', Mitroglou 18' e 38', Gaitán 79', Jardel 90' e Jiménez 90' + 3 g.p.)

O Benfica consolidou a hegemonia na Taça da Liga ao vencer a competição pela 7.ª vez em 9 edições (só Vit. Setúbal e Braga interromperam esta sequência). Numa final recheada de golos (a a que teve mais na história da prova) e oportunidades, os encarnados foram essencialmente mais eficazes perante um Marítimo que esteve muito perdulário na frente (o conjunto insular até somou mais lances claros de golo que o rival, muitos deles flagrantes). Ederson, apesar de ter falhado no lance do 1-3 e de uma má saída no principio da 2.ª parte, brilhou com 4, 5 defesas de enorme qualidade. Mitroglou, que não desperdiçou as oportunidades que dispôs, bisou, e Gaitán, numa noite que pareceu de despedida, pela maneira como saiu (chorou depois de ter sido substituído), destacou-se com uma assistência e um golo de craque. Já Renato esteve discreto na despedida pelas águias. Pior esteve o sector defensivo, principalmente o lado direito, com Luisão e André Almeida a acumularem erros atrás de erros. No Marítimo, Dyego Sousa esteve em evidência mas não foi feliz na finalização. 

No que diz respeito à partida, assistiu-se a uma grande primeira parte, com muitas oportunidades de golo em ambas as balizas. O Marítimo entrou melhor e dispôs de duas ocasiões para inaugurar o marcador: primeiro foi Edgar Costa com um remate de primeira (era um golaço) a pôr à prova Éderson e depois foi Fransérgio, após um ataque rápido, a surgir solto em zona frontal (um autêntico penalti em movimento), mas a não conseguir bater o guardião encarnado. No entanto, quem não marca sofre, e foi o Benfica a chegar ao golo, com Jonas a aproveitar uma jogada confusa e a empurrar para a baliza deserta. Pouco depois, o mesmo filme, com Edgar Costa a não conseguir controlar da melhor maneira uma bola em profundidade e os encarnados a conseguirem chegar ao segundo tento na sequência de um lançamento lateral estudado, com Pizzi a surgir com espaço na direita e a cruzar para Mitroglou finalizar. Entretanto, Nelo Vingada teve uma contrariedade, com a lesão de Edgar Costa (que estava a ser um dos melhores), sendo substituído por Djoussé. Os insulares voltaram a estar perto de marcar numa boa jogada, com Patrick a surgir na cara de Éderson, mas mais uma vez o guarda-redes brasileiro levou a melhor com uma bela mancha. A partir daí, o Benfica conseguiu estabilizar um pouco melhor o seu jogo e já depois de Gaitán ter testado Haghighi com uma trivela e um contra-ataque a ser mal aproveitado por Renato Sanches, o 3-0 surgiu após uma jogada entre Grimaldo e Gaitán, com o argentino a cruzar atrasado e Mitroglou a disparar para o fundo das redes. Na resposta, Dyego Sousa teve um cabeceamento perigoso (para fora) e Gaitán esteve novamente perto de fazer o gosto ao pé num excelente lance individual (a fazer um túnel sobre um adversário), mas Haghighi levou mais uma vez a melhor. Já em período de descontos o Marítimo conseguiu mesmo reduzir, com Éderson a ter uma saída disparatada e Fransérgio a oferecer o golo a João Diogo, que cabeceou para a baliza deserta. Ainda houve tempo para mais uma ocasião para as águias, após mais uma jogada pela esquerda (uma constante), com Grimaldo a obrigar o guardião iraniano a mais uma boa intervenção e Gaitán a desperdiçar na recarga. A segunda parte começou num ritmo mais morno (também não era difícil), mas com o Marítimo a entrar melhor novamente. Depois de Fransérgio ter definido mal uma jogada de superioridade numérica, Dyego Sousa esteve perto do 2-3, aproveitando uma má saída de Éderson, mas o seu remate encontrou a barra. A seguir foi Djoussé a estar perto de reduzir, mas o guarda-redes da Luz voltou a estar em evidência. A partir daí, o Benfica começou a gerir melhor a bola, com Rui Vitória a realizar a primeira alteração (Talisca por Mitroglou). Renato Sanches esteve perto de ampliar (Haghighi defendeu com dificuldade), tendo do outro lado Dyego Sousa finalizado mal um cruzamento. No entanto, o 4-1 apareceu mesmo, com Talisca a isolar Jonas, com este a oferecer o golo a Gaitán, que ainda deixou toda a gente em suspense. O craque argentino saiu logo de seguida (com cheiro a despedida) e ainda houve tempo para mais golos. Primeiro foi Samaris a fazer falta sobre Alex Soares dentro de área, com Fransérgio a não perdoar da marca de penalti. Já perto do fim os encarnados marcaram mais dois golos: Jardel correspondeu da melhor maneira a um livre de Pizzi e depois foi Haghighi a errar (dominou mal) e a cometer penalti sobre Raúl Jiménez, com o mexicano a estabelecer o resultado final e o Benfica a confirmar a 7.ª vitória na Taça da Liga.

Marítimo -  Os madeirenses ficam a chorar o desperdício. A equipa de Nelo Vingada voltou a ser derrotada na final da Taça da Liga pelo Benfica, mas não foi por falta de produção ofensiva, já que foram muitas as chances criadas, no entanto foram inúmeras as bolas de golo desperdiçadas, o que, conjugado com o desacerto defensivo, deitou por terra quaisquer aspirações de sucesso. No plano individual, Haghighi não fica bem na fotografia dos dois últimos golos sofridos, enquanto que os centrais deram sequência à má época feita, com muita permeabilidade, sobretudo quando as combinações são feitas em velocidade. Do meio-campo para a frente, a equipa praticou um futebol agradável, com João Diogo a marcar na final pelo segundo ano seguido e a dar critério pela direita, Éder Bessa esteve sempre muito em jogo, Fransérgio conseguiu chegar bem à área e Dyego Souza movimentou-se com propriedade e jogou bem com os apoios, mas quase todos pecaram na altura de visar a baliza.

Benfica - Mais um troféu conquistado para um clube em estado de graças. Os encarnados deram sequência ao brilhante registo dos últimos 3 anos (8 triunfos nas últimas 10 competições nacionais) e vencem a Taça da Liga pela sétima vez em nove edições. No entanto, o último jogo da época não foi brilhante, já que a equipa de Rui Vitória permitiu que o Marítimo criasse imensas oportunidades de golo (cerca de uma dezena), com uma enorme permeabilidade defensiva. Valeu a capacidade dos homens da frente, sobretudo ao nível da eficácia. (6-2 dá ideia de massacre, mas o jogo esteve longe disso) .Individualmente, Ederson foi decisivo na fase inicial, com várias defesas de bom nível, mas errou no lance do primeiro golo sofrido (saída a destempo) e na segunda parte teve também uma má abordagem que resultou numa bola na barra. Na defesa, Luisão acusou a falta de jogos, sendo várias vezes batido (se continuar, veremos que nível apresentará na próxima época), tal como André Almeida, que esteve igualmente desastrado, ao passo que Grimaldo termina a época a deixar “água na boca” dos adeptos, dada a sua capacidade no ataque (velocidade, transporte e inteligência na decisão). No meio-campo, a ausência de Fejsa notou-se (Samaris fica a léguas da capacidade do sérvio em termos de recuperação de bolas e preenchimento dos espaços), enquanto que Gaitán, que pela forma como chorou após ser substituído deu a ideia de se estar a despedir do clube, esteve em vários lances de perigo, acabando por marcar. Na frente, Mitroglou fez mais 2 golos, Jonas não só marcou como teve os pormenores de classe do costume, e Jimenez entrou para fazer o 13.º golo da época.


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